sexta-feira, 24 junho, 2022
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Depois de ter programa de TV suspenso, humorista egípcio prepara retorno às telas

CAIRO – Num país dividido entre grupos laicos pró-Exército e religiosos favoráveis ao presidente islamista deposto Mohamed Mursi, as piadas de Bassem Youssef conseguiram incomodar os dois lados. E lhe renderam uma punição. Depois de ter seu contrato suspenso três meses atrás pelo canal egípcio CBC, o maior comediante do Egito prepara sua volta ao ar com provocações ainda mais diretas direcionadas tanto aos islamistas quanto ao fervor militar e nacionalista que tomou o país após a derrubada de Mursi. E desta vez, em tese, sem chance de censura: seu talk show vai ao ar no canal MBC Masr, de propriedade de uma empresa saudita.

O cardiologista de 40 anos e língua afiada foi catapultado à fama quando, inspirado pela revolução popular que destituiu o ditador Hosni Mubarak, em 2011, começou a fazer esquetes satíricas no YouTube da área de sua casa e um mural de fotos amadoras da Praça Tahrir, epicentro dos acontecimentos. Os quadros se chamavam “O Show do B+” – em referência ao próprio tipo sanguíneo de Youssef – e, em apenas três meses, alcançou incríveis cinco milhões de acessos com uma mãozinha do Twitter, que ele usa ativamente para conversar com seu público.

Na CBC, seu programa de TV também marcou níveis sem precedentes de audiência. Comparado ao americano Jon Stewart, Youssef chegou a entrar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista “Time” no ano passado. Tudo ia bem para o agora ex-médico. Até criticar, em outubro passado, o governo islamista de Mohamed Mursi e também o que chamou de idolatria do chefe das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi. Num comunicado, a CBC disse que as opiniões não refletiam as da empresa e alegou, ainda, que ele atacou símbolos do Estado. O programa foi tirado do ar.

O governo negou qualquer responsabilidade pelo fim do talk show, mas Youssef foi investigado por causa do último episódio, sob acusações de insultar o Egito e seus líderes militares e de prejudicar a ordem pública. No governo Mursi ele também fora detido por insultar o presidente e o Islã. Prestes a reestrear com o país ainda polarizado, o desafio de fazer humor é ainda maior. Ele se preocupa, mas não se intimida:

– Nós nunca nos autocensuramos. Não é sobre o que dizemos do governo ou não dizemos, é sobre fazer as pessoas as rirem e se divertirem.

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