sexta-feira, 1 julho, 2022
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Área equivalente ao Brasil pode estar degradada até 2015

DAVOS – O mundo pode perder 849 milhões de hectares – uma área equivalente ao Brasil – até 2050, se os padrões utilizados atualmente para o uso da terra forem mantidos. O alerta é do novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), lançado nesta sexta-feira durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. De acordo com o documento, a necessidade de aumentar a produção de alimentos, devido ao crescimento da população, e a criação de um mercado global do agronegócio impulsionam a degradação do solo.

O estudo, chamado “Avaliação global de uso da terra: equilíbrio entre o consumo e a produção sustentável”, foi produzido pelo Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês) e ressalta a importância do consumo responsável e de técnicas sustentáveis de plantio para frear a ocupação nociva do solo.

A agricultura ocupa atualmente 30% da terra em todo o mundo, e é a causa do desgaste e da perda da biodiversidade em 23% dos solos globais. Somente entre 1961 e 2007, as terras cultivadas sofreram expansão de 11%. Segundo o relatório, a tendência é que o índice continue a subir.

Além disso, a migração de populações rurais para cidades deve expandir as áreas urbanas em 15 bilhões de hectares até 2050, o equivalente a 5% das terras do planeta.

“As conclusões do IRP mostram um declínio acentuado nos ecossistemas terrestres nas últimas décadas. Florestas e outros biomas foram convertidos em terras para cultivo a um custo que não é sustentável”, afirmou o subsecretário Geral da ONU e diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner. “Como a terra é um recurso limitado, precisamos nos tornar mais eficientes na forma de produzir e consumir. As recomendações do relatório devem alertar líderes e contribuir para as discussões sobre o uso sustentável de recursos, incluindo novas metas para o desenvolvimento sustentável pós-2015”.

Agronegócio impulsiona degradação

O relatório aborda o papel do agronegócio no aumento da degradação das terras, por impulsionar a concentração do mercado e o uso de pesticidas e fertilizantes. De acordo com o documento, em 2005, dez corporações controlavam metade das vendas de sementes no mundo, as cinco maiores companhias de comércio de grãos ocupavam 75% do mercado e os dez maiores produtores de pesticidas forneciam 84% dos produtos do setor.

Produzido por 27 cientistas, 33 representantes de governos e outros grupos, o estudo aponta que mais da metade de todos os fertilizantes sintéticos de nitrogênio produzidos na História foram utilizados nos últimos 25 anos.

No entanto, o relatório afirma que ainda é possível reverter a situação. O Pnuma afirma que cerca de 319 milhões de hectares poderiam ser preservados até 2050 com as seguintes medidas: investimentos para a recuperação de solos degradados; melhorias nas técnicas de plantio; intensificação de práticas sustentáveis; monitoramento do uso de terra; redução do desperdício; e diminuição do subsídio em plantações utilizadas para a produção de combustíveis.

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