terça-feira, 28 junho, 2022
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Governo do DF diz que há mais de 2 anos não são flagrados celulares em presídios

BRASÍLIA – Após publicação de reportagem do GLOBO sobre golpe orquestrado supostamente dentro de presídios do Distrito Federal, a Secretaria de Segurança Publica do DF afirmou, por meio de nota, que vai apurar o caso. Afirmou que informações preliminares apontam que há mais de dois anos um celular não é flagrado dentro de um dos presídios locais. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quase caiu no golpe, conforme foi relatado por um suposto preso em conversa repórter do jornal.

A secretaria informa que que no ano passado foram apreendidas “pequenas peças” levadas por visitantes, que foram recolhidas durantes as revistas que são feitas diariamente, mas não informou que tipo de peça são essas. Segundo o órgão, não é rotineiro encontrar celulares porque com o uso de scanners corporais, aos quais os visitantes são submetidos, houve redução “bastante significativa” na tentativa de visitantes burlarem as regras. Não foram dados números dessa redução. De acordo ainda com a secretaria, não há como confirmar que a ligação foi feita de um presídio.

Na última sexta-feira, quando estava em Madri dando palestras sobre seu projeto de renda mínima, Suplicy foi alcançado por uma ligação de um rapaz do Brasil, dizendo ser seu sobrinho Sérgio, que o senador logo entendeu ser Sérgio Suplicy Goes. O rapaz contou que seu carro havia quebrado e precisava que ele depositasse uma quantia em dinheiro para pagar os mecânicos. O senador quase se tornou mais uma vítima de um golpe, até chegou a acertar o depósito para um mecânico de Alexânia (GO); mas sustou o pagamento após descobrir o golpe, ao checar com o sobrinho Sérgio.

No sábado, o mesmo criminoso tentou aplicar o golpe na repórter do GLOBO. Desmascarado, deu detalhes sobre o funcionamento da “firma”, dentro da Penitenciária de Cascavel, no Distrito Federal. Disse que ligaria depois para contar de um golpe que estava aplicando em um senador. Segundo “Leandro”, outro nome usado por ele, os celulares são levados ao presídio por policiais.

Na segunda-feira, ele ligou novamente para a repórter, para detalhar o golpe que tentou aplicar em Suplicy, que chamou de “papito”, como o senador é chamado pelo filho Supla, e de “gente finíssima”. Na conversa, contou que, quando Suplicy descobriu que era um golpe, ficou muito bravo, mas não o xingou. Disse que, numa das conversas, colocou no viva-voz para que os companheiros de cela ouvissem a falação de Suplicy.

– Ô cara amarrado, viu? – reclamou na conversa de segunda-feira, sobre a dificuldade nas negociações com Suplicy para que o depósito fosse feito: – Ele falava como se estivesse no Senado, a mesma coisa! É um diplomata! Mas conversa demais, viu? Eu botei no viva-voz, e todo mundo ficou escutando.

Segunda-feira, já em San Sebastian (Espanha), Suplicy confirmou o golpe ao GLOBO. Disse que, como tem dezenas de sobrinhos, não desconfiou, a princípio. A ficha só caiu quando as secretárias, no Brasil, averiguaram com o verdadeiro Sérgio Suplicy, que negou o caso do carro quebrado.

– Ele tentou me aplicar o golpe, mas eu consegui sustar (o pedido às secretárias) depois de verificar que ele estava tentando me enganar. Disse que estava nas cercanias de Brasília, o carro quebrou e precisava do depósito. Mas depois foi aumentando a quantia cada vez mais, até chegar a R$ 1.400, e eu desconfiei. Sábado, ele ligou de novo, e ficou acertado que o pagamento seria feito na segunda-feira. Mas, depois que as secretarias averiguaram e viram que era golpe, eu pedi o endereço do mecânico em Alexânia e disse que ia mandar a polícia lá – contou Suplicy, ressaltando que vai fazer um boletim de ocorrência quando chegar ao Brasil.

Até a segunda-feira à tarde, quando ligou para a repórter do GLOBO para contar do golpe no senador, “Leandro”, ou “Sérgio”, acreditava que tinha enganado mais um trouxa. Disse que ele tinha depositado a “mixaria”, “valor insignificante”. E que estava só “curtindo” às custas dele:

– Estou fumando do bom e do melhor. Comendo do melhor, e ele está pagando!

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