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Sérgio Moro: "A corrupção não se restringe somente ao poder público"
Publicado por Redação VitóriaNews
Para Moro, foro privilegiado era sinônimo de impunidade, e hoje não é mais. Foto: Fredy Uehara/Uehara Fotografia

Considerado um dos maiores especialistas em crimes financeiros, o juiz federal Sergio Moro falou a uma plateia de 586 empresários, autoridades e líderes participantes do Almoço-Debate promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais. O evento aconteceu nesta quinta-feira, dia 24 de setembro, no Hotel Grand Hyatt, na capital paulista.

“A corrupção é um problema muito sério e não se restringe somente ao Poder Público (...). Nesse caso que estou atuando há diversos indícios de que a corrupção chegou a um nível sistêmico”, afirmou Moro. O juiz citou algumas ações julgadas de pagamentos de propina a agentes públicos. Uma das explicações recorrentes dos julgados era que “essas eram as regras do jogo”. “Nesses casos, não houve extorsão, e sim prática natural de pagamento de propina - o que é realmente assustador”, disse.

Responsável pela Operação Lava Jato, o magistrado é um estudioso da Operação Mãos Limpas, uma das maiores investigações ocorridas na Itália na década de 90. Moro salientou que, dos 4.520 investigados, foram feitas 800 prisões e cerca de 40% dos crimes da Operação Mãos Limpas acabaram sem julgamento – o que o juiz não espera com relação à Operação Lava Jato. “Vejo a Lava Jato não como uma mudança, mas como uma oportunidade. Não acredito que o País vá mudar se não houver mudanças no âmbito da iniciativa privada e dos setores públicos, inclusive no sistema criminal. A iniciativa privada deve dizer não à propina e denunciar”.

Segundo o juiz, diminuir a corrupção sistêmica já é um ganho enorme para a economia e para o brasileiro. “A sociedade deve estar vigilante sempre”, frisou. Para crimes complexos, comentou Moro, se recorre a métodos especiais de investigação. “A delação premiada é um desses métodos. No entanto, quando se faz um acordo com um criminoso, se cria polêmicas jurídica e ética. Normalmente, isso se resolve com argumentos e provas consistentes. Mas é melhor ter um processo contra um criminoso do que não ter nenhum”, afirmou.

Na quarta-feira (23), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu separar as investigações da Lava Jato, tirando das mãos do ministro Teori Zavascki e do juiz Sergio Moro, na primeira instância, a apuração de casos desvinculados da Petrobras. A decisão foi tomada na análise do suposto envolvimento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) em denúncias no Ministério do Planejamento. Com isso, partes dos autos poderão se espalhar pelo País. Os ministros alegam que as determinações de Moro até agora não serão anuladas. Sobre o tema, o magistrado disse que é um juiz que tem limitações do que pode falar, especialmente sobre decisões de outras instâncias. “Não me sinto confortável em falar sobre isso”, afirmou.

Questionado se defende o financiamento de campanhas eleitorais, Moro afirmou que a decisão foi tomada e que se doações privadas forem novamente permitidas, haveria a necessidade de ter regras muito claras. “Doações não oficiais, o caixa 2, é problema real. Há muitas dúvidas sobre esse assunto”, afirmou.

O juiz ressaltou que, há alguns anos, foro privilegiado era sinônimo de impunidade. “Hoje não é mais. Porém, gera uma série de problemas processuais e dificuldades. Às vezes se perde uma oportunidade de aprofundar as investigações. Esses privilégios legais não são muito consistentes e eu, particularmente, sou contra”, disse Moro.

Durante o debate, o juiz também afirmou que não desamina perante esses desafios. Comparado ao ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que teria antecipado a aposentadoria devido a pressões, Moro estaria preparado para suportar intimidações semelhantes. “A despeito de todas as pressões”, respondeu Moro, “sigo em frente”.

Cenário de 2015 é o pior em 13 anos de pesquisa

Ao final do evento foi apresentada a 108ª edição da Pesquisa Clima Empresarial LIDE-FGV, realizada com os empresários presentes ao ALMOÇO-DEBATE, que revelou pessimismo acentuado nos resultados, especialmente para 2015. “Os índices apontam as piores notas em 13 anos do levantamento”, avaliou Fernando Meirelles, responsável pela pesquisa e presidente do LIDE CONTEÚDO. O índice, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é uma nota de 0 a 10, resultante de três componentes com o mesmo peso: governo, negócios e empregos.

Segundo o levantamento, a eficiência gerencial e o desempenho dos governos obtiveram notas: 0,3 para a esfera federal; 5 para estadual; e 1,2 para a municipal. Para 60% dos empresários, a situação atual dos negócios piorou, apenas 10% vão empregar em 2015, 39% pretendem manter o quadro atual de empregos e 51% vão demitir.

Entre os fatores que impedem o crescimento das empresas, o cenário político atingiu 69%, seguido da carga tributária (21%). Questionados sobre qual a área que o Brasil mais precisa melhorar, a Política alcançou 56%, seguido de Educação (23%), Infraestrutura (13%), Segurança (5%) e Saúde (3%). Com relação aos temas mais sensíveis para 2015, os números apontam o Cenário Político, com 83%, seguido do Câmbio (13%) e Inflação (3%).

Os resultados do levantamento apontam preocupações também com a previsão da receita em 2015: 45% acreditam que o faturamento será pior este ano em comparação a 2014; 32% que será igual; e 23% que será melhor. Segundo a pesquisa, o clima empresarial caiu de 2,0% para 1,9%, percentual abaixo do registrado em 2014 (2,9%).


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