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Ex-funcionários de residência oficial da Argentina narram ter visto Fernandéz agarrar Yañez pelo cabelo

FolhaPress 11/08/2024 11:58

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Funcionários que trabalhavam na residência presidencial da Argentina durante a gestão de Alberto Fernández corroboraram as denúncias de que o ex-presidente agredia fisicamente a então primeira-dama, Fabíola Yañez, na época em que comandava o país em uma reportagem publicada pelo jornal La Nacion neste domingo (11).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O peronista, 65, nega todas as acusações. "A verdade dos fatos é outra", frisou em uma mensagem publicada nas redes sociais.

A Justiça fez buscas na residência de Fernández em Buenos Aires na sexta-feira (9) e apreendeu seu celular. Também impôs medidas restritivas como proibir sua saída do país, segundo fontes judiciais citadas na imprensa argentina.

Dois empregados da Quinta de Olivos, como a residência é conhecida, na época em que o ex-presidente vivia lá --o então administrador do local e um militar-- narraram ao La Nacion um episódio que testemunharam então.

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Segundo eles, na época do incidente, o casal já estava separado, e Yañez vivia em uma casa de hóspedes a poucos metros da habitação principal.

Naquele dia, Fernández desceu do helicóptero presidencial e se dirigiu à casa onde Yáñez vivia com o filho do casal. Os funcionários contam ter ouvido gritos e se deparado com Fernandéz agarrando a ex-mulher pelo cabelo e a segurando pelo um braço.

O administrador afirma que se interpôs entre o então presidente e a primeira-dama, separando-os, e levou Fernández para longe dali em um carrinho de golfe até que ele se acalmasse.

Um ex-empregado de Olivos que não quis se identificar disse que não chegou a testemunhar nenhum episódio de violência contra Yañez na época em que trabalhava no local. Afirmou, porém, que muitos funcionários e visitantes provavelmente viram-na machucada, uma vez que cerca de 200 pessoas entram e saem da residência por dia.

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Yañez mencionou isso em sua primeira entrevista após o caso vir à tona, publicada neste sábado (10). Ao portal Infobae, ela afirmou que nunca recebeu ajuda, embora "muitas pessoas" soubessem da suposta situação de violência envolvendo o casal na época em que eles moravam na quinta, localizada no município de Vicente López, ao norte de Buenos Aires.

Ela também narrou ter sofrido "assédio telefônico e terrorismo psicológico" da parte do ex-presidente. "Durante dois meses ele me ameaçou dia sim, dia não, dizendo que se eu fizesse isso, se fizesse aquilo, ele se suicidaria."

A ex-primeira-dama atualmente vive com o filho de dois anos em Madri, na Espanha. Ainda ao Infobae, ela disse temer por sua segurança. "Tenho que me resguardar, tenho medo", afirmou.

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Yáñez apresentou uma denúncia contra Fernández por violência doméstica após virem à tona fotografias em que aparece com marcas de golpes e hematomas em um braço e no rosto.

"Hoje eu não pude sair de casa, puseram inibidores [...] que faziam com que o carro desligasse", afirmou ela ao pedir a investigação na Justiça. O juiz argentino que conduz o caso, Julián Ercolini, pediu que a segurança de Yáñez na capital espanhola fosse reforçada.

O caso provocou repercussão em todo o espectro político argentino, especialmente na oposição peronista, movimento ao qual o ex-presidente pertence.

A ex-presidente e ex-vice de Fernández, Cristina Kirchner, afirmou na rede social X que seu companheiro de governo "não foi um bom presidente". Ademais, considerou que as imagens sobre o caso que vieram à tona "delatam os aspectos mais sórdidos e obscuros da condição humana".

Alberto Fernández governou a argentina entre 2019 e 2023.

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