Domingo, 1 de Novembro de 2026 | 01h58m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Exterior

G20 deve dar maior peso a Gaza do que à Ucrânia em declaração, em vitória para emergentes

FolhaPress 18/11/2024 16:09

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os países do G20 devem dar maior ênfase aos conflitos no Oriente Médio do que à Guerra da Ucrânia na declaração de líderes que está sendo negociada entre as maiores economias do mundo.

Feliz Automóveis

De acordo com uma versão do documento obtida pela Folha de S.Paulo, o grupo —neste ano presidido pelo Brasil— destaca o imenso sofrimento humano e os impactos adversos causados por guerras e conflitos ao redor do mundo.

Dizem ainda que existe uma situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza e citam a escalada no Líbano. Em outro trecho, enfatizam a necessidade urgente de se aumentar o fluxo da assistência humanitária para a proteção de civis.

Apesar de ressaltar as consequências da guerra, Israel não é apontado no texto como o responsável pela situação de crise humanitária —a menção nesse sentido a Tel Aviv poderia gerar um veto dos Estados Unidos.

SESC 20 DE OUTUBRO

"Afirmando o direito palestino da autodeterminação, nós reiteramos nosso compromisso inabalável com uma solução de dois Estados em que Israel e um Estado Palestino convivam lado a lado em paz, dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, consistentes com a lei internacional e resoluções relevantes da ONU", diz o documento. O texto ainda apoia uma cessar-fogo abrangente em Gaza e no Líbano.

A inclusão da crise humanitária no território palestino era uma exigência de Brasil, árabes e outras nações em desenvolvimento, como a África do Sul. Países do G7, por outro lado, pressionaram para que a Guerra da Ucrânia recebesse o mesmo tratamento.

Na queda de braço, os emergentes prevaleceram —a declaração dedica 25 linhas ao conflito de Gaza, enquanto a Ucrânia recebe 14. Um parágrafo sem menção específica ao conflito, no entanto, rechaça o uso de armas nucleares, algo que o líder russo, Vladimir Putin, vem ameaçando fazer.

CONTADOR - BONUS

Na cúpula do G20 em Nova Déli (Índia), no ano passado, a declaração dedicou quatro parágrafos ao conflito na Ucrânia, em um total de 28 linhas. A guerra em Gaza ainda não havia eclodido.

A declaração deste ano é amena em relação à Rússia —ao contrário da anterior, não menciona o nome do país no contexto do conflito na Ucrânia. No ano passado, havia também condenação a ataques contra infraestrutura, ao contrário deste ano.

No texto atual obtido pela Folha de S.Paulo, os membros do G20 ressaltam o sofrimento humano da guerra da Ucrânia e os impactos negativos do conflito nas cadeias de suprimento e na estabilidade financeira, na inflação e no crescimento dos países.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Também diz que são bem-vindas as iniciativas relevantes e construtivas para uma paz duradoura no Leste Europeu que levem em conta os princípios das Nações Unidas para a promoção das relações amigáveis entre os países.

Os parágrafos sobre geopolítica eram os mais delicados do texto e foram fechados nas últimas horas.

No domingo (17), devido a um ataque russo contra infraestrutura de energia na Ucrânia, países europeus tentaram obter uma condenação mais firme contra a ação militar da Rússia no documento final.

Antes de mencionar as guerras na Ucrânia e em Gaza, o texto destaca princípios das Nações Unidas.

De forma geral, diz que todos os países devem atuar de uma forma consistente com princípios da Carta da ONU. "Em linha com a Carta da ONU, todos os estados devem evitar ameaças e o uso da força para buscar adquirir território contra a integridade territorial e a soberania dos países", afirma a redação.

Compartilhe esta notícia