terça-feira, 28 junho, 2022
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Desvendado genoma do tubarão-elefante

WASHINGTON – Uma espécie peculiar de tubarão pode ser a chave para o desenvolvimento de novas terapias para a osteoporose. Apesar de serem animais cartilaginosos, a comparação do genoma do tubarão-elefante, também conhecido como tubarão-frade ou tubarão-peregrino, com o DNA humano possibilitou que cientistas identificassem uma sequências de genes responsável pela formação dos ossos.

O tubarão com focinho de elefante tem uma aparência no mínimo curiosa, mas não foi esse o motivo que o levou a ser escolhido pelos pesquisadores da Universidade de Medicina de Washington, nos Estados Unidos. Tubarões, raias e quimeras são de uma antiga linhagem de vertebrados com mandíbula e representam uma raridade evolutiva. Entre eles, o tubarão-elefante é o que possui o genoma mais compacto, com apenas um terço do tamanho do humano.

“Agora temos o código genético de uma espécie que é considerado fundamental para a compreensão da evolução e da diversidade de vertebrados ósseas, incluindo seres humanos. Embora os vertebrados cartilaginosas e ósseos tenham divergido cerca de 450 milhões de anos atrás, com o genoma do tubarão-elefante na mão podemos começar a identificar adaptações genéticas importantes na árvore evolutiva”, afirmou Wesley Warren, professor de pesquisa genética no Instituto Genoma da Universidade de Medicina de Washington, em artigo publicado na revista “Nature”.

Ao analisar o genoma da espécie e compará-lo com outros, os cientistas descobriram uma família de genes que está ausente na tubarão-elefante, mas presente em todos os vertebrados ósseas, incluindo galinha, vaca , rato e humano. Os pesquisadores, então, eliminaram uma parte dessa família de genes do peixe-zebra, que possui semelhança genética de 70% com os humanos, e observaram uma redução na formação óssea.

O resultado do teste, segundo os pesquisadores, evidencia a importância dos genes para a estrutura dos ossos e, por isso, pode ter grande implicação na compreensão de doenças ósseas como a osteoporose e para o desenvolvimento de terapias mais eficazes para o seu tratamento.

Resposta imune mais eficiente

Na análise genômica, os cientistas também observaram que o tubarão-elefante não possui células especiais do sistema imunológico que são essenciais para a defesa contra infecções virais e bacterianas e para a prevenção de doenças autoimunes, como diabetes e artrite reumatoide. No entanto, eles apresentam boas respostas imunes e vivem cerca de 50 anos, o que pode fornecer boas pistas das origens moleculares da imunidade adaptativa.

Na comparação com outros genomas, os pesquisadores se surpreenderam com a pouca velocidade de evolução do tubarão-elefante que, segundo eles, é a mais lenta entre todos os vertebrados, incluindo o celacanto, um peixe pré-histórico conhecido popularmente como um “fóssil vivo”.

“O genoma em evolução lenta do tubarão elefante é provavelmente o melhor representante para o ancestral de todos os vertebrados com mandíbula que se extinguiram há muito tempo. É uma pedra fundamental para melhorar a nossa compreensão do desenvolvimento e da fisiologia humana e de outros vertebrados”, disse o líder do estudo, Byrappa Venkatesh, pesquisador do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A * STAR, na sigla em inglês), em Cingapura.

O tubarão-elefante vive nas águas ao largo da costa sul da Austrália e da Nova Zelândia, em profundidades de 200 a 500 metros. Ele usa seu focinho para escavar crustáceos no fundo do fundo do oceano.

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