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Tombamento do sítio histórico e arquitetônico de Santa Teresa vai preservar o legado dos imigrantes
Publicado por Redação VitóriaNews
Foto: Antônio Cosme/VN

O processo de tombamento definitivo do Sítio Histórico e Arquitetônico de Santa Teresa (78km de Vitória pela BR 101 Norte), primeira cidade a receber imigração italiana no Brasil, além da preservação do legado trazido pelos imigrantes ainda proporcionará incremento no turismo com ampliação da renda e geração de emprego.

O tombamento definitivo se encontra na fase de aprimoramento na Secretaria de Estado da Cultura (Secult), enquanto ocorre na cidade um debate intenso entre moradores a favor e um grupo contrário.

O Sítio histórico deverá compreender dezenas de imóveis com valor histórico; iniciando na Casa Lambert, já tombada, no Bairro São Lourenço; descendo em direção ao Centro, entre a Rua Coronel Bonfim Junior (Rua do Lazer), Avenida Getúlio Vargas e a Praça Augusto Ruschi, envolvendo ainda o Museu Mello Leitão (Instituto Nacional da Mata Atlântica). 

A casa onde nasceu e morou o naturalista Augusto Ruschi também já está oficialmente tombada e sua preservação, garantida. Um bom exemplo do que é um imóvel, tombado, ele foi adaptado para receber um comércio, com reformas e modificações internas, tanto no térreo como no andar superior, mas a sua fachada centenária, foi preservada. Também não houve intervenção no título de propriedade, dentre várias afirmações que os especuladores imobiliários comentam na cidade, apavorando os proprietários dos imóveis. 

No último dia 20 de março aconteceu reunião na cidade para que os moradores tomassem conhecimento do processo. Na mesma ocasião, o Conselho Estadual de Cultura (CEC) aprovou o tombamento provisório. Foi dado conhecimento aos moradores de que a partir dessa data, as casas antigas, além dos prédios e lojas na área do Sítio Histórico não poderão mais receber mudanças na estrutura física sem aval do Estado, uma vez que o Sítio foi aprovado preliminarmente pelo CEC.

A designer gráfica e professora Andrea Gasparini Maciel é favorável ao tombamento. “Meu primeiro motivo é afetivo porque somos a quinta geração que habita esta casa, desde que meu tataravô Andrea Gasparini veio com cinco filhos”, iniciou a professora. Ela disse que há toda uma história e memória muito vivas e que devem ser preservadas. 

“O tombamento é o único meio de conseguir preservar efetivamente, porque evita a demolição, a descaracterização dos imóveis e conserva todo o sítio histórico”, complementou.

Andrea Gasparini afirmou que as pessoas contrárias ao tombamento, além de não terem laços com o passado da cidade, têm por trás interesses financeiros e acham que tem mais valor um prédio histórico no chão, para substituí-lo por uma edificação de sete andares. O tombamento será um forte atrativo para que as pessoas venham visitar e com isso contribuir na geração de emprego e renda, como ocorre em todo o mundo, explicou. 

A construção indiscriminada de prédios acima do gabarito de três andares, como é previsto pelo plano diretor da cidade, enfeiam a cidade, reclamou a professora. “São as pessoas com poder econômico na cidade que vão para as reuniões exigirem a elevação do gabarito para sete andares”, conclui.

Sonia de Carvalho Viegas, outra moradora do centro histórico, também defende a preservação do sítio para as gerações futuras através do tombamento. Ela cita as cidades europeias onde os turistas vão em busca da visitação dos locais preservados e lá gastam recursos com deslocamento, hotéis, restaurantes e compras, contribuindo para a dinamização da economia da região visitada.

BENEFÍCIOS - O vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amaset), José Carlos Zamprogno, defende o tombamento definitivo como forma de garantir às gerações futuras o legado dos colonizadores italianos. Para os proprietários dos imóveis tombados, existem diversas vantagens, como a concessão de benefícios fiscais e financeiros, no âmbito municipal, estadual e federal. Inclusive    a participação a cada cinco anos de um sorteio do Instituto do Patrimônio e Histórico Nacional (Iphan), que disponibiliza recursos para projetos de reforma, pintura e de manutenção, explicou Zamprogno.

“A propriedade vai continuar a mesma. Vai poder alugar, explorar comercialmente ou, vender, ainda há a possibilidade de solicitar recursos junto à Secretaria de Estado da Cultura (Secult) para obras da manutenção. Em caso emergencial poderá fazer as obras e pleitear o reembolso”, concluiu.

Se você é proprietário ou justo possuidor de imóvel localizado em uma área tombada ou em seu entorno, e quer reformá-lo ou adequá-lo, certamente   poderá conseguir um financiamento pelo IPHAN, que está se empenhando cada vez mais na valorização das cidades históricas para a implementação do turismo Brasileiro.  Recursos existem, e o que garante a vinda desses recursos são bons projetos, finaliza José Carlos Zamprogno. 

Segundo Marcos Leão, a cidade mineira de Ouro Preto é tombada nos níveis municipal, estadual e federal, além de ser considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco e vive do turismo nacional e internacional. “O que se tem em Santa Teresa é um sítio histórico importante para a própria história do Espírito Santo, ao mostrar a importância da imigração italiana”, garantiu Leão.

Para o professor Marcos Leão, a posição dos contrários se assemelha a um discurso anarquista, ao negar o gerenciamento do Estado na preservação da memória.

Entre os que são contrários ao tombamento definitivo está a comerciante Iria Croce, que possui três imóveis antigos na área histórica. Na frente de um desses sobrados antigos ela afixou duas faixas. Em uma está escrito “Preservação sim”, e na outra, “Fora Secult”. Croce diz que apóia a preservação como iniciativa individual do atual dono do imóvel em promover a reforma ou a pintura necessária, sempre que desejar e sem a necessidade de pedir autorização. A comerciante acredita no teor da campanha opositora ao tombamento, que destaca o impedimento de o proprietário realizar intervenções no imóvel.

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