Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h05m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Guerra da Ucrânia piora após volta de Trump à Casa Branca

FolhaPress 12/07/2025 09:49

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A intensidade da Guerra da Ucrânia piorou após a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, apesar da promessa farsesca do americano de que acabaria com o conflito em 24 horas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Análise da principal base de dados de conflitos do mundo, organizada pela ONG americana Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos) a partir de informações públicas, mostra que a aceleração é puxada principalmente pelos ataques aéreos com drones e mísseis.

Se na primeira semana da invasão russa, a partir de 24 de fevereiro de 2022, houve 62 ataques, o número saltou 15 vezes no começo do mês passado. Foram 920 incidentes contados pelo Acled, 595 deles na Ucrânia, e o restante, contra território russo.

A chegada de Trump, que assumiu em 20 de janeiro, foi decisiva. Nas 151 semanas da guerra até a posse, o Acled só contou mais de 1.500 episódios violentos, que incluem também explosões improvisadas e outras ocorrências, em cinco delas.

Nas 22 semanas a partir da volta do republicano, apenas uma ficou abaixo dessa marca. Na primeira semana de junho, foi registrado o recorde de 1.900 incidentes, mas a base só vai até a semana do dia 20 daquele mês.

O aumento da atividade é dos dois lados, com um incremento nos ataques aéreos das forças de Volodimir Zelenski com drones e artilharia. Além disso, os ucranianos passaram oito meses ocupando um pedaço de Kursk, no sul russo, até serem expulsos em abril.

SESC PICASSO

Tudo decorre do posicionamento de Trump de, ironicamente, tentar resolver o conflito. Tanto Moscou quanto Kiev buscam melhorar sua posição militar em caso de alguma acomodação.

Ele havia dito pela primeira vez que encerraria a guerra em um dia em 4 de março de 2023, num evento de conservadores americanos. Repetiu a bravata durante toda a campanha em que derrotou Kamala Harris, a vice de Joe Biden, que desistiu de tentar a reeleição. Só admitiu "ter sido um pouco sarcástico" na fala em março deste ano.

Logo depois de assumir, deu uma guinada radical na posição do antecessor, retirando o apoio incondicional a Kiev e ligando para Vladimir Putin no dia 12 de fevereiro para abrir negociações diretas. Uma semana depois, os chefes da diplomacia de Washington e Moscou davam as mãos na Arábia Saudita.

Só que Putin, desconfiado das intenções de Trump, não cedeu e aproveitou o tempo ganho para ampliar sua ofensiva na Ucrânia, tomando de vez a região de Lugansk e avançando em locais que nem fazem parte de seu cardápio oficial de demandas, como Sumi (norte) e Dnipropetrovsk (centro-sul).

CONTADOR - BONUS

Enquanto isso, Trump se estranhou publicamente com o presidente Volodimir Zelenski, no famoso bate-boca no Salão Oval, e protagonizou um vaivém na relação com o ucraniano. Ao mesmo tempo, alternou ligações com Putin a críticas ao chefe do Kremlin, que abriu recalcitrantes conversas diretas com os ucranianos.

No mais recente capítulo, após suspender o envio de armas de defesa aérea a Kiev e ver Putin fazer os maiores ataques do conflito, o americano se disse decepcionado com o russo e promete uma "declaração importante" que Moscou antevê como ultimato na próxima segunda-feira (14).

Isso veio após Putin ordenar a maior ação com drones e mísseis, com 740 deles lançados principalmente contra Kiev na última quarta-feira (9). Na madrugada deste sábado foi realizado o segundo maior ataque, com 623 armamentos lançados, 26 deles mísseis. Duas pessoas morreram, segundo autoridades ucranianas.

As ações cristalizam a mudança de caráter do conflito, que era dominado por batalhas e bombardeios com artilharia nos seus dois primeiros anos. Até maio de 2024, sempre havia mais esse tipo de ação do que ataques aéreos, mas a contabilidade foi alterada. Na primeira semana de junho, enquanto os 920 drones e mísseis atingiam alvos, houve 590 embates armados e 384 bombardeios com artilharia.

Anuncio - Raimundo - Bonus

É importante destacar a metodologia do Acled, que conta ações na Ucrânia também ataques ocorridos nos 20% do país que estão ocupados por Putin. Assim, mísseis e drones ucranianos contra posições nessas regiões também entram na listagem.

Com efeito, a linha de frente em Donetsk (leste), que está cerca de 60% tomada pelos russos, é o ponto focal da violência da guerra, concentrando até o fim de junho quase 70 mil incidentes —o triplo da vizinha Kharkiv, segunda colocada.

Já as ações na Rússia são de autoria ucraniana, como ataques com drones e a invasão de Kursk, com a exceção de incidentes listados como batalhas, como o motim dos mercenários do Grupo Wagner em 2023 ou eventuais ataques a postos de recrutamento militar.

O recorte arbitrário feito aqui exclui estimativas de mortos porque o Acled usa os dados da ONU, que os próprios organizadores consideram subestimados, de vítimas civis —pouco mais de 13 mil, oficialmente, e Moscou conta 6.800 mortos em Kursk..

As mortes militares, que caracterizam a guerra como a pior em solo europeu desde 1945, são um segredo em ambos os lados. Estimativas variadas colocam as perdas da Ucrânia em mais de 100 mil soldados e a dos russos, em 250 mil.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas