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Horsegiirl: a DJ que diz ser 'metade cavalo e metade humana' fez sucesso no Lollapalooza

Estadão Conteúdo 23/03/2026 14:21
Horsegiirl: a DJ que diz ser 'metade cavalo e metade humana' fez sucesso no Lollapalooza
Divulgação

A DJ alemã Horsegiirl foi um dos nomes mais comentados do primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026. No Palco Perry's, em São Paulo, a artista chamou atenção não só pelo set de música eletrônica, mas principalmente pela estética inusitada: máscara de cavalo, orelhas pontudas e uma marca em formato de coração na testa.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Sempre mantendo o personagem, ela se apresenta como 'metade cavalo, metade humana', uma construção que mistura humor, estranhamento e identidade artística e que rapidamente viralizou entre o público e nas redes sociais.

Personagem é peça central da carreira

Por trás da figura equina está Stella Stallion, nome que a artista utiliza ao se referir à sua identidade. Reservada, ela evita aparições sem máscara e raramente concede entrevistas fora do personagem, reforçando o mistério em torno de sua vida pessoal.

A estética não é apenas visual, faz parte de um conceito artístico que se estende à música, às redes sociais e à forma como se comunica com os fãs chamados por ela de "farmies".

Do underground ao sucesso viral

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A carreira de Horsegiirl ganhou força com lançamentos como Harvest Heartbreak e o EP Farm Fantasies (2022), mas foi em 2023 que ela alcançou projeção internacional.

O single My Barn My Rules viralizou no TikTok e entrou em listas de destaque da crítica especializada, além de gerar polêmica após comentários negativos ao vivo na BBC Radio 1. A repercussão acabou ampliando ainda mais a visibilidade da artista.

Desde então, ela vem expandindo seu repertório com faixas como F0rbiidden L0ve$tory, Wish e Obsessed, explorando uma sonoridade que mistura eurotrance, pop eletrônico e influências de nomes como Lady Gaga e Dolly Parton.

A artista 'therian'

A performance da DJ também reacendeu discussões sobre o conceito de "therian". O termo vem de "therianthrope", de origem grega, e é usado para descrever pessoas que se identificam, em algum nível, como animais reais, não apenas de forma estética, mas também psicológica ou espiritual.

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Essa identificação, segundo integrantes da comunidade, vai além de fantasia e envolve percepção de mundo, comportamento e senso de pertencimento.

Com o crescimento das redes sociais, o tema ganhou visibilidade, acumulando milhões de visualizações em plataformas de vídeos curtos.

Performance ou identidade real?

A artista constrói uma persona que mistura humor, estranhamento e conceito, algo bastante presente na música eletrônica, onde o anonimato e o uso de máscaras já se tornaram parte da linguagem como mostram nomes como Daft Punk e Marshmello.

A diferença é que, no caso dela, o discurso vai além da estética. Ao se apresentar como um híbrido entre humano e cavalo, a DJ adiciona uma camada que tensiona os limites entre performance artística e possível identificação pessoal, sem nunca esclarecer completamente onde termina uma e começa a outra.

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Além do debate dos "therian's", a artista também reacendeu outro termo, os chamados "furries". Eles fazem parte de uma subcultura ligada a personagens animais antropomórficos com traços humanos, geralmente fictícios, envolvendo arte, fantasias completas (os chamados fursuits) e eventos de caráter lúdico. A diferença entre os dois está justamente na forma como essa relação é construída, enquanto um se apoia na expressão criativa e no universo simbólico, o outro parte de uma percepção íntima de identidade.

Se identificando como uma artista therian, Horsegiirl mantém o mistério como parte de sua própria narrativa. E é justamente essa ambiguidade que potencializa seu impacto, ao transformar a própria imagem em linguagem artística, ela ocupa o mainstream sem abrir mão do estranho e faz da dúvida um dos elementos mais poderosos de sua obra.

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