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Hamas adia libertação de reféns; Israel põe Exército em alerta

FolhaPress 10/02/2025 14:39

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O frágil cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas enfrenta nesta segunda (10) uma nova crise, com acusações mútuas de violação dos termos da trégua em vigor desde o dia 19 de janeiro.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No fim da tarde (começo da tarde no Brasil), o Hamas anunciou que não irá soltar a próxima leva de reféns, conforme estava previsto para o sábado (15), até que Israel "cumpra o que foi acordado" no cessar-fogo.

"A ocupação [Israel] atrasa o regresso dos deslocados ao norte de Gaza e os ataca com tiros e bombardeios. Há falha no fluxo de suprimentos de socorro em todo o território", afirmou a ala militar do Hamas, em nota no Telegram.

O ministro Israel Katz (Defesa) reagiu, dizendo que não soltar reféns implica violação grave dos termos da trégua. Ato contínuo, determinou "alto nível de alerta do Exército de Israel" em Gaza e para "proteger nossas comunidades".

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Este é o pior nível de tensão entre os rivais desde que a guerra iniciada com o ataque palestino de 7 de outubro de 2023 ganhou sua segunda e até aqui mais duradoura pausa, no fim de janeiro. Nessas últimas três semanas, houve acusações de lado a lado, mas não nesse nível de agressividade retórica.

O Hamas não citou diretamente outro fator de acirramento dos ânimos, o plano apresentado por Donald Trump no qual o presidente americano diz que será "dono" de uma Faixa de Gaza entregue por Israel aos Estados Unidos para ser reconstruída.

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No processo, disse o americano em tom cada vez mais incisivo, os palestinos terão de deixar suas casas e nunca mais voltar, sendo assentados preferencialmente em países árabes vizinhos, como Egito e Jordânia, que refutam a ideia como uma limpeza étnica.

O governo de Binyamin Netanyahu, por sua vez, aplaudiu a ideia que é apoiada pela ultradireita que o sustenta no Parlamento. O ministro Katz até pediu ao Exército que preparasse um plano para a retirada, dizendo ele ser voluntária, de palestinos de Gaza.

O Hamas e a liderança nominal palestina na Cisjordânia rejeitaram o plano, e famílias dos 76 reféns israelenses tomados no 7 de Outubro ainda em poder do grupo terrorista expressaram sua preocupação no impacto do complicado processo de libertação deles.

Até aqui, foram devolvidos a Israel 16 dos 33 reféns que foram incluídos nas negociações da primeira fase da trégua, em troca da soltura de centenas de prisioneiros palestinos.

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Diálogos em Doha ocorreram neste fim de semana sob tensão devido às falas de Trump e às condições humilhantes da libertação dos israelenses, exibidos como troféus em palanques.

Essa fase do cessar-fogo deverá durar ao todo seis semanas, e depois o número incerto de talvez mais 30 reféns vivos será negociado. Só daí o futuro de Gaza seria colocado na mesa, mas a essa altura ninguém sabe como se dará tal processo. Com a nova tensão, tudo isso pode ficar em suspenso.

Ao todo, o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou outras 251 no 7 de Outubro. Ao todo, 179 reféns foram soltos, numa primeira trégua em novembro de 2023, em ações militares e agora. Dos 76 ainda em Gaza, estima-se que 35 estejam mortos.

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