Relatos mencionam detonações perto de Bushehr, Choghadak e Konarak, enquanto autoridades israelenses afirmam que a campanha militar contra Teerã ainda não terminou
Explosões foram ouvidas em diferentes pontos do Irã na noite de quinta-feira (9), segundo informações divulgadas pela imprensa estatal e semioficial do país. Apesar dos relatos, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou ter realizado novos ataques em território iraniano nas horas anteriores.
De acordo com o site Al Jazeera, que cita a agência iraniana Mehr, várias detonações foram registradas nas proximidades de Bushehr, onde está localizada uma das instalações nucleares do país, e na cidade vizinha de Choghadak. Outras três explosões teriam sido ouvidas em Konarak, no sul do Irã.
Até o momento, não há informações consolidadas sobre vítimas, danos ou a origem de todas as explosões. A agência Mehr também desmentiu uma notícia anterior sobre uma suposta detonação em Bandar Abbas.
O vice-governador de Bushehr para assuntos políticos e de segurança, Ehsan Jahanian, afirmou à agência estatal Irna que uma das explosões foi provocada pela atuação dos sistemas de defesa aérea. Segundo ele, uma instalação militar localizada nos arredores da cidade teria sido atingida por um projétil.
O Centcom informou à Al Jazeera que as Forças Armadas dos Estados Unidos não haviam realizado ataques contra o Irã nas horas anteriores aos relatos.
O episódio ocorre em um cenário de forte tensão regional. Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nos últimos dias, enquanto Teerã também atingiu instalações militares em países do Golfo, incluindo Catar, Bahrein e Kuwait. As ações aumentaram a pressão sobre o frágil cessar-fogo estabelecido em junho.
Pouco depois dos relatos de explosões, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou que conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo comunicado do governo israelense, os dois trataram da continuidade da coordenação entre os países em diferentes frentes.
Em uma cerimônia militar realizada anteriormente, Netanyahu afirmou que a guerra contra o Irã ainda não havia terminado e mencionou a existência de novos desafios. O chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, também declarou que novas operações militares estão em planejamento.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que as forças israelenses permanecem em estado de alerta e preparadas para retomar os ataques ao Irã caso o governo considere necessário.
A escalada também envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e gás. Navios comerciais, inclusive embarcações ligadas ao Catar e à Arábia Saudita, foram atingidos durante a semana ao atravessarem a passagem marítima.
O Irã defende que as embarcações naveguem mais próximas de sua costa, enquanto os Estados Unidos pressionam pela retomada rápida e ampla do tráfego na região. Países do Conselho de Cooperação do Golfo condenaram os ataques a navios e a territórios de nações árabes.
As divergências ameaçam o entendimento firmado anteriormente entre Washington e Teerã. Embora representantes dos dois países tenham elevado o tom, nenhuma das partes anunciou formalmente o abandono do acordo.
As negociações técnicas foram suspensas durante as cerimônias fúnebres do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Ainda não há confirmação de que as conversas serão retomadas na data inicialmente prevista.
Fonte: Al Jazeera, com informações das agências Reuters e Anadolu e da imprensa iraniana.