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Israel admite ter exumado corpos em Gaza em buscas de reféns, diz rede americana

FolhaPress 19/01/2024 09:03

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As Forças de Defesa de Israel admitiram à rede CNN que recentemente exumaram corpos de um cemitério na cidade de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, com a justificativa de buscar restos mortais de reféns capturados pelo grupo terrorista Hamas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com reportagem da rede americana publicada nesta quinta-feira (18), os militares afirmam que resgatar os reféns e encontrar seus corpos é uma das "principais missões" de suas tropas em Gaza.

Fotografias de repórteres baseados em Gaza também mostram palestinos checando as sepulturas de seus familiares e amigos em cemitérios de Khan Yunis após operação do Exército israelense no local. As imagens mostram os túmulos revirados e muitas placas de identificação quebradas.

Tel Aviv afirma que, em 7 de outubro, dia dos ataques do Hamas ao sul israelense, ao menos 253 pessoas, muitas delas com dupla nacionalidade, foram feitas reféns pelo grupo palestino e levadas para Gaza.

Negociações no final do ano passado permitiram a libertação de dezenas delas, majoritariamente mulheres e crianças. Mas ao menos 105 seguem em Gaza, de acordo com o governo de Israel, e outras 27 estariam mortas —com seus corpos ainda na região sob controle do Hamas.

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Acredita-se que um dos reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza seja o brasileiro Michel Nisenbaum, natural de Niterói, que na adolescência fez a aliá (o retorno a Israel, como dizem os judeus).

A despeito das denúncias de palestinos, essa parece ser a primeira vez que as Forças de Defesa israelenses admitem que estão atuando em cemitérios e violando os túmulos de pessoas ali enterradas.

Um dos grandes problemas por trás dessa afirmação é o fato de que os cemitérios e os túmulos nele localizados são protegidos pelas Convenções de Genebra, o conjunto de tratados internacionais que baliza o que pode —e o que não pode— ser feito em uma guerra. Elas servem de arcabouço teórico para tribunais internacionais que julgam potenciais crimes de guerra, por exemplo.

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Entre outras coisas, as convenções detalham que as partes envolvidas no conflito devem respeitar a integridade dos túmulos. Isso porque existe a obrigação de respeitar os mortos nas guerras —ou seja, o chamado princípio de "respeito irrestrito pelos inimigos caídos" se mantém mesmo após a sua morte.

As Convenções detalham que são proibidas ações como a de vandalizar ou remover lápides, demolir sepulturas e desenterrar corpos —a menos que essa exumação seja autorizada por uma corte internacional.

Ainda de acordo com informações da rede CNN, a operação de Israel no cemitério ocorreu em paralelo à aproximação das tropas de Tel Aviv de um complexo hospitalar na vizinhança, o Al Nasser, apoiado pela Jordânia, onde estariam abrigados ao menos 7.000 civis que tiveram de deixar suas casas em meio ao atual conflito, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Também nesta quinta-feira (18), mais uma denúncia sobre possíveis crimes de guerra cometidos em Gaza foi apresentada a cortes internacionais. Desta vez, os governos do México e do Chile apresentaram um pedido de investigação ao TPI, o Tribunal Penal Internacional baseado na cidade holandesa Haia.

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"O que nos interessa é apoiar a investigação de qualquer possível crime de guerra cometido na área, seja este crime de guerra proveniente de onde quer que venha, seja de israelenses ou palestinos", disse o chanceler chileno, Alberto van Klaveren, a repórteres em Santiago.

O TPI investiga indivíduos, diferentemente da Corte Internacional de Justiça, ligada à ONU, que apura a responsabilidade de Estados. Também neste fórum Israel enfrenta acusações após o governo da África do Sul apresentar uma denúncia alegando que o país hoje comandado pelo premiê Binyamin Netanyahu comete o crime de genocídio contra o povo palestino em Gaza.

A denúncia sul-africana foi apoiada publicamente pelo governo Lula, ainda que a manifestação de Brasília tenha sido apenas informal e não tenha peso jurídico, uma vez que não foi apresentada à Corte de Haia, como ela é conhecida, mas sim dita em um comunicado público.

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