domingo, 26 junho, 2022
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Dólar inverte sinal e recua a R$ 2,41; Ibovespa oscila, mas mantém queda

SÃO PAULO – Em dia de formação da Ptax, a taxa média do dólar que serve de referência para a liquidação de contratos no mercado futuro no final do mês, a moeda americana subiu frente ao real pela manhã, mas inverteu o sinal no início da tarde. Às 15h30m, o dólar comercial se desvalorizava 0,12%, sendo negociado a R$ 2,410 na compra e R$ 2,412 na venda. Na máxima do dia, a divisa chegou a R$ 2,439 (alta de 0,99%) e na mínima atingiu a cotação de R$ 2,403 (queda de 0,49%). A briga entre comprados e vendidos no mercado futuro sempre traz pressão ao mercado de câmbio no fim do mês. Passado o horário para definição da Ptax (13 horas) a divisa começou a recuar. O dólar turismo se mantém a R$ 2,58, o maior patamar em mais de oito anos.

No exterior, depois de um dia de recuperação das divisas de países emergentes, o dólar volta a se valorizar frente a estas moedas. O rand sul-africano tem queda de 1%, a lira turca recua 0,70% e peso mexicano perde 0,40%. Isso também pressiona a moeda por aqui, avaliam analistas.

– Houve um alívio temporário ontem para as moedas dos emergentes, já que os investidores haviam comprado dólares aguardando a decisão do Federal Reserve sobre a redução dos estímulos. Mas o crescimento de 3,7% do PIB dos EUA, no quatro trimestre, e a percepção de que os mercados emergentes continuam sendo um terreno de maior risco para investimento, faz o dólar subir novamente – avalia o economista de uma consultoria econômica de São Paulo.

Diversos bancos centrais de mercados emergentes, incluindo Turquia, África do Sul e Índia, elevaram suas taxas de juros esta semana para tentar conter a baixa de suas moedas. O banco central russo se comprometeu a realizar intervenção cambial ilimitada se o rublo russo sair da faixa definida como meta. Nesta sexta, o banco central da Rússia voltou a elevar a faixa de variação do rublo, promovendo uma correção de 0,25 centavos na moeda. Mas mesmo com as medidas, o dólar continuou ganhando força.

O Banco Central voltou a realizar hoje leilões de venda de dólares com compromisso de recompra futura, os chamados leilões de linha. Esses leilões funcionam como um empréstimo de moeda no mercado à vista. Foram ofertados até US$ 2,3 bilhões, em dois leilões, que correspondem a uma rolagem de operações que vencem no início de fevereiro. O BC anunciou o leilão de linha após o Federal Reserve, o banco central americano reduzir em mais US$ 10 bilhões a compra de títulos, nesta semana. A inciativa também ajudou a moeda americana a fechar em queda de 0,90% frente ao real, ontem, cotado a R$ 2,413.

Também foi realizado o leilão regular de contratos de swap cambial, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Foram ofertados 4 mil contratos, no total de US$ 200 milhões.

Bolsa começa o dia em queda

Na Bolsa de Valores de São Paulo, começou negativo desde a abertura, chegou a ficar positivo no começo da tarde, mas voltou a cair. Ás 15h30, o índice de referência do mercado (Ibovespa) perdia 0,06% aos 47.214 pontos e volume negociado de R$ 3,9 bilhões. No exterior, o dia também é de pessimismo nos mercados da Europa e dos EUA, que recuam.

Os papéis preferenciais classe A da Vale recuam 0,03% a R$ 29,77. A Vale anunciou a proposta de remuneração mínima aos acionistas para este ano, que chega a US$ 4,2 bilhões. O número ficou abaixo dos US$ 4,5 bilhões distribuídos em 2013.

As ações preferenciais da Petrobras sobem 1,83% e valem R$ 14,98, se afastando do valor mínimo dos último 8 anos (R$ 13,60) atingido ontem. A Petrobras anunciou sua produção total em dezembro, que aumentou 0,8% no Brasil, para 2,362 milhões de óleo equivalente barris por dia. A produção média de petróleo em 2013 foi de 1,93 milhão de barris/dia, abaixo da meta da companhia, que ficava 1,96 milhão e 2,04 milhões de barris/dia. Mesmo assim, os analistas já esperavam uma média menor, mas apontam que o rimo cresceu desde agosto, com menor número de paradas para manutenção e novos poços sendo explorados.

Ontem, o Ibovespa teve a quinta queda dos últimos seis pregões, na contramão das Bolsas americanas que subiram, refletindo resultados positivos de empresas e o aumento do gasto dos consumidores, que cresceu ao maior ritmo em três anos. O crescimento do PIB americano também animou os investidores. Hoje, a agenda de indicadores econômicos está mais fraca e o mercado deve manter a preocupação com as economias de países emergentes.

“Embora as preocupações com a piora nos mercados emergentes tenham diminuído e o cenário posterior ao tapering (redução no estímulo monetário do banco central dos Estados Unidos) não tenha sido o banho de sangue que alguns esperavam, ainda existe o medo de que haja um barril de pólvora prestes a explodir”, disseram em relatório analistas da Capital Spreads.

O crescimento de 1,9% do PIB americano no ano passado também é uma sombra sobre os emergentes, já que reforça a percepção de que o Federal Reserve, o banco central americano, deverá continuar retirando os estímulos à economia nas suas próximas reuniões. Apenas no segundo semestre de 2013, a economia americana cresceu 3,7%. Essa melhora começa a atrair recursos que antes eram destinados aos países emergentes.

Para o estrategista da corretora SLW, Pedro Galdi, o crescimento da economia americana, no quarto trimestre, só não foi melhor devido ao inverno rigoroso nos EUA. Assim, pode ganhar força no mercado a percepção de que o Fed aceleraria a retirada dos estímulos, trazendo mais stress aos emergentes.

– Se essa percepção crescer, o mercado pode estressar ainda mais. O resultado é mais pressão sobre as moedas dessas nações. As Bolsas de Valores também são afetadas, com os investidores retirando seus recursos de mercados considerados mais arriscados – avalia Pedro Galdi.

Na Europa, as Bolsas caem após a divulgação de mais uma desaceleração da inflação na zona do euro. O índice de preços ao consumidor da zona do subiu 0,7% em janeiro na comparação com igual período do ano passado. Em dezembro, o indicador havia subido 0,8%. Esse é o quarto mês consecutivo que a inflação da zona do euro fica abaixo de 1%. Também decepcionaram as vendas reais do varejo na Alemanha, que apresentaram queda de 2,4% em dezembro em relação ao mesmo mês de 2012.

Nos Estados Unidos, as Bolsas abriram em queda. O S&P 500 perde 0,38%; o Dow Jones recua 0,68% e o Nasdaq tem queda de 0,36%, devolvendo os ganhos dos últimos dias.

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