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Ex-atacante celebra fim de investigação por suspeita de fraude fiscal

FolhaPress 07/10/2025 17:56

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No dia 25 de maio de 2019, o ex-atacante Roni, com passagens por Santos, Flamengo, Fluminense e seleção brasileira, acompanhava o duelo entre Botafogo e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, em um dos camarotes do estádio Mané Garrincha, em Brasília, quando foi surpreendido por homens da Polícia Civil do DF.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Responsável pela assistência que resultou no primeiro gol de Neymar no time profissional do Santos, ele saiu do estádio algemado e passou uma noite na cadeia.

Atuante no mercado de compra e venda de mandos de campo para levar grandes equipes do Sudeste para outros centros do país, o ex-jogador era suspeito de manipular os borderôs de partidas no Mané Garrincha.

A suspeita dos investigadores era a de que Roni e seus sócios informavam um público menor do que aquele que de fato havia no estádio, de modo a reduzir o imposto devido à Receita e também o preço do aluguel do espaço.

Segundo as investigações, Roni e seus sócios tinham fraudado os borderôs de ao menos 18 jogos no estádio de Brasília, de 2015 a 2017, com uma sonegação fiscal que somaria cerca de R$ 300 mil.

Passados mais de seis anos do episódio na capital federal, o Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito por falta de provas.

"Passei um período muito difícil. Foram realmente seis anos bem complicados. Foi um impacto muito grande em nossas vidas", afirmou Roni à Folha.

"Infelizmente, a pandemia também nos atrapalhou. Isso fez com que o processo ficasse ainda mais demorado", acrescentou o ex-jogador, campeão carioca com o Fluminense, em 2002, e com o Flamengo, em 2007.

SESC PICASSO

Roni nega que tenha cometido qualquer irregularidade.

"Se tivesse alguma coisa que eles imaginavam que a gente estivesse fazendo de errado, era só ter me chamado que teria o maior prazer de colaborar com a Justiça e esclarecer tudo. Infelizmente, optaram por uma megaoperação com mais de 150 pessoas que teve uma repercussão muito grande."

O ex-atacante acrescentou que, por conta da investigação, teve dificuldades para conseguir empréstimos bancários para tocar os negócios nos últimos anos. Além disso, chegou a ser questionado pela Fifa (Federação Internacional de Futebol) sobre o andamento do processo ao tentar tirar a licença para trabalhar como agente de jogadores, tendo de levantar uma série de documentações para satisfazer a entidade.

Apesar dos contratempos, ele disse que pôde contar nesse período com o apoio de amigos, familiares e parceiros de negócios.

"Todos os presidentes de clubes com quem a gente fazia negócio -Flamengo, Vasco, Fluminense, Palmeiras, Corinthians- ligaram para mim ou mandaram mensagem dizendo que confiavam em mim e sabiam da minha idoneidade e do meu caráter", afirmou Roni.

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O ex-jogador continua atuando no mercado de compra de mando de campo, com a realização neste ano de cinco partidas do Flamengo, pelo Campeonato Carioca, no Nordeste, e do confronto entre Cruzeiro e Vasco, pelo Brasileiro, em Uberlândia.

Essa não é mais, no entanto, a principal área de atuação do tocantinense de Aurora do Tocantins. "A maioria dos clubes está muito resistente em fazer esse tipo de venda de mando de campo atualmente."

Hoje, o maior negócio do empresário é a Ingresso SA, empresa que faz a gestão de venda de ingressos e de programas de sócios-torcedores, além da implantação de sistemas de reconhecimento facial nos estádios.

Vitória e Mirassol, da Série A do Brasileiro, estão entre os clientes da empresa, assim como Remo e Atlético Goianiense, da Série B, e Guarani e Botafogo-PB, da Série C.

"Temos a expectativa de conseguir pelo menos três novos clubes da Série A em 2026, para nos posicionar entre as três maiores empresas do mercado nessa área."

Roni também toca junto com sócios a Meu Bilhete, de venda de ingressos para grandes eventos, como festas, shows e feiras, além de atuar como agente Fifa por meio da Golden7Soccer. Ele é o responsável pela carreira de atletas como Adson, do Vasco, Éverton Galdino, do FC Tokyo, e Lucas Arcanjo, do Vitória.

Após alcançar um faturamento geral de aproximadamente R$ 18 milhões em 2024 em suas empresas, ele trabalha com uma estimativa de R$ 35 milhões para 2025.

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Em recente visita à Baixada Santista, o ex-jogador conheceu o Instituto Neymar, a convite de Neymar da Silva Santos, pai de Neymar, fazendo a instalação do sistema de acesso via reconhecimento facial, sem custos.

Roni disse que mantém contato frequente com o atleta do Santos e relembrou com carinho a assistência para o primeiro gol do então garoto de 17 anos, em partida contra o Mogi Mirim, pelo Campeonato Paulista de 2009.

"Estava jogando de centroavante, mas sempre me movimentei muito. Fiz um cruzamento com a perna esquerda, ele fez de peixinho e saiu comemorando para o outro lado, com o soco no ar. Foi depois que ele lembrou que eu que dei a assistência e se virou para o meu lado para me abraçar", recordou.

Ele lembrou que Neymar sempre foi alegre e brincalhão com os colegas de equipe, mas também se mostrava disposto a trabalhar e ouvir os mais experientes. "Todo o mundo que conviveu naquele Santos de 2009 sabia que o Neymar se tornaria um gigante do futebol brasileiro."

Roni defendeu a seleção brasileira na Copa das Confederações, em 1999. Ele fez um dos gols na final do torneio, com passe de Ronaldinho Gaúcho, mas o Brasil acabou perdendo para o México, por 4 a 3.

"Estávamos perdendo por 2 a 1 quando fiz o gol de empate, em um jogo com mais de 100 mil pessoas no estádio Azteca. Aquela memória dificilmente será apagada."

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