domingo, 26 junho, 2022
em conformidade com o que estabelece a junta comercial do es - jucesspot_img

Violência marca votação da nova Constituição no Egito

CAIRO – Sob forte esquema de segurança, os egípcios votam nesta terça-feira o projeto de uma nova Constituição, criado com respaldo pelos militares após a destituição do presidente Mohamed Mursi, há seis meses. Resistindo à repressão do Exército, partidários de Mursi foram às ruas protestar nas primeiras horas da manhã, o que provocou confrontos com as forças de segurança, deixando ao menos nove mortos.

As autoridades lançaram uma grande operação de segurança para proteger os locais de votação e eleitores contra possíveis ataques de militantes leais ao ex-presidente islâmico. Mahmoud Sayed Gomaa, de 25 anos, foi morto durante um protesto contra o referendo perto de um centro eleitoral na província de Bani Suef, ao sul do Cairo.

Pouco antes da abertura dos locais de votação, uma bomba explodiu em frente a um tribunal no Cairo, danificando a fachada do edifício, sem deixar vítimas. Em outras cidades, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar uma marcha. Manifestantes tentaram parar o trânsito e dificultar o trabalho nos centros de votação. Há relatos de pessoas detidas.

A votação de dois dias representa um golpe para a Irmandade Muçulmana – grupo ao qual Mursi pertence – e abre o caminho para que o general Abdel Fatah al-Sissi, chefe das Forças Armadas, concorra à Presidência do país. Na fila, eleitores entoavam canções como “não ao terrorismo” ou “al-Sisi será presidente”.

A nova Constituição foi elaborada por uma comissão de 50 especialistas eleitos pelo novo regime. No total, 52 milhões de pessoas foram convocadas às urnas. Há 30.317 colégios eleitorais habilitados, e o Exército enviou 16 mil soldados para protegê-los.

Esta é a terceira consulta constitucional desde 2011. Em março daquele ano, após a queda do regime de Hosni Mubarak, os egípcios votaram a favor de uma série de emendas constitucionais que pavimentaram o caminho para a democracia, com a participação de 41% da população.

Mais tarde, a Irmandade Muçulmana ganhou várias eleições e elaborou uma nova Constituição, que foi eleita nas urnas com uma presença de 33% dos egípcios. Agora, os militares e o governo interino esperam uma participação em massa para legitimar o golpe de Estado, o banimento da Irmandade Muçulmana e as mudanças impostas nos últimos meses. Nos últimos seis meses, centenas de pessoas morreram em várias operações militares contra sucessivos protestos islâmicos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

POSTAGENS RECENTES

EDITORIAS

Relacionadas