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Governo sírio coloca opositores que negociam paz em lista de terroristas
Publicado por Editoria O GLOBO

GENEBRA - O governo sírio colocou numa lista negra de terroristas os membros da delegação de oposição com quem está negociando a paz em Genebra, na Suíça. Todos os bens desses opositores foram confiscados, incluindo a casa de uma comissária, segundo informaram negociadores e um diplomata, na tarde deste sábado. Mais cedo, o mediador da ONU, Lakhdar Brahimi, havia suspendido a segunda rodada de conversações entre o governo sírio e a oposição sem que houvesse qualquer progresso ou que fosse fixada uma data para a terceira rodada. Brahimi culpou os dirigentes do país árabe pelo fracasso do diálogo por terem se recusado novamente a discutir um órgão de governo de transição.

A delegação de oposição só descobriu que seus integrantes tinham sido classificados como terroristas quando a cópia de um documento do Ministério da Justiça vazou esta semana e foi parar no site de oposição www.all4syria.com. O memorando do ministério afirma que os bens dos adversários foram congelados de acordo com uma lei antiterrorismo de 2012.

Um diplomata que participa das conversas em Genebra disse que negociadores da oposição descobriram há poucos dias que a maioria deles estava numa "lista de terroristas" englobando 1.500 ativistas e rebeldes que lutam conta o presidente Bashar al-Assad.

- Quando (a integrante da delegação) Suhair al-Atassi viu seu nome, ela soube que tinha perdido a sua casa. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto por um momento e depois ela recobrou a postura combativa - disse o diplomata, que pediu para não ser identificado.

Interpelado sobre o que teria levado o governo de Damasco a colocar membros da coalizão de oposição na lista de terroristas e a confiscar seus bens, o delegado governista Bashar al-Jaafari respondeu:

- Vocês estão tentando me aterrorizar e não vão conseguir.

Em seguida, ele alegou que a decisão havia sido tomada há dois meses, antes de terem início as negociações de paz em Genebra.

- Isso nada tem a ver com a conferência de Genebra. Qualquer um que se recuse a lutar contra o terrorismo é um terrorista.

O conflito na Síria já custou mais de 100 mil vidas desde março de 2011. Após ter suspendido a segunda rodada de negociações, por recusa do governo de Damasco de discutir uma transição, o mediador da ONU falou:

- Creio que é melhor que cada uma das partes se retire e reflita sobre sua responsabilidade e diga se quer que este processo continue ou não.

Brahimi se desculpou com o povo sírio, dizendo que ele estava "muito, muito triste" por "não ter havido muito avanço" apesar de duas rodadas de negociações:

- Infelizmente, o governo tem se recusado, o que levanta a suspeita da oposição que de fato o governo não quer discutir (o governo de transição).

As negociações começaram no mês passado com Brahimi servindo como intermediário entre as duas delegações. Os dois lados concordaram que a agenda na próxima rodada deve incluir quatro temas: combate à violência, o governo de transição, instituições nacionais e de reconciliação. Mas não chegaram a um acordo sobre a ordem pela qual os temas serão discutidos. Brahimi propôs dedicar o primeiro dia a uma discussão sobre a violência e ao "terrorismo", e o segundo parao debate sobre um órgão de governo de transição.

Ele pediu que os dois lados para "reflitam" e voltem prontos para fazer progressos na terceira rodada.
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