A Fórmula 1 se prepara para uma possível mudança ao final da temporada. Com a chegada do fim do ano, a presença das etapas do Catar e de Abu Dabi passa por um momento de instabilidade devido aos conflitos no Oriente Médio. Caso não haja como seguir com esses Grandes Prêmios, a opção mais provável seria o circuito de Ímola, que já recebeu sinal verde para construir arquibancadas.
Segundo fontes ouvidas pelo Motorsport, o Grande Prêmio localizado na Itália recebeu autorização para que os preparativos sejam feitos como se a corrida na Emilia-Romagna fosse acontecer. Mesmo assim, não é certa a mudança de planos, e a Fórmula 1 mantém no calendário oficial Catar e Abu Dabi.
A movimentação faz parte de um plano de contingência para o caso de a categoria precisar cancelar as duas últimas etapas do calendário. A Fórmula 1 pretende manter os Grandes Prêmios no Oriente Médio enquanto houver condições, mas precisa ter uma alternativa pronta para evitar que a temporada termine após a prova de Las Vegas.
Os preparativos em Ímola envolvem não apenas a construção de arquibancadas temporárias, mas também a estrutura necessária para receber equipes, organização e público no primeiro fim de semana de dezembro. Segundo fontes do Motorsport, a própria Fórmula 1 está assumindo os custos dessas obras. Com isso, o circuito italiano não corre o risco de arcar com o prejuízo caso a mudança não seja necessária.
A estratégia também permite que a F-1 adie ao máximo uma decisão sobre o calendário. O CEO da categoria, Stefano Domenicali, havia indicado inicialmente que uma definição sairia em meados de setembro, mas a evolução da situação no Oriente Médio mudou o cenário. Agora, chefes de equipe apontam meados de outubro como uma possível janela para o anúncio, embora a Fórmula 1 não tenha estabelecido um prazo definitivo.
As equipes já foram informadas sobre a possibilidade de uma mudança. O chefe da Haas, Ayao Komatsu, em coletiva de imprensa de quinta-feira, em Baku afirmou que os times acompanham a preparação de Ímola e citou dificuldades logísticas que poderiam surgir com uma corrida na Itália no fim do ano.
"Eu acredito que Stefano pretendia nos contar em meados de outubro, certo? Então, todos nós sabemos qual é a situação. Acredito que Ímola está se preparando caso seja necessário. Acho que os desafios são, por exemplo, questões como a estrutura europeia dos autocaravanas, etc. Todas as pessoas que cuidam delas têm um emprego de inverno, então precisamos encontrar pessoas alternativas para fazer isso", comentou.
Apesar da preparação para um eventual cenário de emergência, Komatsu destacou que a expectativa dentro das equipes é pela manutenção do calendário original.
"Mas tenho certeza de que todos nós, como família e comunidade, garantiremos que, se for preciso, isso aconteça. Mas, com sorte, como ponto de partida, possamos ir ao Catar e a Abu Dhabi. Isso seria ótimo", completou.
Mattia Binotto, chefe da Audi, também citou meados de outubro como referência para uma possível decisão. Segundo o dirigente, os principais obstáculos para uma corrida em Ímola seriam relacionados à organização e à logística, e não às condições climáticas.
"Como discutimos durante a reunião da Comissão de F-1 na última segunda-feira, meados de outubro é o prazo final para tal decisão", afirmou.
Binotto afirmou ainda que as temperaturas mais baixas no início de dezembro não seriam um impedimento para a realização da prova. A avaliação é de que Ímola teria tempo suficiente para concluir os preparativos caso seja necessário assumir o lugar de Catar e Abu Dabi.