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Flávio e Lula colocam segurança no centro da disputa: veja o que cada um promete para combater o crime

Planos para o segundo turno divergem em temas como facções, uso da força, presídios, fronteiras, câmeras, armas e violência contra a mulher

Vitória News 09/10/2026 07:53
Flávio e Lula colocam segurança no centro da disputa: veja o que cada um promete para combater o crime
Imagem gerada por IA/VN

Segurança pública ganhou peso central na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Os programas apresentados à Justiça Eleitoral mostram diferenças importantes na forma como cada candidato pretende enfrentar facções criminosas, violência urbana, controle das fronteiras e funcionamento do sistema prisional.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os dois defendem maior integração entre União, estados e municípios e dizem que pretendem enfraquecer financeiramente o crime organizado. A partir daí, porém, as estratégias começam a se afastar.

Flávio Bolsonaro propõe classificar organizações como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital e milícias como grupos narcoterroristas. Seu plano também prevê endurecimento de penas, expansão do sistema prisional, ampliação do monitoramento por reconhecimento facial e uma força de elite para atuar nas fronteiras.

Lula, por sua vez, propõe ampliar a coordenação nacional das forças de segurança, fortalecer mecanismos de inteligência e investigação financeira e combinar ações policiais com políticas destinadas à retomada de territórios dominados por grupos armados.

Combate às facções

No enfrentamento ao crime organizado, Flávio defende a prisão de lideranças, o bloqueio dos negócios ilícitos e a desarticulação de esquemas de lavagem de dinheiro.

O programa também sustenta a classificação de facções e milícias como organizações narcoterroristas e prevê ações policiais mais duras contra criminosos fortemente armados.

Lula igualmente propõe atingir financeiramente as organizações criminosas, com prioridade para o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas e munições.

Seu programa acrescenta a retomada de áreas controladas por grupos armados, associando a presença do Estado a investimentos em urbanização, serviços públicos e atividades econômicas formais.

O candidato do PT também menciona medidas para impedir a participação eleitoral de pessoas vinculadas ao crime organizado.

Tecnologia e integração policial

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Flávio propõe implantar um sistema nacional de reconhecimento facial denominado Muralha Brasileira.

A iniciativa prevê mais de 1 milhão de novas câmeras em áreas públicas, portos e aeroportos, conectadas a bancos de dados criminais para ajudar na localização de foragidos e na prevenção de delitos.

Também estão previstos convênios com estados e municípios para investimentos em inteligência, tecnologia, equipamentos e armamentos.

No programa de Lula, a integração passa principalmente pelo fortalecimento de um sistema nacional de segurança pública, compartilhamento de informações e maior coordenação entre os diferentes níveis de governo.

O plano também prevê ampliar o incentivo ao uso de câmeras corporais pelos policiais, com padrões nacionais para armazenamento e utilização das imagens.

Lula pretende ainda avançar com a PEC da Segurança Pública e, caso ela seja aprovada, criar um Ministério da Segurança Pública.

Fronteiras

O combate à entrada de armas e drogas também aparece nos dois programas.

Flávio propõe um Sistema Nacional de Fronteira, com participação de militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além de equipamentos, inteligência e tecnologia voltados à fiscalização de fronteiras terrestres, portos e aeroportos.

Lula defende reforçar a segurança na Amazônia Legal, mantendo a presença das Forças Armadas e ampliando patrulhamento aéreo e fluvial, inteligência policial e cooperação com países vizinhos.

Presídios e penas

Um dos maiores contrastes está na política penal.

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Flávio propõe construir cinco novos presídios federais de segurança máxima e trabalhar com os estados para abrir 500 mil vagas no sistema penitenciário.

Seu programa também defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e tratamento penal mais rigoroso, inclusive para adolescentes a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves.

O plano prevê ainda acabar com a progressão de regime para crimes hediondos e direcionar recursos atualmente destinados a familiares de presos para famílias de vítimas.

Lula propõe modernizar unidades prisionais, ampliar sistemas para bloquear comunicações ilícitas e aumentar a capacidade do sistema penitenciário federal para isolar lideranças criminosas.

Também pretende criar um Centro Nacional de Inteligência Penal para ampliar a troca de informações entre União, estados e Distrito Federal.

Violência contra mulheres

Os dois programas reservam espaço específico para o enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio.

Flávio propõe o monitoramento eletrônico de agressores submetidos a medidas protetivas e o endurecimento das penas.

Também prevê uma plataforma com inteligência artificial para atendimento permanente às vítimas, além da integração de canais de denúncia e sistemas de emergência.

Lula propõe ampliar a rede de proteção, concluir novas Casas da Mulher Brasileira e centros de referência e aumentar a distribuição aos estados de equipamentos para monitorar agressores.

O programa também prevê expansão das Salas Lilás e capacitação das forças de segurança para atendimento especializado às vítimas.

Armas

Outro ponto de diferença está na política de armas.

Lula propõe manter mecanismos de controle e ampliar a rastreabilidade de armas e munições.

Flávio concentra seu programa no aumento da capacidade operacional das forças policiais, com investimentos em equipamentos e armamentos para o combate ao crime organizado.

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Celulares roubados

No combate a roubos e furtos de celulares, Flávio propõe quadruplicar a pena inicial para quem roubar, furtar ou revender aparelhos provenientes de crime.

Lula pretende ampliar o programa Celular Seguro, fortalecer a base nacional de aparelhos com restrição e intensificar ações contra redes de receptação.

Recursos para segurança

Lula prevê destinar R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social para investimentos de estados e municípios em equipamentos e infraestrutura de segurança.

Flávio afirma que pretende dobrar os investimentos federais na área ao longo de quatro anos, embora o documento apresentado pela campanha não detalhe a origem dos recursos.

Castração química

Entre as propostas de Flávio está ainda a defesa, junto ao Congresso Nacional, da adoção de castração química para condenados por determinados crimes sexuais contra mulheres e crianças.

A medida dependeria de alteração legislativa e consiste no uso temporário de medicamentos que reduzem a produção de testosterona.

Duas estratégias para um mesmo problema

Os programas revelam abordagens diferentes para uma das principais preocupações do eleitorado neste segundo turno.

Flávio concentra parte significativa das propostas no endurecimento penal, ampliação do encarceramento, reconhecimento facial e maior capacidade operacional das forças de segurança.

Lula aposta em coordenação federativa, inteligência financeira, controle de armas, políticas territoriais e integração das ações policiais com serviços públicos.

As propostas registradas pelas campanhas indicam as prioridades de cada candidatura, mas várias delas dependem de aprovação do Congresso, regulamentação, disponibilidade orçamentária ou adesão dos governos estaduais para serem colocadas em prática.

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