quarta-feira, 25 maio, 2022
em conformidade com o que estabelece a junta comercial do es - jucesspot_img

Aniversário da queda de Mubarak tem 29 opositores mortos no Egito

CAIRO – Depois de uma sexta-feira violenta, que terminou com seis mortos em quatro ataques reivindicados pelo grupo extremista Ansar Beit al-Maqdis, ligado à al-Qaeda, o Egito assistiu a duas cenas conflitantes neste sábado. Enquanto dezenas de milhares tomavam a Praça Tahrir para demonstrar apoio aos militares no comando do país, manifestantes pró-Irmandade Muçulmana entravam em confronto com as forças de segurança do governo no Cairo e em outras cidades do país, deixando 29 mortos, segundo divulgou o ministro da Saúde do país.

Na praça Tahrir, símbolo do movimento que resultou na queda do governo de Hosni Mubarak, em 2011, poucos comemoravam os três anos sem o ditador. A maioria cantava slogans e carregava cartazes a favor do general Abdel Fattah al-Sisi, chefe das Forças Armadas e possivelmente candidato a presidente nas eleições previstas para este ano. Uma banda animava os manifestantes e ambulantes vendiam camisetas com a foto de Sisi. Nos arredores da praça, integrantes da força de segurança munidos de detectores de metais tentavam evitar a entrada no local de opositores ao governo.

Eleições em até seis meses

Mas em outras áreas do Cairo, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e atirou contra os manifestantes pró-Irmandade Muçulmana. Na cidade de Suez, um carro-bomba explodiu perto de uma estação da polícia, sem vítimas. Confrontos entre a polícia e opositores do governo fizeram duas vítimas em Minya, no sul do Egito, e uma em Alexandria.

Os distúrbios no Egito aumentaram quando, em julho do ano passado, depois de novas manifestações populares, os militares depuseram Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, o primeiro presidente escolhido em eleições livres da era pós-Mubarak.

Ex-chefe da inteligência militar no governo Mubarak, Sisi é franco favorito caso dispute a presidência. Mas a Irmandade Muçulmana o acusa de minar os ganhos pós-ditadura. O governo militar colocou na prisão os principais líderes e declarou o grupo como terrorista. Mas as medidas severas não conseguiram pacificar o país.

Em meio aos confrontos, o relato de um jornalista australiano preso no Cairo reforça o discurso de grupos de direitos humanos, que acusam o governo de usar força excessiva. Peter Greste e outros dois jornalistas da rede al-Jazeera foram presos em 30 de dezembro acusados de encontros ilegais com a Irmandade Muçulmana. Em carta divulgada ontem, Peter afirma que não foi “formalmente acusado, muito menos condenado por qualquer crime”. Ele diz que passou uma noite na solitária e que sua prisão é “um ataque à liberdade de expressão no Egito”.

POSTAGENS RECENTES

EDITORIAS

Relacionadas