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Imagem de palestina abraçada a menina morta ganha prêmio de foto do ano

FolhaPress 18/04/2024 15:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A fotografia de uma mulher palestina abraçando o corpo de uma menina morta em um bombardeio atribuído a Israel na Faixa de Gaza venceu nesta quinta-feira (18) o World Press Photo, a mais prestigiosa premiação de fotojornalismo do mundo, na categoria foto do ano.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A imagem premiada é do fotógrafo Mohammed Salem, da agência de notícias Reuters, e mostra Inas Abu Maamar, 36, entrelaçada com o corpo da sobrinha Saly, 5, que morreu junto com a mãe, a irmã e outros familiares em um ataque com míssil na cidade de Khan Yunis, em outubro passado. A ofensiva destruiu a casa em que elas estavam.

O registro foi feito no hospital Nasser, no dia 17 de outubro —dez dias, portanto, após o início da guerra entre Israel e Hamas. O fotógrafo foi ao necrotério da unidade e viu a mulher chorando e agarrada ao pequeno corpo da menina, que estava enrolado em um pano branco.

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"Foi um momento forte e triste. Senti que a imagem resumia de forma geral o que estava acontecendo na Faixa de Gaza", afirmou Salem, segundo o comunicado do World Press Photo.

Fiona Shields, presidente do júri, disse que a fotografia é "profundamente chocante". "Depois que você a vê, [a imagem] fica na sua mente."

Quase 34 mil palestinos já foram mortos desde o início da guerra na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. Após seis meses de conflito, as forças israelenses continuam bombardeando o território palestino, a despeito de pressão da comunidade internacional pelo estabelecimento de uma trégua.

Sob cerco, a população em Gaza vive crise humanitária. Na terça-feira (16), o escritório de direitos humanos da ONU disse que Tel Aviv continua a impor restrições ilegais à ajuda humanitária ao território e declarou que o auxílio ainda está muito abaixo dos níveis mínimos.

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Israel tem avaliado nos últimos meses iniciar uma operação em larga escala na cidade de Rafah, onde está metade dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza e único grande centro urbano que Tel Aviv não invadiu por terra. Segundo autoridades israelenses, a ação é necessária para eliminar redutos Hamas. Para o escritório de direitos humanos da ONU, porém, a invasão "resultaria em uma perda massiva de vidas".

No World Press Photo, o fotógrafo venezuelano Alejandro Cegarra venceu a categoria longo prazo com imagens monocromáticas de migrantes e solicitantes de refúgio que tentam cruzar a fronteira do México com os Estados Unidos. Segundo o júri, o profissional "fornece uma perspectiva sensível e centrada no ser humano", além de enfatizar a resistência dessas pessoas.

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Já a sul-africana Lee-Ann Olwage ganhou o prêmio história do ano com um retrato íntimo de uma família de Madagascar que vive com um parente idoso diagnosticado com demência.

O trabalho de fotógrafos da Folha também foi destacado. A imagem captada pelo fotógrafo Lalo de Almeida durante a seca extrema que atingiu a Amazônia ocidental ano passado foi vencedora regional (América do Sul) da categoria foto única.

O World Press Photo também reconheceu o trabalho da fotojornalista da Folha Gabriela Biló, que registrou desde a derrota de Jair Bolsonaro em outubro de 2022 até os atos golpistas em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. Com as imagens da desolação dos apoiadores do ex-presidente após o anúncio da apuração e cenas dos ataques à praça dos Três Poderes, ela recebeu menção honrosa.

As imagens premiadas em 2024 foram selecionadas entre 61.062 documentos enviados por 3.851 fotógrafos de 130 países.

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