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Infantino pede desculpas, mas crise na Fifa continua após reunião

Dirigentes da Inglaterra e Alemanha cobram transparência sobre projeto bilionário; entidade anuncia revisão de sua governança antes da eleição de 2027

Vitória News 16/10/2026 07:05
Infantino pede desculpas, mas crise na Fifa continua após reunião
Foto: Reprodução/Instagram

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pediu desculpas por erros na condução de um projeto que pretendia abrir parte dos negócios comerciais da entidade a investidores privados. O reconhecimento ocorreu durante uma reunião do Conselho da Fifa, realizada na quinta-feira (15), em Zurique, na Suíça, mas não foi suficiente para encerrar as críticas à sua gestão.

Representantes das federações de futebol da Inglaterra e da Alemanha afirmaram que as explicações apresentadas não esclareceram questões consideradas essenciais sobre a elaboração do projeto, que envolvia direitos comerciais de competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo.

O encontro reuniu dirigentes internacionais para discutir a crise provocada pela proposta, denominada Fifa Forward Enterprise (FFE), além de possíveis mudanças na estrutura de governança da organização.

A reunião terminou com o anúncio da criação de um grupo de trabalho para estudar reformas administrativas, a revisão de procedimentos disciplinares e a apresentação de um plano para ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol mundial.

Apesar dos encaminhamentos, a permanência de Infantino na presidência continua sendo questionada por parte dos dirigentes europeus, em um momento em que a entidade se prepara para sua próxima eleição, marcada para março de 2027.

Projeto de US$ 4,2 bilhões provocou crise na Fifa

O principal motivo da controvérsia foi a proposta de criação de uma estrutura empresarial que permitiria a participação de investidores privados em receitas comerciais administradas pela Fifa.

O projeto previa a venda de uma participação minoritária em uma nova empresa responsável por negócios relacionados às competições internacionais.

A operação poderia movimentar aproximadamente US$ 4,2 bilhões, recursos que, segundo a direção da Fifa, seriam destinados ao fortalecimento dos investimentos no desenvolvimento do futebol.

A proposta, entretanto, provocou resistência entre representantes de confederações e federações nacionais, que questionaram a falta de consultas e de informações sobre as negociações.

Uma das principais preocupações envolvia o controle sobre receitas futuras de competições como a Copa do Mundo, consideradas fundamentais para o financiamento das atividades da entidade.

A divulgação das negociações desencadeou críticas à condução do projeto e ampliou o debate sobre os mecanismos de fiscalização e tomada de decisões na Fifa.

Diante da repercussão, a iniciativa foi retirada antes de sua implementação.

Durante a reunião de quinta-feira, Infantino reafirmou que a proposta foi abandonada definitivamente e não será retomada em outro formato.

Infantino reconhece erros na comunicação e na condução do projeto

Ao se dirigir ao Conselho da Fifa, Infantino reconheceu falhas no processo de comunicação e consulta relacionado à iniciativa.

O presidente afirmou que o projeto tinha como objetivo ampliar os recursos destinados às federações e ao desenvolvimento do futebol, mas admitiu que a maneira como a proposta foi conduzida gerou problemas.

Ele também ressaltou que a iniciativa não constituía um acordo definitivo e dependeria das aprovações necessárias dentro da organização.

Segundo o comunicado oficial, advogados externos participaram da reunião para apresentar informações sobre os aspectos jurídicos do projeto.

A entidade informou que determinados detalhes permanecem confidenciais em razão de procedimentos judiciais em andamento nos Estados Unidos.

Essa limitação foi um dos pontos de insatisfação manifestados pelos dirigentes que exigem maior transparência.

Inglaterra e Alemanha consideram explicações insuficientes

As reações mais críticas após a reunião partiram de representantes do futebol europeu.

O presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, afirmou que as perguntas apresentadas durante o encontro não receberam respostas satisfatórias.

O dirigente defendeu mudanças mais profundas na estrutura de governança da Fifa e questionou a capacidade da atual direção de recuperar a confiança dos integrantes da organização.

A presidente da Federação Inglesa de Futebol, Debbie Hewitt, também manifestou insatisfação com as informações disponibilizadas.

Segundo os dirigentes, os membros do Conselho deveriam ter sido consultados adequadamente antes do avanço de uma proposta com possíveis consequências para a administração de receitas comerciais do futebol mundial.

A falta de acesso à documentação completa do projeto permanece entre os principais pontos de divergência.

As manifestações evidenciam que o pedido de desculpas não eliminou os questionamentos sobre os procedimentos utilizados na elaboração da iniciativa.

Fifa cria grupo de trabalho para discutir reformas

Uma das principais decisões anunciadas após a reunião foi a criação de um grupo de trabalho para examinar a estrutura de governança da Fifa.

O grupo terá representantes de diferentes confederações continentais e deverá analisar possíveis mudanças nos processos de administração e tomada de decisões.

A iniciativa busca responder às preocupações apresentadas durante os últimos meses sobre a participação dos órgãos internos em projetos considerados estratégicos.

O objetivo é avaliar como decisões de grande impacto financeiro e institucional são discutidas, submetidas à análise e aprovadas dentro da organização.

A criação do grupo representa o início de uma revisão, mas não significa que novas regras de governança já tenham sido definidas ou implementadas.

