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Flotilha se aproxima de Gaza e fala em 'manobras de intimidação' de Israel

FolhaPress 01/10/2025 12:39

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A flotilha Global Sumud, que tenta furar o bloqueio de Israel e entregar ajuda a Gaza, afirmou que embarcações israelenses teriam se aproximado de alguns de seus barcos e realizado "manobras perigosas e intimidatórias" nesta quarta-feira (1º).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O grupo de cerca de 40 embarcações indicou que prosseguiria a viagem. Segundo a organização, por volta das 2h30 do horário de Brasília, estava ao norte da costa do Egito, a 120 milhas náuticas (220 quilômetros) do território palestino.

A previsão de chegada é entre a noite desta quarta (1º) e a manhã de quinta-feira (2), no horário local (6h à frente de Brasília). Para os organizadores, as próximas 24 horas serão cruciais, dada a expectativa de que navios de Israel interceptem o grupo.

Membros da missão disseram em uma transmissão a jornalistas que duas embarcações de Tel Aviv cercaram dois dos barcos da flotilha, Alma e Sirius. Segundo o ativista brasileiro Thiago Ávila, um dos organizadores da iniciativa, o sinal de celular e de internet foi cortado com a aproximação dos supostos barcos israelenses.

SESC PICASSO

Uma publicação em vídeo na página do Instagram da flotilha mostrava o contorno sombreado do que parecia ser um navio militar com uma torre de canhão próximo aos barcos de ajuda humanitária.

A Reuters confirmou que o vídeo foi filmado a partir do navio Sirius, mas não pôde atestar a procedência da outra embarcação no vídeo nem quando ele foi gravado.

Em entrevista à Folha antes de a flotilha partir, o major Rafael Rozenszajn, um dos porta-vozes das Forças Armadas israelenses, indicou que o país não permitiria que os barcos chegassem a Gaza. "As Forças Armadas vão estar preparadas para garantir que o bloqueio seja aplicado de uma forma absoluta na Faixa de Gaza", disse ele na ocasião.

Autoridades de Tel Aviv não responderam a um pedido de comentário da agência Reuters sobre a suposta aproximação de seus navios. Nas redes sociais, o Exército publicou um post em que acusa os integrantes da flotilha de cumplicidade com o grupo terrorista Hamas.

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Entre os nomes públicos que participam da missão estão a ativista sueca Greta Thunberg, que, junto com Ávila, foi presa e deportada por forças israelenses em uma das empreitadas anteriores do grupo, em junho. Ao menos mais 12 brasileiros estão na tripulação.

As tensões aumentaram nos últimos dias após a flotilha anunciar ter sido alvo de drones a caminho de Gaza. A Itália e a Espanha mobilizaram barcos do Exército para ajudar em possíveis resgates, mas afirmaram que não irão se envolver militarmente.

Essas embarcações europeias acompanhariam o grupo apenas até certo ponto do percurso, por questões de segurança. Questionada pela Folha, representantes da organização não confirmaram se a escolta ainda segue com a flotilha.

Os governos da Itália e da Grécia publicaram uma nota conjunta em que pedem que Israel garanta a segurança de todos os ativistas da missão e "permita todas as medidas de proteção consular". A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, disse que qualquer interceptação da flotilha "seria mais uma violação do direito internacional".

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As últimas tentativas de abrir um corredor humanitário simbólico por mar foram frustradas pelas forças militares israelenses. Renderam, porém, repercussão midiática e maior visibilidade para o movimento contra o bloqueio.

Em maio, a embarcação Conscience foi atingida por dois drones em águas internacionais perto da ilha de Malta, às vésperas de levar 80 integrantes e insumos ao território. Na época, funcionários do governo israelense afirmaram que o barco transportava armamentos ao Hamas, o que foi contestado por uma inspeção maltesa.

A operação atual foi batizada de Global Sumud —"sumud" pode ser traduzido como resiliência, em árabe. Desta vez, a flotilha foi organizada conjuntamente pelos coletivos Global March to Gaza, Sumud Convoy, Sumud Nusantara e coalizão Freedom Flotilla. Eles afirmaram ter arrecadado mais de € 90 mil (R$ 570 mil) em doações.

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