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Frota de ataque de Putin chega à Venezuela após visitar Cuba

FolhaPress 02/07/2024 15:47

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após visitar Cuba, uma flotilha de ataque naval da Rússia chegou nesta terça (2) à Venezuela, outro país da região do Caribe aliado de Moscou e antagonista dos Estados Unidos. A ditadura de Nicolás Maduro enfrenta eleições presidenciais vistas como farsescas daqui a um mês.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O grupo é formado por embarcações da Frota do Norte russa, baseada no Ártico, e tem considerável poder de fogo. Ele inclui o submarino de ataque com propulsão nuclear Kazan e a fragata Almirante Gorchkov, ambos capazes de operar mísseis hipersônicos Tsirkon e de cruzeiro Kalibr.

Os modelos são empregados na Guerra da Ucrânia. Completam a flotilha o navio-tanque Acadêmico Pachin e o rebocador Nikolai Chiker. É o mesmo grupo que esteve em Havana de 12 a 17 de junho, após manobras simulando ataque a alvos a longa distância no Atlântico Norte.

Os navios chegaram a La Guaira, porto logo ao norte da capital venezuelana, Caracas. Segundo a agência de notícias RIA Novosti, não há previsão de quanto tempo a missão russa irá durar na região.

SESC PICASSO

Ela está longe de ser inédita. Moscou é um dos principais aliados de Maduro, um relacionamento que já foi mais estreito, de todo modo. Durante o governo do antecessor do atual líder, Hugo Chávez, Caracas fez barulho continental ao tornar-se a principal cliente militar russa na região.

A partir de 2005, os venezuelanos equiparam suas Forças Armadas com toda sorte de arma, de rifles Kalachnikov a aviões de caça Sukhoi Su-30, passando por tanques, blindados e os temidos sistemas de defesa antiaérea S-300, os mais poderosos da América Latina.

O estado miserável da economia venezuelana, contudo, arrefeceu os negócios, que envolviam pesadamente a petroleira estatal russa Rosneft. Mesmo os armamentos, segundo especialistas, têm sua disponibilidade colocada em dúvida por problemas de manutenção e pós-venda.

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Seja como for, a Venezuela sempre fez valer o peso da amizade com Vladimir Putin, que já enviou até bombardeiros supersônicos com capacidade de ataque nuclear Tupolev Tu-160 para o país caribenho. Recentemente, Maduro ensaiou uma ida a Moscou durante a crise com a Guiana, na qual decretou a anexação de parte do vizinho, mas voltou atrás.

Visitas de navios ocorrem com certa regularidade, mas há muito uma flotilha tão significativa não aportava na região. Para Moscou, é um sinal simbólico claro aos EUA acerca de sua capacidade de ainda projetar minimamente poder, embora isso seja garantido na verdade pelo seu arsenal de mísseis intercontinentais com ogivas nucleares.

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Enquanto Putin se engalfinha com o Ocidente em torno da crise na Ucrânia, contudo, despachar navios de guerra capazes, particularmente o moderno submarino Kazan, para o quintal estratégico dos americanos é uma demonstração de força.

A pequena frota foi enviada após os EUA autorizarem o uso limitado de suas armas por Kiev contra território russo, piorando ainda mais o clima entre as potências nucleares.

Para Maduro, é um sinal trocado. O ditador está a um mês de uma eleição presidencial na qual os opositores foram presos ou proibidos de concorrer, desta forma a presença russa é uma espécie de reafirmação do regime de que não está totalmente sozinho.

Por outro lado, ele havia afirmado na véspera que estava pronto para voltar a negociar com os Estados Unidos, visando o fim de sanções a seu setor petrolífero que foram retomadas por Washington em abril. É incerto o peso que a visita dos russos terá no processo.

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