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Israel aprova plano de ministro extremista para 'enterrar ideia de Estado palestino'

FolhaPress 20/08/2025 13:09

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um plano de assentamento amplamente criticado por atravessar terras palestinas recebeu aprovação final nesta quarta-feira (20), de acordo com um comunicado do ministro das Finanças de Israel e autor do projeto, o extremista Bezalel Smotrich.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O plano consiste em construir mais de 3.400 casas no assentamento de Ma'ale Adumim —medida que, se concretizada, dividiria a Cisjordânia e a isolaria de Jerusalém Oriental, territórios palestinos ocupados por Tel Aviv. Nas palavras do gabinete de Smotrich, o projeto enterraria a ideia de um Estado palestino.

"Estamos finalmente cumprindo o que foi prometido há anos", disse o ultranacionalista nesta quarta, em um comunicado. "O Estado palestino está sendo apagado da mesa de negociações, não com slogans, mas com ações."

Apesar das críticas, o plano recebeu sinal verde final de uma comissão de planejamento do Ministério da Defesa, segundo o ministro israelense. Reiniciar o projeto, porém, pode isolar ainda mais Tel Aviv, que viu aliados ocidentais como Reino Unido e França falarem em reconhecer a Palestina diante da catástrofe humanitária na Faixa de Gaza, palco de uma guerra entre Israel e Hamas há quase dois anos.

SESC PICASSO

Na quinta-feira passada (14), quando anunciou a medida, Smotrich disse que o projeto era uma reação a esses acenos. "Quem no mundo está tentando reconhecer um Estado palestino hoje receberá nossa resposta no terreno", disse ele.

No domingo, durante uma visita a Ofra, outro assentamento na Cisjordânia, voltou a comentar o assunto. "Eu disse há 25 anos que faríamos de tudo para garantir nosso controle sobre a Terra de Israel, para impedir o estabelecimento de um Estado palestino, para impedir as tentativas de nos expulsar daqui. Graças a Deus, o que prometi, cumprimos", afirmou.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, não comentou o anúncio.

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O Brasil foi um dos países a condenar o projeto, classificando-o de "flagrante violação do direito internacional". "Ao recordar o direito inalienável do povo palestino a um Estado independente e soberano, o Brasil insta Israel a abster-se de adotar ações unilaterais equivalentes à anexação do território palestino ocupado", afirmou o Itamaraty em uma nota divulgada na última sexta (15).

O Ministério das Relações Exteriores da Palestina também condenou o anúncio nesta quarta, afirmando que o assentamento isolaria as comunidades palestinas que vivem na área e minaria a possibilidade de uma solução de dois Estados.

Já um porta-voz do governo alemão disse a jornalistas nesta quarta que a construção de assentamentos viola o direito internacional e "impede uma solução negociada de dois Estados e o fim da ocupação israelense da Cisjordânia".

Israel havia congelado os planos de construção em Ma'ale Adumim em 2012, e, após uma retomada, novamente em 2020. As suspensões ocorreram devido a objeções de aliados europeus, EUA e outras potências que consideravam o projeto uma ameaça a qualquer futuro acordo de paz com os palestinos. Agora, com Trump na Casa Branca, Tel Aviv parece mais confiante para tocar os planos.

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As obras de infraestrutura podem começar em poucos meses e a construção de casas em cerca de um ano, de acordo com o grupo israelense de defesa Peace Now, que monitora a atividade de assentamentos na Cisjordânia.

Cerca de 700 mil colonos israelenses vivem entre 2,7 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental —cidade que Israel anexou em uma medida não reconhecida pela maioria dos países.

O plano de dois Estados prevê um Estado palestino em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia e em Gaza, existindo lado a lado com Israel. Mas segundo a ONU e a maioria das potências mundiais, a expansão dos assentamentos corroeu a viabilidade dessa solução ao fragmentar o território palestino. Israel contesta isso citando laços históricos e bíblicos com a área, que chama de Judeia e Samaria.

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