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Europeus reagem às afirmações dos EUA de que enfrentam um 'apagamento da civilização'

Estadão Conteúdo 15/02/2026 15:23

A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, rejeitou neste domingo, 15, a ideia de que a Europa enfrenta um "apagamento civilizacional", rebatendo críticas feitas pelo governo de Donald Trump ao continente.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Kallas aludiu às críticas contidas na estratégia de segurança nacional dos EUA divulgada em dezembro, que afirmava que a estagnação econômica na Europa "é ofuscada pela perspectiva real e mais sombria do desaparecimento da civilização". A estratégia sugeria que a Europa está sendo enfraquecida por suas políticas de imigração, taxas de natalidade em declínio, "censura da liberdade de expressão e repressão da oposição política" e uma "perda de identidades nacionais e autoconfiança".

"Ao contrário do que alguns podem dizer, a Europa 'woke' e 'decadente' não está enfrentando o apagamento da civilização", disse Kallas na conferência. "Na verdade, as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube, e não apenas os europeus", acrescentou ela, dizendo que, durante uma visita ao Canadá no ano passado, soube que muitos no país americano têm interesse em aderir à UE.

"Estamos, como sabem, promovendo o progresso da humanidade, tentando defender os direitos humanos e tudo isso, na verdade, também traz prosperidade para as pessoas. É por isso que é muito difícil para mim acreditar nessas acusações", disse Kallas.

Discursos da UE e dos EUA

SESC PICASSO

A chefe da política externa da UE discursou na Conferência de Segurança de Munique um dia depois que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ofereceu uma mensagem um tanto tranquilizadora aos aliados europeus. Ele adotou um tom menos agressivo do que o usado pelo vice-presidente americano, JD Vance, ao discursar na mesma reunião no ano passado, mas manteve-se firme sobre a intenção de Washington de reformular a aliança transatlântica e promover suas próprias prioridades políticas.

Em seu discurso na conferência, Rubio disse que o fim da era transatlântica "não é nosso objetivo nem nosso desejo", acrescentando que "nosso lar pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa".

Ele deixou claro que o governo Trump mantém sua posição em questões como migração, comércio e clima. E as autoridades europeias que discursaram na reunião deixaram claro que, por sua vez, defenderão seus valores, incluindo sua abordagem à liberdade de expressão, às mudanças climáticas e ao livre comércio.

CONTADOR - BONUS

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse ontem que a Europa deve defender "as sociedades vibrantes, livres e diversificadas que representamos, mostrando que pessoas com aparências diferentes podem viver juntas em paz, que isso não é contrário ao espírito dos nossos tempos". "Pelo contrário, é isso que nos torna fortes", disse.

Kallas afirmou que o discurso de Rubio enviou uma mensagem importante de que os Estados Unidos e a Europa estão e continuarão interligados. "Também está claro que não concordamos em todas as questões e isso continuará sendo assim, mas acho que podemos trabalhar a partir daí", disse ela.

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