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Fundação apoiada pelos EUA que distribui comida na Faixa de Gaza usa rede social para comunicar entregas

FolhaPress 28/06/2025 15:38

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Distribuir mantimentos e itens de ajuda humanitária na Faixa de Gaza é uma iniciativa complexa em um território devastado após mais de um ano e meio de guerra. São cerca de 2 milhões de pessoas na faixa e prover insumos essenciais para toda a população depende, em primeiro lugar, de uma logística operacional robusta.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Fundação Humanitária de Gaza (FHG), que começou a operar no fim de maio, com aval do governo de Israel e apoio dos Estados Unidos, divulgou as primeiras distribuições em publicações numa página do Facebook. Nada além disso foi feito para comunicar a população, segundo relata à Folha o ativista palestino Abed Al-Wahab Hamad, que vive na Cidade de Gaza.

O jovem de 29 anos afirma que a fundação não conversa com as pessoas. "Eles começaram a usar as redes sociais, particularmente o Facebook, para compartilhar postagens sobre quando, como e onde serão feitas as distribuições", diz.

De todo modo, a população precisa ter acesso a plataformas de redes sociais e de condições para carregar os dispositivos eletrônicos. Israel já bloqueou o fornecimento de energia à Faixa de Gaza repetidas vezes.

Segundo Hamad, a maioria da população não tem acesso real à eletricidade estável desde o início da guerra, em outubro de 2023. "Como não há eletricidade, as pessoas geralmente carregam seus telefones com energia solar. Todos os bairros têm painéis solares para que a população possa carregar seus aparelhos ou estações de recarga no qual os dispositivos podem ser recarregados", afirma.

SESC PICASSO

Os sistemas são comunitários, em maioria, devido à destruição causada pelos ataques israelenses. Segundo dados da organização humanitária Shelter Cluster, 92% das casas e apartamentos de toda a Faixa de Gaza foram destruídos (37%) ou danificados (63%) e, além disso, 70% de todas as estruturas construídas do território estão na mesma situação, segundo o Centro de Satélites da ONU.

A dificuldade de comunicação prejudica, inclusive, as equipes de trabalhadores humanitários que atuam para resgatar mortos e feridos após ataques. Sem sinal estável de telefonia e com interrupções constantes no acesso à energia dos sistemas improvisados, os times trabalham muitas vezes sem conseguir se comunicar com as pessoas próximas às áreas atingidas, afirma Hamad.

CONTADOR - BONUS

As interrupções, além de resultado secundário dos ataques aéreos, podem ser também produto de incursões direcionadas. Em 12 de junho, a Autoridade Palestina acusou Israel de atacar propositalmente as estruturas de telecomunicações do território, algo que, segundo o ministério ligado à representação, "ameaça cortar completamente a Faixa de Gaza do mundo exterior".

Israel rotineiramente justifica os ataques ao afirmar que miram instalações do Hamas, não de civis. Ao ser perguntado sobre como (e se) é feito contato entre o grupo Hamas e a população, Hamad diz: "É melhor eu não falar sobre isso. Para a minha própria segurança".

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