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Falta de sensores dificulta monitoramento de tsunamis meteorológicos no litoral brasileiro

Fenômenos rápidos exigem registros mais frequentes e séries históricas mais longas para melhorar estudos, prevenção e sistemas de alerta

Vitória News 30/09/2026 07:59
Falta de sensores dificulta monitoramento de tsunamis meteorológicos no litoral brasileiro
Imagens: Prefeitura de Laguna-SC/Divulgação

O tsunami meteorológico que atingiu o litoral sul de Santa Catarina em 21 de setembro voltou a chamar atenção para uma fragilidade do monitoramento costeiro no Brasil: a falta de dados contínuos e de uma rede mais ampla de sensores capazes de registrar fenômenos que podem surgir e desaparecer em poucos minutos.

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O evento foi identificado com a ajuda de imagens feitas por moradores, câmeras instaladas em diferentes pontos e equipamentos de monitoramento. Esses registros ajudaram pesquisadores a localizar o momento da ocorrência e a confrontar as informações com os dados obtidos por instrumentos profissionais.

Apesar desse avanço, ainda não é possível saber com que frequência os tsunamis meteorológicos ocorrem no litoral brasileiro nem afirmar se estão se tornando mais comuns. Um dos principais obstáculos é a ausência de séries históricas suficientemente longas.

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Segundo o oceanógrafo Mauro Michelena, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), fenômenos desse tipo exigem décadas de observações para que modelos possam identificar tendências de maneira confiável.

Os tsunamis meteorológicos são diferentes daqueles provocados por terremotos. Eles estão associados a alterações rápidas da pressão atmosférica, ventos e outros sistemas meteorológicos que, combinados às características do oceano e da costa, podem provocar oscilações abruptas no nível do mar e ondas de grande energia.

Em Santa Catarina, onde o litoral ultrapassa 560 quilômetros, parte do acompanhamento é feita por sensores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). O problema é que muitos equipamentos foram configurados para registrar informações em intervalos de uma hora, enquanto um tsunami meteorológico pode se desenvolver em poucos minutos.

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Essa limitação torna importantes também os relatos de moradores e pescadores e as imagens registradas por câmeras e celulares. Foi essa combinação de fontes que ajudou na análise dos episódios registrados em novembro de 2023 e em setembro deste ano.

Uma rede com maior número de sensores e medições mais frequentes poderia melhorar a compreensão dos fenômenos e, futuramente, permitir a criação de sistemas específicos de alerta para comunidades costeiras.

A questão ganha relevância diante das mudanças observadas no oceano e na atmosfera. Pesquisadores ressaltam, porém, que ainda não existem dados suficientes para estabelecer uma relação direta entre mudanças climáticas e aumento da frequência dos tsunamis meteorológicos no Brasil.

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O litoral sul catarinense apresenta condições naturais que podem favorecer episódios de maior energia, como áreas mais expostas ao Atlântico e a proximidade de sistemas atmosféricos intensos.

O conhecimento acumulado pelos pescadores também é considerado importante para compreender o comportamento do mar. Segundo pesquisadores, porém, mudanças nas condições atmosféricas e oceânicas têm levado comunidades tradicionais a combinar a experiência adquirida ao longo de gerações com informações fornecidas por serviços meteorológicos.

A ampliação do monitoramento costeiro pode ajudar não apenas na pesquisa científica, mas também na adaptação das cidades litorâneas a eventos extremos e na redução de riscos para moradores, pescadores, embarcações e infraestrutura próxima ao mar.

Fonte: Agência Brasil

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