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Guerra no Líbano vira pesadelo para brasileiros no país

Conflito entre Israel e Hezbollah expulsa milhões, destrói cidades e afeta brasileiros que vivem na região

Vitória News 21/03/2026 11:27
Guerra no Líbano vira pesadelo para brasileiros no país
Foto: Hussein Melhem/Arquivo Pessoal

Milhares de pessoas enfrentando chuva, frio e deslocamento forçado nas ruas e estradas marcam o cenário atual da guerra entre Israel e o grupo Hezbollah no Líbano. Em menos de três semanas, o conflito esvaziou o sul do país, deslocou mais de 1 milhão de pessoas, deixou cerca de mil mortos e 2,5 mil feridos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Entre os afetados estão brasileiros e descendentes que vivem na região. O libanês naturalizado brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, morador da cidade de Tiro, no litoral sul, relata o momento em que precisou abandonar a própria casa após um ataque.

“Estava dormindo e a minha esposa me acordou assustada. Parece um terremoto os mísseis passando por cima do prédio direto para Israel. Aí saímos de casa imediatamente apenas com um pouco de roupa”.

Ele descreve o impacto direto do conflito na rotina da família e na renda. “Estamos gastando tudo que a gente tem. Não posso voltar para trabalhar. Não consigo dormir direito por causa da preocupação. O pessoal está muito bravo com tudo isso. Estão cobrando US$ 2 mil dólares por um aluguel. Minha casa própria foi bombardeada”.

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Dono de uma padaria, Hussein afirma que não há condições de retornar ao trabalho. “No Sul, você não vê quase nenhum carro na rua. É muita destruição. Ontem bombardearam 12 pontes que acabaram com o movimento para o sul do Líbano. Tem uma ponte só”.

Ele também relata o cenário humanitário nas ruas. “As ruas, nem te falo, é muita tristeza. Você chora vendo as barracas, as pessoas embaixo da chuva, no frio”.

Atualmente, a família está abrigada em uma casa emprestada, mas enfrenta incerteza sobre os próximos dias. “Não sei o que eu vou fazer depois, estou perdido”.

Outro brasileiro, Aly Bawab, de 58 anos, que mora em Manaus, estava no Líbano visitando familiares quando os ataques começaram. Ele chegou ao país no primeiro dia das ofensivas e decidiu deixar o sul após presenciar a destruição de um edifício.

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Hoje em Beirute, ele relata a continuidade dos bombardeios. “É dia e noite, não tem horário. Hoje tivemos alguns momentos de paz durante o dia, apesar dos aviões militares do inimigo ficarem ultrapassando a velocidade do som para fazer um tipo de explosão no ar e assustar as pessoas”.

Aly tenta manter a calma diante da situação. “Medo com certeza, mas você tem que manter a calma. Mas as crianças em volta sentem. No último bombardeio, que atingiu dois apartamentos em um prédio alto aqui próximo, o corpo sentiu a vibração da explosão. O corpo treme sem você ter controle”.

Ele também relata perdas próximas. “É bastante traumatizante, você vê essa situação em que você se encontra, em que as pessoas não sabem o que fazer ou quanto tempo vai durar essa guerra”.

Especialistas avaliam que o conflito tem se intensificado e ampliado os impactos sobre a população civil. A historiadora Beatriz Bissio aponta semelhanças com outras ofensivas recentes na região.

“É mais ou menos uma versão libanesa do genocídio em Gaza. O que Israel está propondo é repetir o genocídio, particularmente no sul do Líbano, uma vez que frustrou-se a expectativa da liderança israelense de ter aniquilado o Hezbollah”.

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Segundo ela, o sul do país já apresenta sinais de devastação generalizada. “É indescritível o sofrimento da população, mas também é indescritível, no sentido inverso: a resiliência e a decisão de não abandonar essa terra. Isso porque essas populações estão lá desde tempos imemoriais, já no Império Romano eles estavam lá”.

Os ataques se intensificaram após o dia 2 de março, quando o Hezbollah voltou a lançar ofensivas contra Israel, ampliando a escalada do conflito no Oriente Médio.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel, cerca de 2 mil alvos foram atingidos no Líbano desde então. O grupo Hezbollah, por sua vez, afirma realizar ataques diários contra posições israelenses.

O conflito entre Israel e Hezbollah tem origem na década de 1980 e volta a ganhar intensidade em meio ao cenário mais amplo de tensões no Oriente Médio, especialmente após os desdobramentos recentes na Faixa de Gaza.

Fonte: ABr

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