Estudantes de SP vão ao RS ajudar a reconstruir escolas

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – As arrecadações de doações para o Rio Grande do Sul tomaram escolas de todo o país, mas um grupo de alunos de São Paulo resolveu ir além. Eles se preparam para viajar ao estado gaúcho, devastado pelas cheias, para atuar na reconstrução de escolas.

A ideia partiu dos próprios jovens, alunos da Castanheiras, uma escola particular que fica em Alphaville, no município de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo.

Impactados pela tragédia, eles organizaram uma gincana para arrecadar donativos, mas resolveram também desenvolver um projeto para atuar in loco. Com a ajuda da direção da escola, escolheram como alvo da ação as escolas afetadas pelas enchentes.

“A nossa preocupação é que as pessoas, que agora estão mobilizadas e ajudando o RS, com o tempo, se esqueçam. Com isso, naturalmente, a ajuda e as doações vão diminuir”, diz Rafaella Marcondes, 16. “Por isso, decidimos fazer a viagem em agosto, depois desse momento inicial de muita solidariedade, para ajudar as escolas destruídas”, conta.

Antes disso, no entanto, um grupo de lideranças dos alunos irá ao estado com a diretora, Cláudia Siqueira, para fazer o que estão chamando de visita técnica. “Vamos ter reuniões com ONGs e diferentes instituições para ver como poderemos ajudar na reconstrução das escolas”, explica a diretora, que também é professora da disciplina Criatividade, Ação e Serviço, na qual o projeto de apoio ao RS será desenvolvido.

Esse primeiro grupo deve ter três ou quatro jovens e, para a viagem de agosto, já há 20 estudantes voluntários. Eles receberão um treinamento de pedagogia de emergência, com estratégias para dar suporte a quem passa por eventos traumáticos.

“Nós vamos entender como as perdas, em uma situação como essa, vão muito além das materiais”, afirma a estudante Maria Clara Fedato, 16. “A maioria dos alunos aqui nunca saiu da bolha, então será um crescimento pessoal muito grande para nós, porque vamos conhecer outras realidades”, avalia.

As primeiras ideias do projeto já foram discutidas em uma reunião online entre os alunos e uma advogada do Rio Grande do Sul, que fez um retrato da situação para o grupo. “Ela não perdeu a casa, mas está sem água há muitos dias”, conta Maria Clara.

O preparo para a viagem também inclui a arrecadação de materiais de construção. Nesse primeiro momento, a escola arrecadou alimentos, roupas e produtos de limpeza e higiene.

SEM ESCOLA

As cheias no Rio Grande do Sul, uma tragédia sem precedentes no país, atingiram cerca de 55% das escolas do estado. As inundações, que começaram no final de abril, afetaram, ao todo, 378 mil estudantes, cerca da metade do total da rede pública.

Desse número, perto de 173 mil ainda estão sem aula e sem nenhuma previsão de retorno. Eles fazem parte das regiões mais afetadas pelas cheias. Em alguns municípios, no Vale do Taquari, escolas destruídas nesta enchente haviam acabado de ser reconstruídas após os danos causados pelas cheias de setembro de 2023.

A EMEI Família Feliz, por exemplo, do município de Muçum (115 km da capital gaúcha), sofreu três inundações em um período de nove meses. Havia sido reinaugurada em fevereiro, após uma reconstrução que contou com o apoio de voluntários, e, com as chuvas de agora, apenas dois meses depois, foi novamente coberta por lama.

Para essas áreas mais destruídas, o governo do Rio Grande do Sul estuda a construção de escolas de campanha, de acordo com a secretária da Educação, Raquel Teixeira.

Nesta semana, com a retomada das chuvas, novos alagamentos afetaram Porto Alegre e a região metropolitana, o que levou a mais uma suspensão de aulas presenciais.

Escolas que não foram afetadas, tanto públicas como privadas, estão sendo utilizadas como abrigo ou para fornecer atendimento e alimentação para a população atingida.

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