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Índia e Coreia do Sul determinam inspeção em jatos da Boeing

FolhaPress 14/07/2025 12:23

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os governos da Índia e da Coreia do Sul determinaram nesta segunda (14) a inspeção dos botões de controle de fornecimento de combustível de aeronaves da fabricante americana Boeing operadas por empresas de ambos os países.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As duas pequenas alavancas estão no centro do escrutínio em torno do acidente com um Boeing 787 da Air India que matou 260 pessoas no mês passado após a decolagem na cidade indiana de Ahmedabad. Houve um único sobrevivente.

O relatório preliminar da autoridade aeronáutica do país, divulgado no sábado (12), mostrou que ambos os seletores foram desligados logo após o avião deixar o chão, cortando imediatamente a potência dos motores.

Segundo o documento, um dos pilotos questionou o outro o motivo do corte, e a resposta foi que ele não havia feito nada. Não fica claro qual dos aviadores que fez a pergunta, se o experiente capitão com 15,6 mil horas de voo ou o copiloto, com 3.400 horas.

Em dezembro de 2018, a FAA (Administração Federal de Aviação, na sigla em inglês) dos EUA emitiu uma recomendação de inspeção nos botões após o relato feito à Boeing por alguns operadores de modelos 737 de que os botões não travavam corretamente para cortar ou liberar o combustível e ligar os motores.

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A recomendação não era mandatória, já que não foi apontado um risco iminente. A Air India não havia feito o procedimento, por exemplo. Ele era sugerido a nove famílias de aviões da Boeing, inclusive três da antiga McDonnell-Douglas, rival comprada pela americana.

Entre eles estão diversas versões do popularíssimo 737 e duas do 787. O documento indica os números de séries dos botões fabricados pela também americana Honeywell, e apenas deveriam ser inspecionados aviões que tivessem esses seletores específicos.

No Brasil, a medida pode ou não afetar aviões da Gol, que opera modelos 737 antigos e novos. A reportagem questionou a empresa e a Anac, o órgão regulador brasileiro, se há alguma aeronave que se encaixa nos parâmetros da recomendação da FAA e se já houve alguma inspeção depois de 2018.

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A reportagem também procurou a Boeing, mas assim como com a Anac e a Gol, ainda não recebeu resposta. Não há motivo aparente para alarme, dado que a própria FAA reafirmou que os botões podem ser considerados seguros, mas o histórico recente de problemas com aviões da empresa americana parece ter acendido os alarmes em Nova Déli e Seul.

A Boeing passou 20 meses com a sua frota do 737 Max no chão, após dois acidentes devido a erro de projeto. O mesmo modelo perdeu uma tampa de fuselagem em voo no ano passado, explicitando falhas de qualidade de produção.

Outros aviões da empresa, como o próprio 787, que nunca havia caído até junho, registraram problemas. A Boeing trocou duas vezes de liderança e, agora, parece numa rota de normalização, voltando a ver o crescimento de suas vendas.

Segundo a imprensa indiana, a Air India começou a checagem antes mesmo da ordem oficial. O relato diz que foram inspecionados metade dos seus 33 aviões 787, e até aqui não foi constatado nenhum problema. A empresa também opera modelos Boeing 777, que não têm verificação sugerida pela FAA.

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Se isso se confirmar, o mistério em torno do acidente só aumenta. O motivo central da queda foi a perda de potência de ambos os motores, que foram religados pelos pilotos, mas não havia tempo hábil: o avião ainda muito próximo do solo já estava em queda.

Os dados das caixas-pretas indicaram o movimento nos seletores, o que leva a três hipóteses básicas: que algum piloto inadvertidamente mexeu nos botões, que são pequenas alavancas bastante duras para serem movidas, que houve o problema apontado na recomendação da FAA e elas se deslocaram sozinhas ou se um dos aviadores fez o movimento de propósito.

O último cenário é assustador, mas há precedentes históricos. Em 2015, por exemplo, um copiloto da alemã Germanwings matou a si e outras 149 pessoas ao se trancar na cabine de comando sozinho e jogar um Airbus A320 contra uma montanha nos Alpes.

A Air India disse que a investigação ainda é preliminar, mas mostrou que os dois pilotos haviam passado pelo bafômetro antes de entrar na aeronave, como é praxe, e que não há nada suspeito em seu histórico de trabalho.

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