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EUA e Seul respondem a pacto Putin-Kim com manobra militar

FolhaPress 20/06/2024 16:20

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos e a Coreia do Sul responderam à viagem de Vladimir Putin a Pyongyang, onde assinou um surpreendente pacto de defesa mútua com a ditadura de Kim Jong-un na quarta (19), com um exercício militar de suas forças aéreas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A ação ocorreu ao longo de quatro dias, culminando nesta quinta (20) com o emprego de um americano AC-130J, versão mortífera do quadrimotor de transporte Hércules armada com mísseis e um canhão de 105 mm usado usualmente em blindados.

Ele fez disparos reais no mar Amarelo, acompanhado por caças F-15 e F-16 da Coreia do Sul. Outros exercícios ocorreram em todo o território sul-coreano, planejados como sinal à presença de Putin, mesmo antes do anúncio do pacto.

As manobras ocorrem enquanto Putin promove um grande exercício aeronaval em torno da península coreana e do Japão, envolvendo 40 navios e 20 aviões da Frota do Pacífico, baseada em Vladivostok.

Também nesta quinta, o governo sul-coreano criticou duramente o pacto e disse que agora considera o envio de armamentos para a Ucrânia, algo que relutava em fazer.

"O governo enfatiza claramente que qualquer cooperação que ajude a Coreia do Norte a aumentar seu poder militar, direta ou indiretamente, é uma violação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU", afirmou a Presidência, em nota.

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É um recado específico à Rússia, que como membro permanente do órgão máximo das Nações Unidas, aprovou nove resoluções com sanções aos norte-coreanos de 2006 a 2017. E o fez em conjunto com a aliada China, também próxima de Pyongyang, e as potências ocidentais. Putin deixou isso de lado agora.

Em visita ao Vietnã, nesta quinta, o russo afirmou que tal decisão de Seul seria "um grande erro" e que encontraria "resposta". E voltou a dizer que seu país pode rever a doutrina de emprego de armas nucleares, dado o que chamou de "nova realidade" —hoje, em tese Moscou só recorre à bomba em caso de ataque atômico ou de risco existencial ao Estado.

O pacto Putin-Kim, cujo texto foi divulgado nesta quinta, prevê assistência militar mútua em caso de invasão, além de falar de cooperação militar, espacial, na área alimentar e de energia nuclear.

Em Hanói, o russo reiterou que poderá fornecer armas e tecnologia bélica para a Coreia do Norte contra os EUA, como uma forma de retribuição pelo fato de Washington e seus aliados terem autorizado o emprego de seus armamentos cedidos a Kiev contra o território russo.

A suspeita de analistas é de que com isso Putin irá escalar a ajuda que já dá para o programa nuclear de Pyongyang. O salto demonstrado por Kim em 2017, quando testou um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os EUA, só foi possível pela adoção de motores de desenho russo.

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Há outros desafios. Os norte-coreanos dizem ter miniaturizado as ogivas que têm para fazê-las caber em mísseis, mas é preciso tecnologia específica para que os veículos que as carregam não se desfaçam na reentrada da atmosfera rumo ao alvo. Isso os russos têm de sobra.

Do lado russo, o senso comum é de que Putin quer munição extra, mais simples, para emprego na Ucrânia. Ambos os países usam o padrão soviético de artilharia de campo, de 152 mm, e destroços de mísseis balísticos de curto alcance norte-coreanos já foram encontrados no país invadido em 2022 após os líderes terem se reunido na Rússia no ano passado.

Mas Kim é também um peão geopolítico importante, ainda que de comportamento imprevisível e mercurial, no jogo da Guerra Fria 2.0. O fato é que a proteção prometida por Moscou eleva riscos de entrechoques na península coreana, lar de quase 25 mil soldados americanos, e muda o balanço de poder e cálculos militares em toda a região.

A China, por sua vez, segue calada sobre o pacto, cuja magnitude faz crer que Pequim havia sido informada de sua existência. Pequim sempre foi a fiadora econômica de Pyongyang, a defende retoricamente, mas tem feito acenos a Seul, montando um grupo de trabalho sobre segurança com os sul-coreanos que estava reunido quando Putin visitou a ditadura comunista.

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Depois da viagem à Coreia do Norte, o russo foi para o Vietnã, país que tem mantido uma posição equidistante nos embates geopolíticos, tendo recebido recentemente em visitas de Estado o americano Joe Biden e o chinês Xi Jinping.

Além dos comentários bélicos, Putin agradeceu a posição dos anfitriões no cenário internacional —os vietnamitas se abstiveram de condenar a Rússia em duas votações sobre a guerra na ONU e não participaram da conferência de paz promovida pela Suíça no fim de semana passado.

O presidente buscou enfatizar laços econômicos com o Vietnã, onde há diversos projetos energéticos de empresas russas. Ele afirmou ao premiê Pham Minh Chinh a disposição de estabelecer uma linha de suprimento de gás natural liquefeito para o país, buscando mais um mercado para substituir aqueles perdidos na Europa devido à guerra.

Do ponto de vista político, Putin sinaliza assim que não está tão isolado do mundo quanto o Ocidente, com suas sanções, gostaria. Diferentemente da Coreia do Norte, o país está integrado à economia mundial —suas exportações desde que empresas chinesas transferiram linhas de produção para lá quase duplicaram em proporção do PIB.

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