Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h12m
Vitória News — Um jornal de verdade
Exterior

Grupo faz controle de fronteira por conta própria na Holanda

FolhaPress 09/06/2025 15:39

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Policiais de Holanda e Alemanha foram mobilizados no último fim de semana depois que grupos de pessoas começaram a controlar a passagem de carros pela fronteira dos dois países à procura de solicitantes de asilo. Com lanternas e colete refletivos, direcionavam veículos para o acostamento, indagando os ocupantes sobre sua origem e documentos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Composto por holandeses, o grupo acabou dispersado pela polícia. A prefeitura da fronteiriça Ter Apel, cidade em que se localiza um abrigo permanente de refugiados, classificou a iniciativa como extremamente perigosa e ilegal. David van Weel, ministro provisório de Justiça e Segurança da Holanda, declarou entender "a frustração dos cidadãos", mas pediu para que a iniciativa seja evitada.

Querelas em torno da imigração derrubaram o governo do país na semana passada. Na última terça-feira (3), o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof, anunciou sua renúncia horas após o líder da ultradireita, Geert Wilders, retirar seu partido, o Partido pela Liberdade (PVV), da coalizão de governo.

Wilders, apesar da legenda ter sido a mais votada no último pleito, não conseguiu se viabilizar como premiê, pelas posições radicais, sobretudo anti-islâmicas, aderindo a uma coalizão conservadora. Usou como argumento para a defecção o fato de o governo ter procrastinado uma nova política de asilo, bem mais restritiva, proposta pelo PVV.

SESC PICASSO

O movimento foi visto como oportunista. A então ministra de Asilo e Migração, Marjolein Faber, era integrante do partido de Wilders, que parece ter apostado em um recrudescimento do sentimento anti-imigratório para buscar mais apoio parlamentar. Schoof, o atual premiê, classificou a manobra como "irresponsável e desnecessária".

Os vigilantes de Ter Apel, menos de 20 pessoas, foram celebrados por Wilders nas redes sociais. O político, conhecido com a versão holandesa de Donald Trump, declarou que a iniciativa era fantástica, "deveria ser implementada em toda a fronteira", inclusive com a participação do Exército, emulando a convocação da Guarda Nacional por Trump para lidar com protestos em Los Angeles no mesmo fim de semana.

CONTADOR - BONUS

As eleições holandesas, que regularmente ocorreriam em 2028, foram antecipadas para 29 de outubro deste ano, mas não parecem ser o único fator a alimentar a ofensiva de Wilders. Desde o ano passado, a Alemanha controla a passagem em suas fronteiras, em afronta ao Tratado Schengen, que prevê o livre trânsito entre os países da União Europeia. O documento, que virou parte da legislação do bloco, completou 30 anos em março último.

A medida foi tomada no ano passado, depois que um refugiado sírio, ligado ao Estado Islâmico, matou três pessoas e feriu outras dez durante um festival na cidade de Solingen. Pressionado, o então governo de Olaf Scholz aprovou às pressas um endurecimento na legislação e a previsão de controle policial reforçado nas entradas viárias do país.

A política foi reforçada pelo atual governo, de Friedrich Merz, que encampou o discurso anti-imigratório em tons que fizeram a AfD, o partido de extrema direita do país, acusar os conservadores de estarem se apropriando da pauta.

Merz manteve a promessa de campanha, e a coalizão de governo agora trabalha na revisão da política de asilo, que inviabilizaria, entre outros pontos, a reunificação familiar para quem tem a chamada proteção subsidiária (que protege quem não é elegível para refúgio, mas corre grave perigo em seu país de origem).

Anuncio - Raimundo - Bonus

A primeira leitura do projeto foi feita no Parlamento, na semana passada, com fortes críticas da oposição e de setores do SPD, legenda social-democrata que compõe a coalizão de governo. As Igrejas Católica e Evangélica também se disseram contra a proposta.

Também na semana passada uma corte de Berlim decidiu em favor de três somalis, que haviam sido mandados de volta à Polônia. Segundo a decisão, emitida em regime de urgência, as leis europeias obrigam o país que recebe o pedido de asilo a processá-lo, e o requerente não pode ser expulso enquanto esse processo não terminar.

No mesmo dia, o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, disse que a decisão mostrava "como o sistema de asilo [na União Europeia] não funciona", e que não suspenderia a prática. Merz declarou algo parecido, dizendo que a decisão judicial só valia para o caso específico.

O controle de fronteiras alemão incomoda vizinhos, que não querem receber de volta o fluxo de imigrantes, como a Polônia, ou simplesmente prezam o livre trânsito, como a Suíça. Pela primeira vez, no entanto, ensejou uma iniciativa popular com tração em redes sociais. "Nada está acontecendo. Então, vamos fazer isso nós mesmos", declarou um dos vigilantes à imprensa holandesa.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas