domingo, 26 junho, 2022
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Aversão a emergentes faz Bolsa cair quase 2% e dólar subir a R$ 2,43

SÃO PAULO – A aversão aos ativos de países emergentes faz a Bolsa de Valores de São Paulo começar o mês de fevereiro com o mesmo tom pessimista de janeiro. Um novo sinal de desaceleração na economia chinesa foi o gatilho para que o mau humor dos investidores voltasse em relação a ações e moedas dos mercados emergentes. Às 14h35, o Ibovespa recuava 1,96% aos 46.706 pontos e volume negociado de R$ 3,6 bilhões. O índice aprofundou a queda com a abertura dos mercados americanos no vermelho, depois de um dado mais fraco da indústria americana.

O dado que desanimou os investidores foi o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial chinesa. O número recuou para 50,5 pontos em janeiro, depois de atingir 51 pontos em dezembro. É o menor nível em seis meses. Também recuou o PMI sobre a atividade do setor de serviços chinês, que ficou em 53,4 pontos em janeiro, ante 54,6 pontos em dezembro. Esses números confirmam as preocupações do mercado de que a segunda maior economia do planeta pode estar reduzindo sua expansão.

Para o gestor de recursos e sócio da FCL Capital, Fernando Araujo, esse movimento ‘manada’ dos investidores aos ativos de países emergentes pode trazer consequências para a economia real, no curto prazo.

– Nesses momentos de mau humor do mercado, os investidores saem dos ativos de emergentes juntos, sem analisar todos os fundamentos da economia e das empresas, por exemplo. Se ele persiste por um período de trê a seis meses, pode haver consequências para aeconomia real, já que as empresas tendem a paralisar ou adiar investimentos. Isso tem impacto direto no crescimento do PIB. Além disso, a alta do dólar pode levar o Banco Central a manter o aperto monetário por mais duas rodadas do que estava previsto – avalia Araujo.

Ele lembra, entretanto, que também pode haver consequências positivas, do ponto de vista da política fiscal.

– Esse nervosismo do mercado pode levar o governo a entregar uma meta de superávit primário melhor – algo como 3%. E também deixar de usar malabarismos contábeis para apresentar os números das contas públicas. Na minha avaliação, a pressão do mercado já fez uma pequena mudança no comportamento do governo, que deslanchou o programa de privatizações de estradas e aeroportos, por exemplo – diz Araujo.

Além da preocupação com os emergentes, os investidores estão de olho nos números da economia americana, que vão determinar o ritmo de redução dos estímulos à economia pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O banco central americano já anunciou duas reduções de compras de ativos, de US$ 85 bilhões mensais para US$ 65 bilhões.

“As preocupações com os países emergentes deverão seguir nos radar dos mercados externos. Ao mesmo tempo, nos países desenvolvidos, a agenda de indicadores de atividade merece atenção, já que a consolidação da recuperação e a evolução da inflação serão decisivas para a política monetária nos EUA”, avalia em relatório Octávio de Barros, economista do Bradesco.

Impactadas diretamente pelas notícias da China, as ações da Vale e da Petrobras recuam com força e puxam o Ibovespa. As ações preferencias da Vale (sem direito a voto) recuam 1,80% a R$ 29,46, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras perdem 3,40% a R$ 14,21. Na Ásia, o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, recuou quase 2% com o dado chinês.

As Bolsas da Europa também recuam forte. O índice Dax, da Bolsa de Frankfurt, tem queda de 1,23% enquanto o índice Cac, da Bolsa de Paris, tem baixa de 1,27%.

Nos Estados Unidos, as Bolsas também t~em um dia de perdas expressivas: o S&P 500 cai 1,26%; o Dow Jones perde 1,20% e o Nasdaq tem baixa de 1,45%.

Nos Estados Unidos, a atividade industrial também mostrou desaceleração. O índice do Instituto de Gerência e Oferta (ISM, na sigla em inglês), caiu para 51,3 pontos em janeiro, ante os 56,5 pontos apurados em dezembro, segundo dados revisados. Analistas previam queda para 56 pontos, ante os 57 pontos de dezembro.

As ações ordinárias (sem direito a voto) da Sabesp apresentam a segunda maior queda do pregão, com desvalorização de 4,13% a R$ 21,34. A empresa anunciou um programa de descontos aos consumidores que economizaram água. O Sistema Cantareira atingiu o menor nível de sua história. Com os descontos, o valor da conta pode cair até 48%.

As ações preferenciais do Itaú Unibanco recuam 1,35% a R$ 29,84.A Receita Federal confirmou a autuação do Itaú Unibanco em relação ao não recolhimento de tributos no processo de fusão entre Itaú e Unibanco. Segundo comunicado enviado pelo Itaú Unibanco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não foi unânime e o banco irá recorrer ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O valor da multa é de R$ 18,7 bilhões.

Dólar começa o dia em queda, mas inverte sinal

O dólar começou o dia em queda, mas inverteu o sinal e passou a subir com o aumento da aversão aos ativos de países emergentes . Às 14h35m, a moeda americana se valorizava 0,78% sendo negociada a R$ 2,429 na compra e a R$ 2,431 na venda. Na máxima do dia, a divisa atingiu R$ 2,432 (alta de 0,82%) e na mínima foi negociada a R$ 2,401 (queda de 0,45%).

No Brasil, os analistas elevaram sua previsão para o dólar este ano de R$ 2,45 para 2,47, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

Nesta segunda, o BC voltou a oferecer ao mercado, através de leilão, mais quatro mil contratos de swap cambial, operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro. Os contratos terão vencimento em 1º de agosto e 1º de dezembro e totalizaram US$ 196,8 milhões. Mesmo assim, o dólar segue a tendência global de alta.

Juros futuros sobem com alta de dólar

No mercado de juros futuros, as taxas também sobem acompanhando o dólar. Os investidores temem uma rodada mais forte de aperto monetário pelo banco Central depois que outros bancos centrais de países emergentes elevaram o juro para deter a alta dos preços e tentar evitar a fuga de investidores. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 tinha taxa de 13,05%, de 13% no ajuste de sexta-feira. E o DI janeiro com vencimento em janeiro de 2015 tinha taxa de 11,71%, de 11,69% na sexta.

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