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Ex-ministro da Agricultura da China é condenado à morte em novo passo de campanha anticorrupção

FolhaPress 29/09/2025 07:46

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - O ex-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais da China, Tang Renjian, foi condenado à morte por corrupção passiva em mais um passo da campanha do líder Xi Jinping contra o crime no país.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Renjian, que também era membro do Comitê do Partido Comunista da China, teve a pena suspensa por dois anos por ter confessado os crimes, cooperado na recuperação dos valores e demonstrado arrependimento, segundo a mídia estatal Xinhua.

O político foi também sentenciado à privação vitalícia de todos os seus direitos políticos, e seus bens pessoais foram confiscados.

O ex-ministro teria usado os cargos que exerceu entre 2007 e 2024 para beneficiar terceiros em contratos de projetos, investimentos e aprovações de empresas. Em troca, teria aceitado a quantia de mais de 268 milhões de yuans (cerca de R$ 201 milhões).

A corte responsável pelo caso, o Tribunal Popular Intermediário de Changchun, na província de Jilin, decidiu que as ações de condenado configuram crime de suborno.

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Renjian também teria dito, após a leitura da sentença, que aceita o veredito e não pretende recorrer, segundo a agência. Os valores recuperados foram convertidos ao tesouro nacional.

O político começou sua carreira na década de 1980 no Ministério da Agricultura e atuou em diversos cargos até chegar à liderança da pasta. Em dezembro de 2020, foi apontado como ministro, e em maio de 2024 foram anunciadas as investigações contra ele.

O processo contra o ex-ministro faz parte de uma campanha anticorrupção lançada por Xi em 2012, logo após sua eleição como secretário-geral do partido, e tem como objetivo a identificação e punição de lideranças da sigla, do regime e de empresas estatais que tenham cometido os crimes. Desde o início, uma série de oficiais foi investigada e condenada por violações da lei chinesa.

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As investigações são conduzidas pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar (CCDI, na sigla em inglês), mais alto órgão do regime para este tipo de apuração.

A campanha é vista como um contraponto à ideia de que membros do alto oficialato do partido têm imunidade e que um passado de contribuições pode ser levado em consideração em casos de corrupção no país.

A campanha mira "tigres e moscas", como Pequim chama as lideranças e os oficiais da base. A cruzada ganhou forma quando foi lançado, ainda em 2012, um documento com oito regras de austeridade para manter a disciplina dentro do partido.

Entre os pontos destacados, as regras previam viagens com comitivas mais enxutas, simplificação de reuniões e atividades, aprimoramento da cobertura noticiosa com redução de quantidade e tamanho das reportagens e cumprimento de normas relativas à moradia, entre outros.

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Em julho deste ano, durante uma reunião do Politburo, órgão de 24 membros do Comitê Central do partido, Xi reforçou a importância das oito regras e afirmou que a supervisão rigorosa e a aplicação de ações disciplinares são ferramentas para a evolução do partido.

Em janeiro, o líder da China já havia dito que a corrupção é a maior ameaça para o partido comunista.

O caso de Renjian se soma a outras condenações proferidas no país por corrupção de oficiais do alto escalão, dentre elas a do ex-chefe de segurança doméstica Zhou Yongkang, que foi condenado à prisão perpétua em 2015, aos 73 anos, por suborno, abuso de poder e divulgação de segredos de Estado. Assim como o ex-ministro da Agricultura, a mídia estatal afirma que ele confessou os crimes e decidiu não recorrer.

Analistas sugerem que o caso foi utilizado como exemplo pelo regime, uma vez que, além de liderar a área de segurança interna, Zhou era também membro do Politburo . Ele teria se beneficiado com cerca de 130 milhões de yuans (cerca de R$ 97 milhões), segundo a Xinhua.

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