O Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu, nesta quinta-feira, 22, um alerta de segurança a cidadãos americanos que estão na França ou pretendem viajar ao país. O comunicado recomenda cautela durante os protestos convocados para este sábado, 24, e domingo, 25, em meio a uma onda de manifestações que já deixou mortos, milhares de detidos e áreas inteiras da capital sob restrição de circulação.
No texto, divulgado também nas redes sociais da pasta, a diplomacia americana afirma que os atos recentes foram marcados por violência, destruição de propriedades, saques e ataques a policiais, que reagiram com gás lacrimogêneo. Os americanos são orientados a evitar manifestações e regiões de tumulto, bem como a se manter longe de grandes aglomerações e de locais com forte presença policial.
O aviso faz menção específica aos visitantes que estarão em Paris para a partida da NFL no domingo, que devem redobrar a atenção ao entorno. O Departamento de Estado diz que, embora os organizadores possam registrar trajetos junto às autoridades, mudanças de última hora são comuns e protestos podem ocorrer fora dos percursos previstos. Além de Paris, o alerta cita manifestações programadas em Orléans, no sábado e no domingo.
Toques de recolher
O documento também adverte que os toques de recolher decretados em partes do território francês, incluindo bairros de Paris e arredores, podem ser mantidos. Segundo o comunicado, a decisão cabe às autoridades locais e pode ser tomada com pouca antecedência, restringindo reuniões e o acesso a pontos públicos. Entre as áreas mais atingidas pelos estragos na capital estão Les Halles e o entorno da Praça da República.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou que 70 mil policiais serão mobilizados no sábado e prometeu rigor contra saques e vandalismo.
Nesta semana, o presidente Emmanuel Macron anunciou a proibição de manifestações não organizadas por sindicatos. Ele alegou que o partido França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, planejaria uma insurreição para derrubar o governo. O alerta americano registra que Paris pretende conter protestos considerados "ilegítimos", enquanto os convocados por centrais sindicais seguem permitidos.
A nova rodada de mobilizações ocorre após o protesto de sábado passado, 17, que levou cerca de 500 mil pessoas às ruas. Os manifestantes se opõem à proposta de cortes no Orçamento, ao aumento do custo de vida e ao cenário econômico e político do país. Nos confrontos com a polícia, mais de 2 mil pessoas foram presas e duas morreram.