As eventuais mudanças dependerão dos estudos e dos procedimentos de aprovação previstos na estrutura da Fifa.

Entidade propõe US$ 6,35 bilhões para desenvolvimento do futebol

Paralelamente às discussões sobre governança, a Fifa apresentou um plano para ampliar os investimentos destinados às suas 211 federações nacionais, às confederações continentais e a outras iniciativas ligadas ao desenvolvimento do futebol.

A proposta prevê recursos de US$ 6,35 bilhões para o período entre 2027 e 2030.

O montante integra o planejamento financeiro da entidade após os resultados comerciais da Copa do Mundo de 2026.

Segundo a Fifa, a projeção preliminar de superávit para o ciclo financeiro de 2023 a 2026 varia entre US$ 5,2 bilhões e US$ 5,6 bilhões.

A administração propôs preservar reservas de US$ 1,7 bilhão para situações imprevistas e destinar parte dos recursos disponíveis ao financiamento de programas de desenvolvimento.

Pelo plano apresentado, cada uma das 211 federações nacionais poderá receber até US$ 25 milhões no novo ciclo, conforme as regras que serão estabelecidas.

Os recursos também deverão contemplar iniciativas de futebol feminino, categorias de base e infraestrutura esportiva.

O planejamento ainda passará por definições sobre critérios de elegibilidade, aplicação, distribuição, controle e auditoria.

A proposta deverá ser detalhada na próxima reunião do Conselho, prevista para dezembro, e submetida às etapas de aprovação da entidade em 2027.

Assim, o valor anunciado representa um plano de investimento apresentado pela administração da Fifa, e não um repasse já concluído às federações.

Prêmio da Paz da Fifa passará por avaliação

Outro assunto incluído na reunião foi o Prêmio da Paz da Fifa, que ganhou repercussão internacional após sua concessão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A premiação provocou debates sobre os critérios utilizados pela entidade e sobre sua relação com personalidades políticas.

Diante dos questionamentos, o Conselho determinou que o Comitê de Responsabilidade Social do Futebol realize uma avaliação do prêmio.

A análise deverá examinar a iniciativa e subsidiar uma decisão sobre sua continuidade.

A expectativa é que o tema volte à discussão na reunião do Conselho prevista para dezembro de 2026.

A Fifa não anunciou a extinção da premiação. O encaminhamento confirmado é a revisão do assunto pelos órgãos competentes.

Caso envolvendo jogador dos Estados Unidos também será analisado

Os procedimentos disciplinares da Fifa também entraram na pauta do encontro.

A discussão envolve o atacante norte-americano Folarin Balogun, que recebeu uma suspensão após ser expulso durante a Copa do Mundo de 2026, em partida contra a Bósnia e Herzegovina.

Posteriormente, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender por um período probatório de um ano a execução da punição de uma partida.

O episódio provocou questionamentos sobre a aplicação das regras disciplinares e os procedimentos utilizados pela organização.

Durante a reunião, foi decidido que o Comitê Jurídico da Fifa examinará os procedimentos disciplinares e apresentará suas conclusões ao Conselho.

O assunto deverá retornar à pauta em dezembro.

A revisão anunciada não representa, por si só, uma mudança imediata nas regras ou uma conclusão sobre eventuais irregularidades no caso.

Infantino enfrenta resistência antes da eleição de 2027

A reunião ocorreu em um momento importante para o futuro político de Gianni Infantino, que preside a Fifa desde fevereiro de 2016.

A eleição para a presidência da entidade está prevista para março de 2027, e a crise relacionada ao projeto de investimentos privados intensificou as discussões sobre a continuidade de sua gestão.

Dirigentes europeus têm defendido maior transparência e mudanças na administração, enquanto representantes de outras regiões continuam manifestando apoio ao atual presidente.

Entre os argumentos apresentados por seus apoiadores estão os investimentos realizados em programas de desenvolvimento do futebol e a ampliação dos recursos destinados às federações nacionais.

Já os críticos sustentam que a organização precisa fortalecer seus mecanismos internos de fiscalização, consulta e prestação de contas.

O cenário revela divergências sobre a condução administrativa da Fifa, mas não permite antecipar o resultado da eleição presidencial.

Próxima reunião da Fifa será em dezembro

Os encaminhamentos anunciados em Zurique deverão voltar à discussão na próxima reunião do Conselho da Fifa, prevista para dezembro de 2026.

Entre os assuntos pendentes estão o detalhamento do plano financeiro para 2027 a 2030, a revisão do Prêmio da Paz e a avaliação dos procedimentos disciplinares.

O grupo responsável por examinar possíveis mudanças de governança também terá a tarefa de discutir a estrutura de decisões da organização.

A eleição presidencial, prevista para março de 2027, acrescenta importância aos debates sobre transparência e administração.

Com o abandono definitivo do Fifa Forward Enterprise, Infantino encerrou a possibilidade de implementação daquela proposta, mas a reunião mostrou que as divergências provocadas por sua condução continuam presentes.

Os próximos encontros deverão indicar como a Fifa pretende responder às cobranças por mudanças e quais medidas poderão ser adotadas para aperfeiçoar a gestão da entidade responsável pelo futebol mundial.

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