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Irã tenta atacar Israel sem provocar guerra generalizada

FolhaPress 05/08/2024 12:35

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a intensa movimentação diplomática para tentar evitar uma guerra ampla no Oriente Médio, o Irã disse nesta segunda (5) que um ataque de suas forças contra Israel é inevitável, mas que não deseja que o conflito se espalhe pela região.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O Irã busca estabilidade regional, mas isso só virá com a punição ao agressor e criando uma dissuasão contra as aventuras do regime sionista", disse o porta-voz da chancelaria iraniana, Nasser Kanaani, empregando o termo usual do país para se referir a Israel.

Para ele, a ação é "inevitável" depois do assassinato do líder do grupo terrorista Hamas, Ismail Haniyeh, em um ataque que Israel mal disfarçou ter cometido em Teerã, na semana passada.

Além disso, Tel Aviv assumiu a morte do líder militar do Hamas e do chefe operacional do Hezbollah, o poderoso grupo libanês aliado dos palestinos. Ambas as organizações, assim como outras como a Jihad Islâmica, são bancadas por Teerã.

Teerã deu uma sinalização das preparações para a ação ao emitir um aviso para que pilotos comerciais estejam preparados para a degradação ou perda de sinal de GPS nas regiões central, oeste e noroeste do país. O alerta vale até 13 de agosto.

O aviso foi interpretado incorretamente como um fechamento de espaço aéreo na mídia israelense, e a versão se espalhou pela internet. Isso dito, é um passo anterior a essa medida, que indica o lançamento iminente de mísseis e drones.

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Os iranianos deverão saturar essas regiões com bloqueadores de frequência tanto para proteger seus lançadores quanto para desorientar eventuais mísseis lançados contra si.

Também nesta segunda, chegou a Teerã Serguei Choigu, o ex-ministro da Defesa da Rússia que assumiu a secretaria do Conselho de Segurança de Vladimir Putin. Os países são aliados próximos, e Moscou tem pedido comedimento aos iranianos, ao mesmo tempo em que condenou os assassinatos.

Antes, um enviado do governo dos Emirados Árabes Unidos esteve no Irã com o mesmo pedido. Em abril, quando os iranianos lançaram uma grande salva de mísseis e drones contra Israel pela primeira vez na história, o país árabe ajudou Estados Unidos e Reino Unido a derrubar boa parte dos armamentos.

O governo americano trabalha com a possibilidade de uma ação iraniana, em conjunto com o Hezbollah, já na madrugada desta terça (6). Mas talvez haja mais tempo, já que o Irã convocou uma reunião da Organização de Cooperação Islâmica nesta quarta (7). No encontro, irá apresentar seu caso e pedirá apoio para atacar Israel.

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Além disso, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o novo presidente do país, Masoud Pezeshkian, ganham uma janela para modular sua reação. Se ela é inevitável, como disse a chancelaria, sua intensidade irá determinar o futuro da região.

O perigo para o Irã é entrar numa missão suicida, abrindo a porta para uma tréplica israelense que lhe destrua as instalações do programa nuclear do país, por exemplo. A possibilidade de ter a bomba atômica em poucos meses é a principal carta de negociação que Teerã tem, e perde-la é um risco grande.

Quando o Irã atacou Israel em abril, a resposta de Tel Aviv foi bastante comedida, mas com um sinal claro: um ataque pequeno próximo de Isfahan, cidade que concentra as atividades do programa nuclear dos aiatolás.

Na semana retrasada, o Estado judeu demonstrou estar pronto para um ataque de maior potência a longa distância, quando destruiu parte do porto de Hodeidah, o principal sob controle dos rebeldes pró-Irã houthis do Iêmen.

Esse grupo é outro fator de preocupação, dado o impacto de suas ações no mar Vermelho, onde ataques a navios mercantes ocidentais e ligados a Israel travou o comércio naquela região, obrigando desvios custosos a grandes empresas.

Os EUA anunciaram no fim de semana que vão reforçar sua presença na região. Ao menos um esquadrão de aviões de combate será enviado para a região, e um grupo de porta-aviões de propulsão nuclear esta a caminho para substituir aquele que já estava em operação há meses por lá.

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Além disso, há pelo menos seis poderosos destróieres lançadores de mísseis da classes Arleigh Burke operando no mar Vermelho e adjacências, além de um grupo de assalto anfíbio com três navios e 4.000 fuzileiros navais.

No início da atual crise, quando o Hamas provocou o maior ataque contra Israel na história, matando 1.200 pessoas em 7 de outubro passado, os EUA enviaram dois grupos de porta-aviões e vários reforços a suas bases, o que ajudou a deter eventuais escaladas por parte do Irã e seus aliados.

O ponto mais preocupante sempre foi a fronteira Israel-Líbano, que foi evacuada do lado de Tel Aviv e virou palco de atrito constante entre o Hezbollah e os militares israelenses. No fim de semana, uma barragem de foguetes assustou o mundo, temendo o início do ataque maior com o Irã, mas era apenas um teste de estresse por parte dos milicianos xiitas.

Várias empresas aéreas internacionais cancelaram voos para o Líbano. Nesta segunda, a alemã Lufthansa disse que também vai parar de voar para Tel Aviv até pelo menos 12 de agosto.

O conflito na Faixa de Gaza, que já matou segundo os palestinos 39.623 pessoas, segue com ações nesta segunda. Israel emitiu um aviso para a evacuação da cidade Khan Younis, sugerindo que vai atacar a localidade.

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