Festival de Campos do Jordão põe a música das Américas no centro em nova edição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – No frio da Serra da Mantiqueira, o Festival de Inverno de Campos do Jordão se inicia, neste sábado (29), enfatizando o repertório das Américas, com a presença de três orquestras vindas do Chile, do Uruguai e da Colômbia.

A abertura acontece às 20h30, no Auditório Claudio Santoro, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a Osesp, que executará, sob a regência de seu diretor musical, o maestro suíço Thierry Fischer, “Uirapuru”, de Heitor Villa-Lobos e a “Sinfonia nº4”, de Johannes Brahms.

Até o fim de julho, serão mais de 60 concertos em mais outros dois pontos da cidade, o Parque Capivari e a Capela São Pedro Apóstolo. A capital paulista também recebe atrações da 54ª edição do festival, na Sala São Paulo e na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

“Encaramos a música de concerto como um assunto internacional, mas isso não deixa de ser um subproduto da colonização”, diz Fábio Zanon, coordenador artístico e pedagógico do evento.

“Propomos um deslocamento das referências das pessoas, que não conhecem a produção musical dos nossos vizinhos.” Nesse sentido, a Orquestra Sinfônica de Ñuble, do Chile, combina o “Concierto del Sur para Violão e Orquestra”, do mexicano Manuel Ponce, à “Sinfônia nº2”, do alemão Ludwig van Beethoven.

Já a Juvenil Nacional do Sodre de Montevidéu vai enfileirar, em seu programa, compositores uruguaios, como Héctor Tosar, Federico García Vigil, Raúl Jaurena e Jaurés Lamarque-Pons. Para completar, a Orquestra Sinfônica Nacional da Colômbia ainda definirá a peça colombiana que se unirão ao “Concerto para Piano”, de Edvard Grieg, interpretado pelo solista Tomer Lev, e “Sheherazade”, de Rimsky-Korsakov.

De todo modo, a missão mais importante do festival é a formação dos músicos que conseguiram uma das disputadas 137 bolsas oferecidas pela organização. Durante o mês do evento, 65 professores vão desenvolver duas semanas de prática orquestral e duas semanas de música de câmara.

“Quase todos os patrocinadores querem investir nos conjuntos sinfônicos, mas poucos dão importância ao repertório camerístico, que dá a oportunidade do estudante se ouvir, tocando com os seus colegas”, diz Zanon.

Ao término das semanas de prática, os bolsistas formarão a Orquestra do Festival, que é sempre o momento mais aguardado das edições. O primeiro programa ocorre em 20 e 21 de julho e será centrado em “Pássaro de Fogo”, obra-prima de Igor Stravínski. Nas apresentações, eles vão tocar ainda “Pampeana nº3”, de Ginastera, e a “Sinfonia nº6”, de Roberto Sierra. A regência será do chileno Maximiano Valdés.

O segundo programa, sob regência de Marcelo Lehninger, é dedicado à obra “La Mer”, de Claude Debussy, além de “Kabbalah”, de Marlos Nobre, com o pianista Fabio Martino, e também o “Concerto para piano nº1”, de Tchaikóvski. Às orquestras sul-americanas se somam, durante o festival, os ingleses do Quarteto Piatti, além do Geneva Brass Quintet, da Suíça, que trabalhará no polimento do grupo de bolsistas.

Fundado em 1970 pelo então secretário estadual da Fazenda, Luis Arrobas Martins, o festival é considerado o maior evento do país dedicado à música de concerto. Três anos depois, o maestro Eleazar de Carvalho implementou o módulo pedagógico, que seria a marca do festival. Ele unia prodígios a estrelas, como a pianista Maria João Pires, a cantora Kiri Te Kanawa e o maestro Kurt Masur.

FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO

Quando De 29 de junho a 28 de julho; ver programação em festivalcamposdojordão.com.br

Onde Campos do Jordão e São Paulo

Preço Grátis

Classificação Livre

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