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Moda brasileira cobra do governo política setorial
Publicado por Estadão Conteúdo

A estilista alagoana Martha Medeiros adotou o Instagram como principal ferramenta de divulgação da sua marca. "Acabo de vender um vestido para a primeira dama de Angola. Sabe como ela me achou? Pelo meu perfil do Instagram", contou a estilista durante o 'Fórum Estadão Negócios da Moda', promovido pelo Grupo Estado.

O exemplo da marca Martha Medeiros, especializada em vestidos de festa confeccionados em renda renascença, mostra como a moda está inovando na comunicação para chegar ao consumidor, onde quer que ele esteja. "As redes são uma poderosa ferramenta para fortalecer as marcas nacionais e despertar o desejo do público", acrescenta a estilista, que tem mais de 260 mil seguidores no Instagram.

Empresários que participaram do evento destacaram a força e a criatividade das marcas brasileiras, mas apontaram entraves que precisam ser discutidos para fortalecer o setor, que emprega cerca de 8 milhões de trabalhadores de forma direta e indireta no País.

O debate, no teatro Raul Cortez, com apoio da Federação do Comércio, Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e Associação Brasileira de Estilistas (Abest), reuniu 550 participantes, entre empresários, estilistas, estudantes e profissionais da área.

O tom do debate foi de cobrança de uma política setorial por parte do governo para a indústria da moda, no momento em que a presidente reeleita Dilma Rousseff acena para o diálogo com o setor produtivo.

O empresário Paulo Borges, idealizador da São Paulo Fashion Week, semana de desfiles mais importante da América Latina, disse que o maior problema da moda nacional são os custos. "Temos uma produção limitada que eleva os preços das roupas", disse ele.

"O alto volume de impostos encarece os produtos e atrapalha tanto a competitividade no mercado interno quanto as exportações", afirmou. "Sem um preço adequado, você pode ter o produto mais incrível que não vai conseguir vender."

Custos

Paulo Delgado, do Conselho de Relações do Trabalho da Federação do Comércio de São Paulo, reclamou da política do governo de favorecimento setorial apenas para montadoras e fabricantes da chamada linha branca e defendeu a desoneração da cadeia têxtil.

A empresária e estilista Patrícia Bonaldi, disse que os altos custos de produção impedem a expansão da marca. Recentemente, Patrícia investiu na exportação e hoje suas criações são vendidas em lojas de luxo como a inglesa Harrods. "Com custos mais baixos, minha marca já teria dobrado de tamanho", afirmou.

"Estamos no olho do furacão e a competitividade é o nosso grande desafio para reinserir o Brasil no mercado internacional", afirmou Flávio Rocha, presidente da Riachuelo.

Para Roberto Davidowicz, presidente da Associação Brasileira de Estilistas (Acest), o Brasil tem grande potencial na área têxtil e de confecções, mas toda a cadeia de produção é travada pela burocracia tributária e trabalhista. "Precisamos melhorar o ambiente interno para que as empresas sejam mais competitivas."

O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, justificou o protesto do setor promovido na segunda-feira, 27, em São Paulo, contra produtos chineses. Com apoio da Abit, sindicalistas e empresários montaram um cemitério de empregos em frente a uma feira de artigos chineses no Expo Center Norte, para marcar posição contra 14 mil vagas formais fechadas no setor nos últimos 12 meses, segundo dados do Ministério do Trabalho.

"Fora da legalidade não há competitividade sustentável", afirmou Pimentel, referindo-se às importações da China. "Não concordamos com a ilegalidade, mas também não concordamos com a rotulação de um setor inteiro."

O presidente da Abit destacou que o setor de vestuário debateu e encaminhou uma agenda para todos os candidatos antes das eleições. "O ponto mais importante é a criação de um regime tributário competitivo para a indústria da confecção", destacou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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