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Governo da França suspende reforma da aposentadoria até eleições de 2027, diz premiê

FolhaPress 14/10/2025 11:05

PARIS, FOLHA (FOLHAPRESS) - Reconduzido na semana passada ao cargo de primeiro-ministro da França, depois de ter renunciado com apenas um mês no cargo, Sébastien Lecornu propôs nesta terça (14) uma suspensão da reforma das aposentadorias até a próxima eleição presidencial, prevista para 2027, em seu primeiro discurso diante da Assembleia Nacional. O anúncio é uma forma de garantir que seu governo não será vítima de uma moção de censura da oposição.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Eis incontestavelmente uma ruptura", discursou aos deputados.

Para demonstrar sua disposição ao diálogo com os deputados, o premiê prometeu não recorrer a um controverso dispositivo que lhe permitiria aprovar o orçamento de 2026 sem votação parlamentar, o artigo 49, alínea 3 da Constituição.

Ele também se comprometeu a propor a criação de uma "contribuição excepcional" sobre grandes fortunas —outra forma de contentar a oposição de esquerda.

Lecornu se recusa, porém, a adotar a "taxa Zucman", um imposto de 2% sobre os patrimônios acima de € 100 milhões (cerca de R$ 640 milhões). O economista que propôs a taxa, Gabriel Zucman, acusou o premiê de poupar os bilionários em seu plano.

Lecornu é o quarto primeiro-ministro em um ano, sintoma da instabilidade da política francesa desde as eleições legislativas de 2024, que não produziram uma maioria clara.

A questão central para a sobrevivência do segundo gabinete montado por Lecornu é o número de votos necessário para derrubá-lo. Para aprovar uma moção de censura, são necessários 288 dos 575 deputados com mandato em vigor.

SESC PICASSO

Já anunciaram que vão votar contra Lecornu a ala mais à esquerda do parlamento ("insubmissos", comunistas, ecologistas) e a ala mais à direita (a Reunião Nacional de Marine Le Pen). Isso representa cerca de 210 deputados.

O fiel da balança, portanto, são a esquerda moderada (o Partido Socialista) e o que resta da direita gaullista tradicional (Republicanos), cada vez mais próxima da ultradireita.

O gabinete tem seis ministros dos Republicanos. Por isso, o partido ainda hesita em censurar Lecornu. Os socialistas, por sua vez, mesmo sem participação no governo, afirmam aguardar o anúncio das primeiras medidas antes de tomar uma decisão. Reivindicam, sobretudo, a suspensão da reforma das aposentadorias promulgada em 2023.

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Essa reforma prevê o aumento progressivo da idade mínima para se aposentar, de 62 para 64 anos. Parte da oposição de esquerda, e até economistas como Philippe Aghion, agraciado na segunda-feira com o Prêmio Nobel, propunham que a reforma seja "congelada" no patamar atual —62 anos e 9 meses —até a eleição presidencial de abril de 2027.

Esse debate evidencia o que realmente está por trás do cálculo de todos os políticos —a corrida para suceder Emmanuel Macron. O atual presidente não pode concorrer, por já estar no segundo quinquênio.

A impopularidade de Macron —uma pesquisa recente lhe atribuiu apenas 19% de opiniões favoráveis— faz dele um péssimo cabo eleitoral, o que o fez ser abandonado até por antigos aliados fiéis, como o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe.

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