Sexta-feira, 9 de Outubro de 2026 | 14h21m
Vitória News — Um jornal de verdade
Torre de Papel
Variedades

'Feito Pipa', com Lázaro Ramos, busca indicação ao Oscar com história de afeto familiar

Estadão Conteúdo 09/10/2026 13:19

É por meio do afeto e da emoção que Feito Pipa, escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027, quer não só avançar na disputa pelo maior prêmio do cinema americano, mas também conquistar o reconhecimento do público nacional. O filme chega aos cinemas no dia 5 de novembro, após passar pelo Festival do Rio, onde teve sua primeira exibição na última terça-feira, 6, e segue em cartaz, e pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O longa dirigido por Allan Deberton (de Pacarrete) acompanha Gugu (Yuri Gomes), menino de 12 anos que é criado com liberdade no sertão cearense pela avó, Dilma (Teca Pereira). Quando ela começa a apresentar sinais de Alzheimer, porém, o garoto precisa confrontar a possibilidade de morar com o pai, Batista (Lázaro Ramos), que desaprova seus gostos. Gugu, afinal, é um menino que gosta de jogar futebol, dançar e se maquiar.

É uma história comovente, que vem encantando plateias desde o começo do ano, quando Feito Pipa estreou no Festival de Berlim, na Alemanha. Saiu premiado com o Urso de Cristal e também com o Prêmio do Júri da Mostra Generation K-Plus, dedicada ao público jovem.

SESC PICASSO

"Quando acabou [a exibição em Berlim], foram 10 minutos de aplausos e muita gente chorando", recorda Lázaro ao Estadão, acrescentando que foi também impactado pela emoção do público brasileiro no Festival de Gramado, em agosto. "É um filme que fala sobre temas atuais, urgentes, importantes, mas que, mais do que conscientizar, sensibiliza. Ele emociona as pessoas, e acho que é uma perolazinha."

Teca Pereira exalta a ligação entre Dilma e Gugu, elemento central no filme. "Ela é alegre, uma mulher livre e que cria esse neto livre também. O amor deles é muito grande. Ele cuidando dela é a coisa mais linda que tem", diz. Ela fala com a reportagem ao lado de Yuri Gomes, que foi escolhido para o papel entre mais de 700 garotos e tem vontade de continuar trabalhando com atuação: "Estou amando ser um miniator."

Allan Deberton dirigiu o longa a partir do roteiro de André Araújo, com quem trabalhou em Pacarrete, e se afeiçoou ao caráter íntimo do projeto. "É um filme brasileiro que tem a facilidade de falar com o brasileiro; o brasileiro de norte a sul, o brasileiro de todas as classes, de todas as cores, porque é um filme cuja essência é o amor, é a família, é o afeto, é o cuidar um do outro, é o se deixar abrir, o se deixar ser feliz, o de se deixar ser autêntico, e eu acho que é isso que a gente precisa, um Brasil que precisa se abraçar."

CONTADOR - BONUS

O Oscar e o público brasileiro

Enquanto se prepara para lançar o filme em circuito nacional, a equipe de Feito Pipa também está em campanha para o Oscar, buscando uma vaga que o Brasil ocupou por dois anos seguidos com Ainda Estou Aqui - que trouxe ao país o primeiro "careca dourado", na categoria de Melhor Filme Internacional - e O Agente Secreto.

O filme trilha um caminho um pouco mais árduo do que o dos antecessores, que chegaram a esta época do ano já apoiados por duas grandes distribuidoras americanas: a Sony Pictures Classics, no caso do longa de Walter Salles, e a Neon, no de Kleber Mendonça Filho. Feito Pipa, embora tenha assegurado distribuição em outros países, ainda não tem um contrato nos Estados Unidos - mas está "muito perto" de fechar, conta Allan. No momento, a estratégia mira a entrada na shortlist, a lista de pré-indicados que será divulgada em dezembro.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"É realmente desafiador compor uma shortlist, mas estamos muito confiantes porque é um filme que se conecta facilmente com as pessoas, e o grande desafio é fazer com que o filme chegue às pessoas; estamos tentando isso da melhor forma", explica.

Lázaro assina embaixo. "É difícil, é um desafio; a gente vai começar uma campanha grande, vamos trabalhar. Eu acho que o filme tem méritos para isso, né? A gente já viu a recepção que ele tem, a recepção da crítica e do público."

Tanto o cineasta quanto o astro, no entanto, ressaltam a importância de o filme ser visto em seu país natal - e, nesse sentido, o rótulo ligado à premiação pode ajudar. "Ajuda principalmente a dar visibilidade no próprio país", diz o ator. "Claro que é importante o filme poder ser vendido lá fora, mostrar um outro tipo de filme que o cinema brasileiro faz, mas eu acho que tem algo mais especial que é podermos falar sobre esse filme para o público ir para o cinema assistir, para que nós mesmos, brasileiros, nos conectemos com ele."

*A jornalista viajou a convite do Festival do Rio

Compartilhe esta notícia
Feliz Automóveis

Notícias Relacionadas