terça-feira, 28 junho, 2022
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Brasil enfrenta longo histórico de apagões

RIO – O apagão que deixou o Sul, Sudeste, Norte e o Centro-Oeste sem energia por quase duas horas, afetando mais de 3 milhões de pessoas, nesta terça-feira, não é um fato novo e restrito ao governo da presidente Dilma Rousseff, embora em seu mandato já tenham sido registrados nove episódios de grandes proporções, classificados pelos especialistas como interrupção de um volume de energia entre 800 MW e 12.900 MW. Grandes interrupções no fornecimento também aconteceram durante as gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique, gerando transtornos para milhões de brasileiros desde o final dos anos 90.

Desde 2011, oito apagões ocorreram no país, quatro deles com grande impacto no Nordeste, a região mais crítica em relação ao abastecimento de energia, devido à seca e a falta de grandes rios. Segundo dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o Brasil já enfrentou 150 blecautes acima de 100 MW desde janeiro de 2011, início do governo Dilma. Só no ano passado, foram 27 episódios. Embora o número seja semelhante ao vivido há dez anos, especialistas alertam para o risco de repetição de novos incidentes.

O último grande apagão registrado no país – o nono da gestão Dilma – ocorreu em 28 de agosto do ano passado, quando uma queimada na fazenda Santa Clara, na região do Canto do Buriti, no Piauí, provocou um curto circuito numa linha de transmissão de 500 quilovolts (kV), que derrubou todo o sistema de energia do Nordeste, deixando às escuras, de 40 minutos a mais de quatro horas, os nove estados da região, que perderam 10.900 MW. A linha era operada pela Ienne, controlada pela espanhola Isolux.

O apagão afetou os sete aeroportos administrados pela Infraero no Nordeste, além de Belém, no Norte. Embora com o auxílio de geradores os voos não fossem prejudicados nas capitais, houve problemas na telefonia nas cidades, com pane nos sinais, engarrafamentos, cancelamento de aulas e prejuízo nas indústrias e no comércio, com boa parte fechando as lojas mais cedo.

Em dezembro de 2012, um problema na hidrelétrica de Itumbiara, em Goiás, de propriedade de Furnas, atingiu seis Estados. Só no Rio e em São Paulo, 2,7 milhões de consumidores ficaram sem energia. Dois meses antes, em 25 de outubro, um outro apagão cortou a energia em nove Estados do Nordeste e parte da Região Norte por quase três horas. No dia 3 do mesmo mês, uma falha num transformador em Itaipu afetou cinco Estados (Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre, Rondônia) e parte do Centro-Oeste.

Talvez um dos maiores incidentes no Brasil ocorreu em 10 de novembro de 2009, quando um desligamento inédito da usina de Itaipu deixou 18 Estados às escuras, sendo o Sudeste a região mais afetada. Quase 60 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica por até seis horas, devido à interrupção de três linhas de alta tensão provenientes de Itaipu, afetadas por problemas na subestação de Itaberá, em São Paulo. Segundo cálculos da Firjan, só no Estado do Rio o apagão deixou prejuízos estimados em R$ 1 bilhão. A interrupção, uma das mais longas já registradas no país, durou de três horas e meia a seis horas.

Para especialistas do setor, 2011 foi o ano que registrou o recorde de interrupções no fornecimento de energia. Em fevereiro daquele ano, um blecaute provocado por falha no sistema de proteção de uma subestação em Pernambuco deixou oito Estados do Nordeste às escuras. Auditoria do Tribunal de Contas (TCU), publicada em 15 de julho de 2009, mostrou que só este apagão gerou um prejuízo de R$ 45,2 bilhões ao Tesouro.

Também na gestão Fernando Henrique o Brasil enfrentou sérios problemas no abastecimento de energia elétrica. Após quase uma década sem investimentos em geração e distribuição, o governo foi obrigado a elaborar, às pressas, de 2000 para 2001, um plano de racionamento de energia, que estabelecia descontos aos consumidores que cumprissem metas de consumo e punições nos casos de ultrapassagem desses limites.

Entre o fim de 1997 e o início de 1998, a rede sobrecarregada da Light fez os cariocas viverem o chamado “verão do apagão”. Em 20 de novembro, bairros da Zona Sul e subúrbios ficaram quatro horas sem luz. De dezembro a janeiro, picos de energia provocaram uma onda de queima de eletrodomésticos por toda a cidade.

Um raio, numa subestação em Bauru (SP), provocou um blecaute em nove Estados e no Distrito Federal em dezembro de 2000, o que levou ao racionamento de energia de 2001 e 2002. Em 2001, uma falha humana na subestação de Cachoeira Paulista (SP) provocou um blecaute que atingiu o Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas Gerais.

Em julho de 2001, o governo iniciou um grande programa de investimentos na construção de uma rede de termelétricas, movidas a gás, carvão e óleo combustível e que não dependiam do ciclo das águas. Embora o custo de energia fosse mais alto do que o das usinas hidrelétricas, essas plantas funcionariam como reserva de complementação do sistema, o que ocorre até hoje.

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