quarta-feira, 29 junho, 2022
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Moody’s critica ‘flexibilidade fiscal limitada’ do Brasil

RIO E SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Moody’s, que em setembro do ano passado reduziu a perspectiva da nota dos títulos públicos soberanos brasileiros de “positiva” para “estável”, em “Baa2” alertou nesta segunda-feira que o país tem “flexibilidade fiscal limitada”, com uma “estrutura rígida dos gastos do governo e uma carga de juros relativamente pesada”. O comentário foi feito “Análise de Crédito: Governo do Brasil”, uma atualização anual enviada aos mercados e que não constitui em uma tomada de decisão sobre o rating.

No relatório, a Moody’s criticou ainda a relação dívida e PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, que teria ficado em 57,5% na média de 2009 a 2013, acima de outros países classificados como “Baa” na agência no périodo, de 37,2%. O percentual seria maior apenas do que Islândia (106,5%), Espanha (73,3%), Índia (67,1%) e Itália (123,3%) na categoria de países avaliados como “Baa”.

“A dívida/PIB tem subido em direção à marca de 60%”, avaliou a Moody’s, que estima que essa relação pode chegar a 62% neste ano. “A trajetória que a dívida/PIB tomar influenciará fortemente a perspectiva do crédito soberano do Brasil”, informou a agência no relatório.

A nota classificação de risco “Baa2” coloca o Brasil no patamar de grau de investimento (investment grade, em inglês) na agência, ou seja, é um país seguro para se investir. Segundo a Moody’s, essa perspectiva incorpora o crescimento mais fraco da economia, mas vai analisar o desempenho do primeiro semestre deste ano para decidir sobre a possibilidade de alterações.

Em relatório, a agência avalia ainda que a expansão do PIB brasileiro vai ficar em cerca de 2% este ano, mesmo patamar desde 2011, embora veja o crescimento potencial do país seja de 3%. Além disso, prevê que o superávit primário – economia feita para pagamento de juros da dívida – também fique ao redor de 2%.

Segundo a agência, a grande questão para o futuro do rating brasileiro é como a economia vai se comportar em 2015. Por isso, o analista-sênior da Moody’s, Mauro Leos, considera que o desempenho no primeiro semestre de 2014 vai ser um indicativo para o ano que vem.

– Assim que tivermos os dados oficiais sobre a economia e o resultado fiscal dos primeiros seis meses, teremos uma ideia de como vai ser 2014 – avaliou Leos. – Se for como prevermos (o desempenho da atividade), vamos esperar as eleições e a mensagem do próximo governo. Se for mais fraco, vamos analisar para ver se fazemos mudanças. Se for mais forte, não vamos fazer nada.

A Moody’s considera que o governo precisa adotar nova postura para garantir que 2015 não seja um ano com fraco crescimento econômico e frágil resultado fiscal. Leos, porém, considera que está sendo feito algum tipo de progresso por parte da equipe econômica. Ele citou, por exemplo, as promessas de o Tesouro reduzir as injeções de recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de adotar uma política fiscal mais transparente.

– Se o governo fizer uma apresentação simples sobre o que será feito com o resultado primário, é uma mudança importante que vai contribuir para melhorar o sentimento – afirmou o analista-sênior da Moody’s.

A fragilidade dos resultados fiscais e a elevação da relação dívida/PIB tem levantado questões dentro do mercado sobre a possibilidade de rebaixamento da nota brasileira pelas agências de classificação de risco, apesar de ainda entender que o país continuaria com grau de investimento.

Em relatório, a Moody’s diz considerar quatro fatores para o Brasil: força econômica elevada, força institucional baixa, com viés positivo, força financeira moderada e risco de evento de crédito baixo.

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