quarta-feira, 29 junho, 2022
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Cautela dos investidores faz dólar fechar pregão estável, negociado a R$ 2,35

SÃO PAULO – Depois de passar todo o dia em queda frente ao real, o dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira estável. A moeda americana encerrou cotada a R$ 2,354 na compra e R$ 2,356 na venda. O mercado trabalhou na expectativa da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que vai definir a nova taxa de juros do país. Na máxima do dia, a moeda foi cotada a R$ 2,359 (alta de 0,12%) e na mínima chegou a R$ 2,342 (baixa de 0,59%).

O dólar recuou durante todo o pregão com os investidores de olho na entrada de recursos no país após as recentes captações da Petrobras e do BNDES. Mas, no final da sessão, prevaleceu a cautela antes da definição da nova taxa de juro do país e da divulgação dos dados do Livro Bege, compêndio de informações sobre a economia americana produzido pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

– O dólar encerrou estável, com os investidores esperando a decisão do Copom e os números do Livro Bege – avalia Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

A Petrobras concluiu ontem a emissão de títulos no exterior no montante de3,05 bilhões de euros e 600 milhões de libras esterlinas, numa operação envolvendo títulos com vencimento em quatro, sete, 11 e 20 anos. O BNDES está fazendo uma captação de 650 milhões de euros. Rumores no mercado dão conta que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também devem fazer captações no exterior.

Mesmo assim, analistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o ambiente mais favorável a operações no mercado de capitais pode durar pouco. A expectativa é que as emissões se concentrem no primeiro semestre de 2014. Bancos de investimentos responsáveis por essas operações estimam que elas podem chegar a US$ 35 bilhões, resultado próximo ao de 2013, quando foram captados US$ 36 bilhões.

Nesta quarta, o Banco Central deu continuidade ao seu programa de ‘ração diária’ de dólares ao mercado ao oferecer mais quatro mil novos contratos de swap cambial tradicional, totalizando US$ 197,9 milhões. A operação equivale a uma oferta de moeda americana no mercado futuro. Amanhã, o BC inicia a rolagem dos contratos de swap cambial que vencem em 3 de fevereiro. Estão programados para vencer 220.550 contratos, o equivalente a US$ 11,028 bilhões.

O BC também informou que o saldo entre a entrada e a saída de dólares no país ficou negativo em US$ 1,217 bilhão em janeiro até sexta-feira passada. Em janeiro, até o dia 10, a balança comercial influenciou negativamente o resultado com déficit de US$ 172 milhões. O fluxo financeiro no período ficou negativo em US$ 1,045 bilhão.

Mercado está de olho na reunião do Copom

O mercado trabalhou nesta quarta-feira na expectativa da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina hoje. Analistas estavam divididos entre uma alta de 0,25 e 0,50 ponto percentual da Selic, a taxa básica de juro. Se a taxa subir 0,5 ponto percentual (de 10% ao ano para 10,5%) o mercado avalia que o governo passará uma mensagem de austeridade, de comprometimento em derrubar a inflação. Com isso, o dólar poderá se manter no atual patamar. Mas se a Selic subir apenas 0,25 (de 10% a 10,25%), a avaliação é que o impacto pode ser negativo e o dólar ficar mais pressionado. A alta acima do esperado da inflação em dezembro elevou as apostas numa alta de 0,5 ponto percentual.

“O mínimo que se espera é uma decisão firme de elevação da Selic para 10,50%, para que não ocorra a deterioração da inflação, o que seria preocupante para um ano que se inicia com todo tipo de prognóstico negativo”, diz em relatório o economista Sidnei Nehme, da corretora NGO.

– Uma alta mais forte do juro também deve contribuir para que o real ganhe força frente ao dólar, já que tende a atrair investidores estrangeiros – diz um operador de corretora de câmbio.

Para os economistas do Itaú Unibanco, o Copom deverá elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mesmo com a alta inesperada da inflação em 2013, que fechou o ano em 5,91%. Mas os economistas do banco reconhecem que a curva de juros futuros está precificando uma elevação de 0,5 ponto percentual.

No mercado de juros futuros, as taxas terminaram em queda, depois de terem subido no início da sessão, com os investidores na expectativa do resultado da reunião do Copom. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2015 recuou de 10,78% para 10,74%; os papéis com vencimento em janeiro de 2017 recuaram de 12,37% a 12,32% e os contratos com vencimento em janeiro de 2021 caíram de 13,09% para 13,01%

Bolsa inicia pregão em alta

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações, fechou em alta e voltou ao patamar dos 50 mil pontos influenciado por Petrobras. O índice subiu 0,81% aos 50.105 pontos, mas com baixo volume negociado de R$ 5,5 bilhões. No Brasil, os investidores estavam na expectativa pela decisão do Copom em relação ao juro. Mas um relatório do Banco Mundial com previsões mais positivas para o crescimento econômico global trouxe de ânimo aos pregões. Os principais índices americanos estavam em alta durante a tarde, e as Bolsas europeias fecharam com valorização. Novos números da economia americana, mostrando aceleração do crescimento, também estimularam a compra de ações no exterior.

