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'Estou em choque', diz María Corina Machado após receber o Nobel da Paz

FolhaPress 10/10/2025 10:40

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Estou em choque", disse a líder opositora da Venezuela, María Corina Machado, no que parece ser uma de suas primeiras reações ao descobrir, nesta sexta-feira (10), que era a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"O que é isso? Não consigo acreditar", afirma ela em uma ligação com o também opositor Edmundo González, candidato à Presidência da Venezuela em 2024 e exilado na Espanha desde que o ditador Nicolás Maduro se proclamou vencedor após o pleito. "Estamos em choque de alegria", responde ele.

O candidato presidencial da oposição venezuelana, Edmundo Gonzalez Urrutia, e a líder Maria Corina Machado participam de um comício de campanha em Maracaibo Raúl Arboleda - 23.jul.2024 AFP Homem de camisa branca com colares e mulher sorridente ao lado, apontando para frente, vestindo camiseta branca com detalhes coloridos e colares. Fundo desfocado ao ar livre. **** González, que entrou na disputa após María Corina ser declarada inelegível pelo regime, publicou o vídeo em sua conta na rede social X pouco depois. "Merecidíssimo reconhecimento à longa luta de uma mulher e de todo um povo pela nossa liberdade e democracia. A primeira vencedora do Prêmio Nobel da Venezuela! María Corina, a Venezuela será livre!", afirmou.

Com o prêmio, a opositora se tornou a 20ª mulher a ganhar o Nobel, concedido desde 1901 -o que significa que, agora, 83% das premiações foram masculinas. A última mulher a ganhar a homenagem havia sido a ativista iraniana Narges Mohammadi, em 2023.

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Corina como "um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos tempos recentes" e uma "figura-chave e unificadora em uma oposição política que antes era profundamente dividida".

"É precisamente isso que está no cerne da democracia: nossa disposição compartilhada de defender os princípios do governo popular, mesmo discordando. Em um momento em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender esse ponto em comum", diz o anúncio.

O presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, ainda citou os esforços "inovadores e corajosos, pacíficos e democráticos" da oposição nas eleições de 2024 na Venezuela, quando o antichavismo reuniu as atas de votação ao longo do dia em uma tentativa de contestar possíveis fraudes do regime.

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Embora os documentos, atestados por diferentes órgãos independentes, tenham apontado vitória ao candidato da oposição, Edmundo González, Maduro declarou sua terceira reeleição horas após o fechamento das urnas, sem apresentar as provas exigidas pela lei venezuelana.

O episódio foi apenas uma das anormalidades do pleito. Cerca de um ano antes, María Corina havia sido declarada inelegível ao lado de outros opositores pela Controladoria-Geral do país --que, assim como a maioria dos órgãos públicos da Venezuela, está aparelhada.

Na ocasião, o regime atribuiu a decisão a irregularidades administrativas da época em que ela foi deputada, de 2011 a 2014. A medida, imposta em 2015, tinha vigência de apenas um ano, mas foi estendida porque ela apoiou sanções dos EUA contra Maduro, segundo o órgão.

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