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Com 100 milhões de mortos em 1918 a gripe espanhola teve muitas semelhanças ao novo coronavírus
Publicado por Redação VitóriaNews
Reprodução

Por Walter Conde

Há 102 anos, o mundo passou por uma pandemia semelhante ao novo coronavírus (Covid 19). Foi a gripe espanhola, que matou muito mais gente do que a Primeira Guerra Mundial (8,5 milhões de mortos entre 1914 e 1918) e até mesmo a  - então futura - Segunda Guerra (60 milhões de pessoas em seis anos de batalhas). A gripe espanhola, segundo estimativa da época, vitimou fatalmente 50 milhões somente em 1918 e chegou a quase 100 milhões de pessoas ao redor do planeta no ano seguinte. No Brasil, as estatísticas são falhas e citam milhares de mortos.

A gripe espanhola, conhecida por esse nome devido ao grande número de mortos na Espanha – apareceu em duas ondas diferentes durante 1918. Na primeira, em fevereiro daquele ano, embora bastante contagiosa, era uma doença branda, não causando mais que três dias de febre e mal-estar. Já na segunda, em agosto, tornou-se mortal.

A primeira onda de gripe atingiu especialmente os Estados Unidos e a Europa, a segunda devastou o mundo inteiro: também caíram doentes as populações da Índia, Sudeste Asiático, Japão, China e Américas Central e do Sul. A gripe Espanhola foi causada por uma mutação aleatória do vírus da gripe, o H1N1, facilmente transmitido de pessoa para pessoa por meio do contato, tosse e ar. Após algumas horas de surgimento dos sintomas, os pacientes com gripe Espanhola podiam apresentar manchas marrons no rosto, pele azulada, tosse com sangue e sangramentos pelo nariz e orelhas.

NO BRASIL - Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a epidemia chegou ao Brasil em setembro de 1918. Foi quando o navio transatlântico Demerara saiu de Liverpool, na Inglaterra, passando por Lisboa, em Portugal, com objetivo de trazer imigrantes e residentes de volta ao país. A primeira parada foi em Recife, a segunda em Salvador, e a terceira no Rio de Janeiro, na época, capital do país. Já o coronavírus entrou no Brasil através dos aeroportos, com viajantes procedentes de países infectados.

O problema é que, junto com diversos imigrantes, uma mutação da gripe espanhola desembarcou junto com os viajantes. No mesmo mês, marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, na costa atlântica da África, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram casos de gripe em outras cidades do Nordeste e em São Paulo.

SEMELHANÇAS – As medidas adotadas na época foram semelhantes às que vêm sendo determinadas pelos Governos estaduais e municipais em 2020, diante da pandemia do coronavírus. Ficar em casa, evitar aglomerações, não fazer visitas, tomar cuidados higiênicos, evitar fadiga e pânico; as preocupações com os idosos foram a mesmas. E, curiosamente, há 102 anos, o Governo recomendava tomar quinino em doses de “centígramos” por dia e preferencialmente às refeições, informava o folheto da “Inspectoria de Hygiene”, que ilustra este texto, distribuído à população naquela ocasião com várias recomendações.

O vírus da gripe espanhola tinha a capacidade de afetar vários sistemas do organismo, ou seja, podia causar sintomas ao atingir os sistemas respiratório, nervoso, digestivo, renal ou circulatório. Assim, os principais sintomas da gripe espanhola incluíam: dores musculares e nas articulações; intensa dor de cabeça; insônia; febre acima de 38º; cansaço excessivo; dificuldade para respirar; sensação de falta de ar; Inflamação da laringe, faringe, traqueia e brônquios; pneumonia; dor abdominal; aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos; proteinúria, que é o aumento da concentração de proteína na urina; nefrite.

Outra semelhança entre coronavírus e a gripe espanhola foi o fechamento dos estabelecimentos comerciais, a fim de evitar aglomeração de pessoas nas ruas. Naquela época, o então deputado Celso Bayma (SC) redigiu um projeto de lei ampliando em 15 dias o prazo para o pagamento das dívidas que tivessem vencimento durante a epidemia. A moratória foi necessária porque muitos comerciantes fecharam as portas, deixando de faturar e, diante disso, sem possibilidade de honrar compromissos com bancos e outros credores.

Outra semelhança é que 1918 também foi um ano eleitoral. Enquanto em 2020 está programada uma eleição municipal, em novembro de 1918 ocorreu eleição para o Senado na cidade do Rio de Janeiro. A então capital brasileira tinha 36 mil eleitores registrados, mas apenas cinco mil foram às urnas. Na eleição presidencial de oito meses antes, como comparação, 22 mil cariocas votaram. O presidente reeleito, Rodrigues Alves, adoeceu da gripe e veio a falecer em 1919.

Mais uma semelhança entre 1918 e 2020 é que no auge da crise da gripe espanhola, os prefeitos e os governadores se movimentaram e distribuíram remédios e alimentos, improvisaram enfermarias em escolas, clubes e igrejas e convocaram médicos particulares e estudantes de medicina. Uma das poucas diferenças é que em 1918 não existia internet e com isso os colégios, que cancelaram as aulas naquele ano, não tinham a opção de oferecer aulas à distância. O Governo determinou que todos os alunos fossem aprovados sem exames.

A Fundação Fiocruz destaca em seu histórico sobre a gripe espanhola uma outra semelhança entre as autoridades do Governo Federal da época e o modo de atuação do atual Governo Federal diante do coronavírus. “As autoridades brasileiras ouviram com descaso as notícias vindas de Portugal sobre os sofrimentos provocados pela pandemia de gripe na Europa. Acreditava-se que o oceano impediria a chegada do mal ao país. Mas, essa aposta se revelou rapidamente um engano”, relata o documento histórico da Fiocruz.

A teimosia de governantes em ignorar alertas sanitários, tanto em 1918 quanto em 2020 é outra coincidência. Na cidade americana de Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, as autoridades decidiram ignorar apelo para cancelar evento público, que reuniu 200 mil pessoas, parecido com a recente manifestação de apoio ao Governo brasileiro e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Em 1918, a decisão errada dos governantes teve efeitos devastadores e fez com que a Filadélfia se tornasse um dos locais mais gravemente afetados pela gripe espanhola.

 

 



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