sexta-feira, 24 junho, 2022
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Dólar recua a R$ 2,34 após BC confirmar rolagem de contratos

SÃO PAULO – A informação de que o Banco Central pretende rolar os US$ 11 bilhões em contratos de swap cambial que vencem em 3 de fevereiro a a expectativa de entrada de recursos fazem o dólar comercial recuar frente ao real nesta segunda-feira. A divisa já abriu as negociações em queda e às 14h23m caía 0,67%, sendo negociada a R$ 2,347 na compra e R$ 2,349 na venda, a menor cotação em duas semanas. Na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 2,363 (queda de 0,08%) e na mínima bateu em R$ 2,341 (baixa de 1,01%). Na sexta, após dados mais fracos do mercado de trabalho americano, o dólar recuou mais de 1%.

– O mercado está comprado em dólar e os investidores estão na expectativa de entrada de recursos captados pela Petrobras e agora pelo BNDES. Com isso, esses dólares começam a ser devolvidos para garantir a cotação atual. Além disso, o anúncio antecipado de que o BC rolará os contratos de swap cambial que vencem em 3 de fevereiro também ajuda. Isso tira um pouco da incerteza do radar. A criação de novos empregos mais baixo que a esperada nos EUA também ajuda a tirara força do dólar – avalia Ítalo Abucater, especialista em câmbio da Icap Brasil.

A Petrobras captou R$ 12 bilhões em títulos de dívida (bônus) no exterior na segunda semana de janeiro e o BNDES também deverá fazer uma captação em euros. Em sua última captação no mercado externo, em setembro passado, o BNDES obteve US$ 2,5 bilhões com a emissão de bônus – o maior valor obtido pelo banco nesse tipo de captação internacional.

Além disso, nesta semana, o Banco Central vai iniciar a rolagem dos contratos de swap cambial, que vencem em 3 de fevereiro. Os detalhes da rolagem serão divulgados na quarta. Hoje, o BC fez mais um leilão de contratos de swap cambial, que equivale a uma venda de moeda no mercado futuro. A autoridade monetária vendeu os quatro mil contratos, totalizando US$ 199,2 milhões.

Nesta segunda, o dólar volta a subir frente a divisas de países emergentes, como o peso mexicano, a lira turca e o rand sul-africano, depois da queda de sexta, provocada pelo número mais fraco de novas vagas criadas nos Estados Unidos. Esperava-se a criação de mais de 200 mil vagas, mas foram abertas apenas 74 mil novas vagas.

“A possibilidade de que a retirada de estímulos à economia americana seja mais lenta do que se acreditava, após o dado fraco de emprego dos EUA, explica a perda de valor do dólar frente às moedas de alguns países asiáticos no exterior”, escreve em relatório o economista Octávio de Barros, do Bradesco.

O economista sênior para os Estados Unidos do Rabobank, Philip Marey, avalia que o Federal Reserve encerrará o programa de compra de títulos no final deste ano, reduzindo as aquisições mensais em US$ 10 bilhões a cada reunião, com exceção do encontro de dezembro, quando acontecerá o corte final, de US$ 5 bilhões, segundo um relatório divulgado pelo Rabobank.

“Os dados decepcionantes sobre o emprego na sexta-feira podem ter aumentado o risco de uma redução mais lenta das compras de ativos, mas acreditamos que um indicador não será suficiente para tirar o Fomc [comitê de política monetária do Fed] do rumo”, afirma o banco no relatório.

Bolsa está em alta seguindo exterior

Em dia de agenda fraca de indicadores econômicos, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acaba sendo influenciada pelos mercados externos. Pela manhã, o Ibovespa, índice de referência do mercado brasileiro, subiu acompanhando os mercados europeus, mas perdeu força com a abertura das Bolsas americanas no campo negativo. Às 14h23m, o índice se desvalorizava 0,26% aos 49.565 pontos e volume negociado de R$ 2,5 bilhões.

– O mercado está meio sem rumo, com o sentimento de pessimismo dos investidores em relação à economia brasileira prevalecendo. Se os mercados lá foram vão bem, a gente acompanha de longe. Mas se as Bolsas caem lá fora, nossa Bovespa é a primeira a reagir e cai mais forte. Estamos precisando de um choque de credibilidade do governo para que as empresas voltem a investir e assim o mercado se acalme- analisa o economista Álvaro Bandeira, sócio da Órama Investimentos.

Um relatório do Santander Investment Securities mantém a preferência dos analistas por ações do México em lugar de papéis brasileiros Brasil. Segundo o relatório, com a piora das perspectivas promissoras para a economia brasileira, com chance de redução de lucros para as empresas. Os analistas estão reduzindo o peso nos setores de serviços públicos, telecomunicações e petróleo e gás em linha, já que este ano haverá eleições no Brasil, e em setores sensíveis a taxas de juros como imobiliário, rodovias e varejista.

Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, Vale PNA sobe 0,23% a R$ 30,16; Petrobras PN tem queda de 0,50% a R$ 15,89; Itaú Unibanco PN sobe 0,09% a R$ 30,96 e Bradesco PN recua 0,76% a R$ 27,42.

A maior alta é apresentada pelos papéis ordinários da Gafisa, com ganho de 4,78% a R$ 3,51, enquanto a maior desvalorização é dos papéis ordinários da Qualicorp, com baixa de 2,35% a R$ 20,36.

O conselho de administração da mineradora MMX aprovou a proposta de grupamento de ações na proporção de seis para uma ação. O total de ações ordinárias da companhia passará de 973.227.439 para 162.204.573. Segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), acionistas que possuírem frações de ações receberão uma doação para que cada um receba um número inteiro de papéis. Os papéis ordinários da mineradora recuam 1,0% a R$ 0,71.

Na Europa, Bolsas se valorizam puxadas por ações de bancos

Nos EUA, os principais índices abriram em queda, ainda repercutindo a criação de apenas 74 mil empregos em dezembro. O S&P 500 recua 0,11%; o Dow Jones perde 0,16% e o Nasdaq está praticamente estável com leve alta de 0,03%.

Na Europa, as principais Bolsas sobem, puxadas principalmente pelos papéis do setor bancário, devido a medidas de maior flexibilização dos reguladores do setor sobre o crédito, diminuindo rumores de que haja restrição de crédito no continente. O índice Dax, principal indicador da Bolsa de Frankfurt, tem alta de 0,35%.

Na agenda de hoje nos Estados Unidos está prevista apenas a divulgação do resultado das contas públicas do país referentes ao mês de dezembro. O mercado aguarda a divulgação, na quarta-feira, do Livro Bege, um compêndio de informações da economia americana, elaborado pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Juros futuros abrem em alta

No mercado de juros futuros, as taxas dos depósitos interfinanceiros (DIs) estão em alta na BM&FBovespa. A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2015 subia de 10,61% para 10,67%, seguida pela taxa do DI para janeiro de 2017, que passava de 12,22% para 12,23%. Depois da surpresa do IPCA, índice oficial de inflação que terminou 2013 em 5,9%, acima da previsão do mercado, os investidores voltam suas atenções para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana. O mercado aposta numa alta da Selic, a taxa básica de juro, entre 0,25 e 0,50 ponto percentual. A Selic atualmente está em 10% ao ano.

No relatório Focus de hoje, os economistas ouvidos pelo BC elevaram a expectativa para IPCA para 2014, de 5,97% para 6%, mas mantiveram a projeção de 5,50% do IPCA para 2015, conforme a estimativa da semana anterior. A estimativa para a Selic ficou estável em 10,50% ao ano ao final de 2014.

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