terça-feira, 28 junho, 2022
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Gerente da Siemens diz que recebeu ordens para destruir documentos

SÃO PAULO – Um executivo da empresa Siemens afirmou à Polícia Federal que recebeu ordens para destruir documentos relacionados a uma conta bancária secreta que ex-diretores da companhia possuíam em Luxemburgo, um paraíso fiscal, segundo reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”. Suspeita-se que a conta era usada para pagar propina a funcionários públicos no Brasil.

De acordo com matéria publicada nesta sexta-feira, a declaração à polícia foi feita pelo gerente-geral da área de projetos corporativos da Siemens, Sergio de Bona, em depoimento prestado em 29 de novembro. De Bona era responsável pela contabilidade da empresa entre 2004 e 2006. Ele afirmou que nesta época, seu então chefe, José Manuel Romero Illana, pediu a sua ajuda para “encerrar uma conta no exterior”, durante uma reunião em que teria participado também José Antonio Lunardelli, que já havia ocupado o mesmo cargo de De Bona na empresa. De Bona disse que, em outra reunião, negou prestar o auxílio pedido. Porém, mais tarde, ele acabou cedendo, depois de pressões que teriam sido feitas por Romero.

Em outra ocasião, De Bona teria se reunido com Romero, Lunardelli e também com o advogado Roberto Justo, que teria sido o responsável pela abertura da conta. “Na reunião, recebeu as seguintes instruções de Justo, na presença de Lunardelli e Romero: coletar assinaturas e entregar os documentos sempre pessoalmente ao advogado, que destruísse todo e qualquer documento gerado em relação à conta, e que não deveria contar a existência da conta nem para a sua mulher”, anotou a PF.

Adilson Primo, ex-presidente da Siemens no Brasil, foi demitido do cargo em 2011 depois que a matriz da Siemens na Alemanha descobriu a existência da conta em auditoria interna após escândalo de corrupção mundial da companhia. Segundo o “Estado de S. Paulo”, Primo era um dos proprietários da conta, que recebeu US$ 7 milhões de dinheiro da Siemens na Alemanha e nos Estados Unidos. O ex-presidente da empresa alega inocência e até ser demitido, dizia a auditores da matriz que desconhecia a existência da conta. Em depoimento à PF, Mark Gough, vice-chefe do setor de compliance da Siemens na Alemanha, disse que há suspeitas de que a conta era usada para pagar propina para funcionários públicos no Brasil.

Segundo o “Estado de S. Paulo”, Justo disse que os serviços que prestou à Siemens não têm relação com os fatos mencionados por De Bona em seu depoimento.

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