domingo, 26 junho, 2022
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Onda de atentados deixa mortos e feridos no Cairo

CAIRO – Quatro atentados atingiram diferentes pontos da capital egípcia nesta sexta-feira, deixando ao menos seis mortos e ferindo outros 100, na véspera da comemoração do terceiro aniversário da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 2011. Um primeiro ataque à sede da polícia e segurança do Estado, que também atingiu o famoso Museu de Arte Islâmica, no centro do Cairo, provocou a morte de quatro pessoas e 76 feridos. Uma segunda explosão, três horas depois, matou um policial e feriu 15 pessoas perto de uma estação de metrô. Minutos seguintes, outra explosão em um subúrbio do Cairo não deixou vítimas. E a TV estatal afirmou que uma quarta explosão perto de um cinema provocou uma morte.

A onda de ataques elevou as tensões no país diante da crescente insurgência islâmica sete meses após o golpe militar que derrubou o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. O primeiro atentado, de grande potência, sacudiu o centro do Cairo pouco antes das 7h (horário local) e danificou seriamente a frente da Direção de Segurança, localizada no bairro central de Bab al-Khalq. Foi possível ouvir o som da explosão nos bairros vizinhos.

A TV estatal mostrou imagens de vários edifícios destruídos e queimados pela carga explosiva, que espalhou pedaços de vidro, tijolos e pedras. De acordo com a agência estatal de notícias Mena, o ataque também atingiu prédios próximos, dentre eles o famoso Museu de Arte Islâmica, onde várias obras de artes foram destruídas. Segundo o ministro de Antiguidades, Mohammed Ibrahim, uma rara coleção de objetos de arte islâmica foi afetada e terá que ser reconstruída.

Horas depois, uma pessoa morreu quando uma bomba explodiu depois de ser jogada em um carro de polícia em movimento, próximo a uma estação de metrô, no subúrbio de Gizé. Ao menos 15 pessoas se feriram. Na terceira explosão, uma pequena bomba foi detonada em uma delegacia de polícia no distrito de Talbiya, também em Gizé, perto das pirâmides. O ataque não causou vítimas, segundo o ministério do Interior. Mais tarde, testemunhas relataram uma explosão em um cinema, de acordo com a TV estatal.

Até o momento, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque. No entanto, há um suspeito principal: Ansar al-Bait Maqdis, uma organização jihadista baseada na península do Sinai que reivindicou os ataques mais audaciosos e violentos nos últimos meses, como o que tirou a vida de 20 pessoas na cidade de Mansura em dezembro passado.

Apesar da reivindicação da autoria do ataque pela Ansar al- Bait Maqdis, as autoridades egípcias preferiram atribuir a responsabilidade à Irmandade Muçulmana, o movimento islâmico ao qual Mursi pertence e que venceu as primeiras eleições livres pós-revolução. Após o ataque, o governo declarou a Irmandade “organização terrorista” e intensificou a repressão política que começou após o golpe de Estado que depôs o presidente islâmico, e que resultou na prisão de quase toda a cúpula do movimento e da morte de centenas de membros e simpatizantes.

O ataque acontece antes de um fim de semana tenso, data do terceiro aniversário da revolução egípcia. Tanto a Irmandade Muçulmana quanto jovens de tendência secular e simpatizantes do governo militar anunciaram sua intenção de tomar as ruas neste sábado. As forças de segurança também intensificaram as medidas de segurança, fechando a Praça Tahrir para evitar que o espaço seja ocupado pelos partidários de Mursi.

O país árabe enfrenta uma grave crise política. O golpe fraturou a sociedade egípcia e desencadeou uma onda de violência, além de afetar o turismo e os investimentos no país.

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