O debate sobre a guerra contra o Irã tem provocado divisões políticas e sociais nos Estados Unidos. Enquanto pesquisas de opinião indicam que a maioria da população se opõe à ofensiva militar, o Congresso norte-americano discute medidas para limitar os poderes do presidente Donald Trump no conflito.
No Legislativo, parlamentares analisam resoluções que poderiam obrigar o presidente a buscar autorização formal do Congresso para ações militares contra o Irã. Pela legislação norte-americana, operações de guerra devem ser aprovadas pelo Parlamento, exceto em situações consideradas de ameaça imediata.
Entre os republicanos, partido de Trump, o apoio às ações militares tem sido predominante, embora existam divergências dentro de setores da base política ligada ao movimento Make America Great Again. Já entre os democratas, parte significativa dos parlamentares questiona a legalidade da ofensiva.
Algumas manifestações contrárias ao conflito foram registradas em cidades dos Estados Unidos, mas com participação limitada. Ao mesmo tempo, também ocorreram atos de celebração pela morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, organizados por integrantes da diáspora iraniana contrária ao regime de Teerã.
Avaliações acadêmicas
Especialistas apontam que, até o momento, a oposição ao conflito ainda não representa um movimento amplo dentro da sociedade norte-americana. Avaliações indicam que as críticas podem crescer caso a guerra provoque aumento no número de vítimas ou se prolongue por mais tempo.
Análises acadêmicas também apontam que parte da base política do presidente demonstra divisão sobre o tema, com setores nacionalistas defendendo apoio às tropas enquanto outros questionam a intervenção militar.
Pesquisas de opinião
Levantamentos recentes indicam níveis elevados de rejeição popular à guerra. Pesquisa divulgada pela agência Reuters em parceria com o instituto Ipsos mostrou que apenas 27% dos norte-americanos aprovam os ataques contra o Irã.
Outro levantamento, realizado pela empresa SSRS para a emissora CNN, indicou que 41% dos entrevistados aprovam as ações militares, enquanto 69% manifestam desaprovação.
Apesar dos números, o presidente Donald Trump afirmou que as decisões do governo não serão guiadas pelos resultados das pesquisas.
Cobertura da imprensa
A cobertura da guerra também divide a imprensa norte-americana. Parte dos veículos tem adotado postura crítica em relação à forma como a ofensiva foi conduzida, enquanto outros defendem a necessidade de enfrentar o governo iraniano.
Em editorial, o jornal New York Times classificou a decisão de iniciar o conflito como imprudente e criticou o fato de o governo não ter apresentado uma estratégia clara nem buscado autorização do Congresso. Ao mesmo tempo, o texto reconhece que a eliminação do programa nuclear iraniano é considerada por alguns setores como objetivo estratégico.
Já o Wall Street Journal manifestou apoio à ofensiva, defendendo que o maior risco seria encerrar o conflito antes de neutralizar totalmente as forças militares iranianas e grupos aliados.
Debate no Congresso
Duas resoluções que buscam limitar os poderes de guerra do presidente estão em tramitação no Congresso norte-americano. Uma delas deve ser analisada pelo Senado nos próximos dias.
Os democratas argumentam que o governo não apresentou justificativas suficientes para iniciar o conflito sem autorização legislativa. Segundo esses parlamentares, a Constituição dos Estados Unidos prevê que decisões de guerra sejam submetidas ao Congresso.
Entre os republicanos, o apoio à ação militar permanece majoritário, embora alguns parlamentares indiquem que podem reavaliar sua posição caso o conflito se prolongue ou produza impactos mais amplos na região.