– As Bolsas mundiais subiram com o relatório do Banco Mundial que apontou que o crescimento mundial será puxado pelos países ricos, entre eles os Estados Unidos. Isso animou a compra de ações lá fora e a Bovespa acompanhou esse movimento – avalia o estrategista da SLW Corretora, Pedro Galdi.

O Banco Mundial estimou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve expansão de 2,2% em 2013 e que o crescimento será de 2,4% em 2014, de acordo com seu relatório bianual “Perspectivas Econômicas Globais” divulgado nesta terça-feira. O resultado nos dois anos seria portanto abaixo da média do crescimento global – de 2,4% e 3,2%, respectivamente – calculada pela instituição.

Para a zona do euro, o Banco Mundial estima crescimento de 1,1% neste ano, após contração de 0,4% no ano passado, e cresça 1,4% em 2015. Pela previsão do Banco Mundial, o crescimento global mundial deve ser de 3,2% em 2014, após expansão de 2,4% no ano passado. A expectativa é que a taxa de crescimento avance para 3,4% em 2015. Com esses números, as Bolsas europeias fecharam em alta e atingiram seu maior patamar em 5 meses. O principal índice da Bolsa de Frankfurt, Dax, teve alta de 2,03%. A Bolsa de Paris subiu 1,35%.

Entre as ações mais negociadas do Ibovespa, Vale PNA subiu 1,44% a R$ 30,23; Itaú Unibanco subiu 0,03% a R$ 31,25 e Bradesco PN avançou 0,57% a R$ 27,85. As ações da Petrobras tiveram alta expressiva, reagindo a informações publicadas pelo jornal “Folha de S. Paulo” de que a gasolina teria um novo reajuste em junho. Esse aumento poderia inclusive ser antecipado para evitar pressões inflacionárias próximo ao período eleitoral. Os papéis preferenciais da Petrobras subiram 2,16% a R$ 16,04, enquanto as ações ordinárias ganharam 3,20% a R$ 15,12.

A maior alta do índice foi apresentada pelos papéis ordinários da Duratex, com ganho de 3,64% a R$ 12,54, após recomendação de compra das ações pelo banco Credit Suisse. A maior queda foi apresentada pelas ações da Eletrobras. Os papéis PNB perderam 3,72% a R$ 9,57, enquando as ações ordinárias recuaram 1,57% a R$ 5,65. Os papéis caíram com a notícia de que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou que a Eletrobras devolva R$ 2,04 bilhões para a Reserva Global de Reversão (RGR), um dos encargos incidentes sobre as tarifas de energia e que são administrados pela estatal, no prazo de 30 dias. Segundo a agência, a equipe de fiscalização financeira verificou que houve o recolhimento desse recursos pela empresa, mas não há registro de repasse ao fundo setorial.

Ainda no exterior, o mercado esperou a divulgação do Livro Bege, relatório sobre as condições econômicas dos Estados Unidos, elaborado pelo Federal Reserve. O livro, divulgado após o fechamento da Bovespa, indicou que a economia americana está se recuperando desde novembro.

Novos dados sobre a economia dos EUA, divulgados nesta quarta, confirmaram essa tendência. Os preços ao produtor nos Estados Unidos registraram o maior aumento em seis meses em dezembro. O Departamento do Trabalho informou nesta que seu índice de preços ao produtor ajustado avançou 0,4% no mês passado, a maior alta desde junho, após ter caído 0,1% em novembro.

E a atividade industrial Empire State de janeiro subiu para 12,5 pontos ante 2,22 pontos em dezembro e registrou melhor nível desde 2012.

“O resultado de hoje aponta para forte progresso na atividade industrial, mesmo com os possíveis efeitos negativos da condições climáticas”, afirmou Annalisa Piazza, economista do Newedge Strategy.

Também contribui para o otimismo dos investidores a divulgação do lucro do Bank of America, que subiu mais de oito vezes no quarto trimestre de 2013, para US$ 3,183 bilhões e superou as expectativas do mercado. De acordo com o banco, o resultado foi influenciado por uma redução de 71% no prejuízo da divisão de imóveis.

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